TGN oferta capacidade de novo gasoduto na Argentina que poderá ampliar exportação ao Brasil

TGN quer abrir este mês um processo de oferta de capacidade do Gasoduto Manuel Belgrano, que aumentará envio de gás de Vaca Muerta a partir de 2029
11/09/2026

A Transportadora Gas del Norte (TGN), do grupo Techint, anunciou nesta quinta (17/9) que pretende abrir ainda este mês um processo de oferta de capacidade do Gasoduto Manuel Belgrano — um novo projeto de infraestrutura que visa aumentar a capacidade de movimentação do gás natural de Vaca Muerta e que pode abrir espaço para ampliar as exportações ao Brasil a partir de 2029.

A construção do gasoduto e de obras complementares, segundo a TGN, demandarão investimentos de US$ 2,2 bilhões, para suprir o déficit de oferta nas regiões central, norte e litorânea da Argentina; e, com isso, ampliar também a capacidade de exportação.

A TGN informou que o projeto foi concebido para gerar uma capacidade de fornecimento inicial de 13 milhões de m³/dia, com previsão de entrada em operação em abril de 2029.

A transportadora espera iniciar ainda este mês a chamada para manifestação de interesse na capacidade do novo gasoduto e, posteriormente, lançar a chamada aberta para oferta da capacidade do Sistema TGN. 

A apresentação e adjudicação das propostas para ambos os processos estão previstas para o fim de novembro. 

Conheça o projeto

  • O projeto prevê a construção de um novo gasoduto de 753 quilômetros de extensão entre Tratayén, na Bacia de Neuquén, e La Carlota, em Córdoba;
  • o gasoduto atravessará cinco províncias (Neuquén, Río Negro, La Pampa, San Luis e Córdoba), com um investimento de US$ 1,5 bilhão, mais obras complementares no sistema de transporte da ordem de US$ 700 milhões.

A nova infraestrutura, segundo a TGN, conectará a produção de Vaca Muerta com indústrias e termelétricas, no mercado doméstico, com impacto positivo na balança comercial argentina.

A companhia pretende solicitar a inclusão do projeto de infraestrutura no Programa de Incentivo a Grandes Investimentos (RIGI).

  • A transportadora estima que o projeto contribuirá para uma redução de US$ 700 milhões anuais com a importação de combustíveis — como o gás natural liquefeito (GNL) e diesel;
  • e abrirá novas oportunidades de exportação de gás para países vizinhos, na ordem de US$ 450 milhões por ano. 

“A Argentina tem uma oportunidade extraordinária de transformar, com uma infraestrutura fundamental, o gás de Vaca Muerta em energia competitiva, com produção local, substituição de importações e geração de excedente exportável”, afirmou o CEO da TGN, Horacio Pizarro, em nota.

Projeto pode impulsionar integração regional

O Gasoduto Manuel Belgrano é um dos projetos identificados pela Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (Olacde) como necessários para viabilizar o processo de integração regional do gás no Cone Sul em seu pleno potencial.

O projeto aumenta a capacidade de movimentação do gás de Vaca Muerta dentro da própria Argentina, mas, com isso, abre um saldo no balanço interno para exportação a países vizinhos como Chile e Brasil.

No Brasil, como mostramos recentemente na gas week, o ano de 2027 desponta como um teste para medir a real disposição dos players brasileiros e argentinos por contratos de longo prazo e fazer, assim, escalar a integração gasífera no Cone Sul em direção a compromissos firmes.

  • O governo brasileiro tem a intenção de realizar, em 2027, o primeiro leilão estruturante de gás do país — uma política originalmente concebida para ofertar os volumes que pertencem à União Federal, oriundos dos campos do pré-sal contratados sob regime de partilha, mas que foi ampliada para reunir moléculas de outros vendedores (incluindo gás importado).

A ideia é que o gás da União seja usado como âncora, portanto, de um leilão mais amplo, na tentativa de casar oferta e demanda em contratos de suprimento de longo prazo.

Esse descasamento entre oferta e demanda é justamente um dos fatores que travam os investimentos em infraestrutura para que a Argentina consiga exportar volumes firmes. 

Mas não só. A infraestrutura é apenas uma parte dos desafios para destravar o potencial de integração regional e que ainda precisa superar aspectos relacionados à competitividade. 

O gás de Vaca Muerta é muito competitivo na cabeça do poço, com um preço da ordem de US$ 3 por milhão de BTU na entrada do sistema de transporte, mas o empilhamento de tarifas na malha de gasodutos no percurso (Argentina-Bolívia-Brasil) corrói essa competitividade. Nos primeiros testes, o custo do gás argentino ao chegar ao Brasil foi o triplo dos US$ 3 o milhão de BTU.

Embora o governo argentino tenha flexibilizado os preços mínimos de exportação, eles ainda estarão em vigor até o fim de 2028. 

A Olacde cita, por exemplo, a necessidade de se avançar numa agenda de competitividade mais ampla nos países argentinos, o que passa por:

Fonte: Eixos

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