O órgão antitruste deu aval, sem restrições, após verificar que não há sobreposição horizontal nos mercados de embarcações do tipo AHTS, PSV e ORSV, e que, mesmo em posição dominante, a junção não provocará exercício de poder no mercado com a frota de RSVs
28/07/2026
O Cade aprovou sem restrições, na segunda-feira (27), a incorporação da CBO pela OceanPact. A combinação de negócios foi anunciada no final de fevereiro.
Na avaliação do Cade, a operação não suscita sobreposição horizontal no mercado das embarcações do tipo AHTS, PSV e OSRV. No entanto, ao juntar os negócios, a participação conjunta para os RSVs alcança 40%, assumindo uma posição dominante no setor.
Durante a análise do Cade, a Petrobras solicitou, e foi aprovada, para entrar como terceira interessada no processo, alegando que a operação poderia gerar uma concentração excessiva no mercado. Um de seus argumentos era sobre as barreiras regulatórias, afirmando que a mobilidade internacional da frota de embarcações de apoio marítimo, em especial a PSV, ORSV, RSV, que poderiam ser destinadas para operações em águas jurisdicionais brasileiras (AJB), é restrita.
Contudo, o órgão constatou que frente as tais barreiras regulatórias e burocráticas, as importações podem não constituir um elemento mitigador eficaz contra uma eventual tentativa de exercício de poder de mercado no setor.
Sobre a rivalidade, chegou-se à conclusão de que há importantes variações nas participações de mercado ao longo dos últimos anos e alternância na liderança de mercado, e a tendência é que se mantenha futuramente esse cenário.
Por último, o Cade avaliou sobre a possibilidade de embarcações ociosas substituírem os RSVs e, de acordo com o estudo, com as devidas adaptações, essas embarcações serão capazes de absorver uma eventual elevação de aproximadamente 30% na demanda pelos serviços típicos de RSV.
Combinação
Com a transação, a companhia combinada contará com uma frota de 73 embarcações (15 AHTSs, 40 PSVs, 15 RSVs e 3 outros), receita anual de mais de R$ 4 bilhões e backlog de R$ 14 bilhões, segundo o comunicado emitido pelas empresas.
Um dos pilares estratégicos que a combinação se apoia é a ampliação da capacidade de atuação no mercado de apoio offshore, no segmento de embarcações e no de serviços
A direção executiva da companhia combinada será liderada por Flavio Andrade, como CEO, Eduardo de Toledo, como CFO, Marcos Tinti, como vice-presidente de Navegação, e Haroldo Solberg, como vice-presidente e líder da integração.
O novo Conselho de Administração será formado por sete membros:
- Presidente do CA e conselheiro independente: Luís Antônio Araujo;
- Conselheiro indicado por Vinci Compass: Gabriel Felzenszwalb;
- Conselheiro indicado por Patria: Roberto Cerdeira;
- Conselheiro indicado por Flavio Andrade: Felipe Andrade;
- Conselheiro independente: Fabio Schvartsman
- Conselheiro independente: Adriana Waltrick
- Conselheiro a ser indicado pela BNDESPar: ainda será anunciado
A nova estrutura acionária terá as seguintes participações: Vinci Compass, 21,8%; Fundos de infraestrutura geridos pelo Patria, 21,8%; Flavio Andrade, 13,0%; BNDESPar, 10,9%; executivos da OceanPact, 3,8%; e mercado, 28,7%.
Fonte: Brasil Energia



