Grupo português prevê inaugurar sete novas unidades até 2028, considerando empreendimentos novos e também ‘retrofit’
07/07/2026
A rede hoteleira portuguesa Vila Galé vive um movimento de expansão no Brasil. A marca vai inaugurar até 2028 sete novos hotéis no país – segundo maior mercado da bandeira no mundo, atrás de Portugal. A rede conta com 52 unidades: 34 no mercado português, quatro em Cuba, um na Espanha e 13 no Brasil.
“O investimento [para expansão] vai rondar cerca de R$ 1 bilhão” disse ao Valor Jorge Rebelo de Almeida, empresário português fundador da rede. O crescimento ocorre justamente no ano em que a Vila Galé, com 40 anos de existência, completa 25 anos de presença em solo brasileiro.
Almeida disse que cinco cidades serão contempladas com unidades. Serão dois hotéis neste ano em São Luís (MA): um com 43 quartos e inauguração em outubro; e outro com 50 quartos, e abertura em dezembro. Mais dois hotéis serão lançados em Coruripe (AL), um de 350 quartos e outro de 144 quartos, a serem inaugurados em 2027. O lugar é conhecido por praias paradisíacas, emolduradas por coqueirais. “Vamos estar a 60 quilômetros a sul de Maceió, numa praia bonita, com aquela cor do mar tão característica do Estado de Alagoas”, afirmou Almeida.
Uma unidade hoteleira em Florianópolis (SC) e outra em Brumadinho (MG) terão 300 quartos cada, ambas com lançamento previsto para 2028. Em Brumadinho, situa-se o Instituto Inhotim, museu a céu aberto que se tornou referência em arte contemporânea. A cidade de João Pessoa (PB), por sua vez, receberá unidade de 300 quartos, com previsão para 2027.
O atual número de quartos da rede em funcionamento no Brasil é de 4.327. Assim, quando os novos empreendimentos estiverem na ativa, a Vila Galé terá acréscimo de 1.487 quartos, alta de 34%.
A expansão, disse Almeida, foi motivada por previsão de demanda crescente para a hotelaria no mercado brasileiro nos próximos anos. O crescimento econômico do país nos últimos anos contribuiu para o desenvolvimento maior do turismo e esse processo tende a continuar, afirmou. O fato de o Brasil ser um país sem envolvimento em guerras eleva o interesse de redes de hotelaria estrangeiras. “O turismo é uma indústria de paz.”
Na visão do executivo, ficou no passado o tempo em que o turismo era uma atividade “secundária” na economia brasileira. “O Brasil pode vir a crescer muito mais no turismo”, previu.
Na expansão da rede no país, não estão descartados tanto empreendimentos novos (“greenfield”) como “retrofit” (modernização de prédios existentes). “Mas recuperar patrimônio histórico é uma das atividades que nós gostamos muito de fazer”, acrescentou. “Recuperar prédios que estão abandonados, trazê-los de novo para a vida é dar [a eles] sentido econômico. Porque muitos deles estão abandonados em termos de patrimônio histórico”, disse.
Almeida prosseguiu: “como a recuperação e reconstrução [do edifício] do primeiro Regimento de Cavalaria de Portugal no Brasil em 1775”, disse, em referência ao recente “retrofit” do Vila Galé Collection Ouro Preto, em Minas Gerais, resort com 311 quartos, inaugurado no ano passado.
Outros países latino-americanos também não estão descartados, a longo prazo, acrescentou. “Temos pretensão de poder ter unidades na Argentina, no Chile e no Peru. Mas, neste momento, temos carga [de lançamentos] tão grande no Brasil que vamos concentrar no país”, disse.
O executivo não acredita, porém, que o faturamento da rede no Brasil neste ano vá crescer na casa dos dois dígitos, como aconteceu em 2025. A rede faturou cerca de R$ 800 milhões ano passado, 20% a mais que em 2024. Almeida explicou que os próximos meses no mercado brasileiro são de arrefecimento da demanda devido a fatores sazonais. Em ano de Copa do Mundo e de eleições, as pessoas viajam menos no país, lembrou – e isso afeta a hotelaria. “Gostaríamos de crescer esse número [de 20%], mas não vamos crescer”, disse.
Essa perspectiva de curto prazo não impediu que, em passagem pelo país, Almeida tivesse conversas para possíveis novos empreendimentos. A rede estuda novo hotel no Rio, em Areal, região serrana, disse.
Em março, o prefeito de Areal, Gutinho Bernardes (PP), confirmou ao Valor conversas sobre o tema, após participar de seminário sobre turismo, promovido pela Editora Globo, com apoio do governo fluminense. “Grandes redes hoteleiras estão olhando novos roteiros [turísticos no Rio] para empreendimentos”, confirmou.
Fonte: Valor Econômico




