No ano passado, nos mercados de Caribe e América Latina, a rede fechou 94 novos acordos, com acréscimo de 10,4 mil quartos
07/07/2026
A Marriott International, multinacional hoteleira americana, planeja adicionar mais 110 hotéis em sua carteira no Brasil até 2030. Os planos de ampliação no mercado de brasileiro, onde administra 15 propriedades em nove bandeiras, com um total de 3.779 quartos, fazem parte da estratégia de expansão global da rede, informou Paulo Mancio, vice-presidente de desenvolvimento Brasil da companhia.
“Estive com o CEO da Marriott [global, Anthony Capuano] recentemente e ele disse que agora é ‘double down’ [aposta total] no Brasil”, completou o executivo. “Nós temos meta de onde queremos chegar no país, e é uma meta agressiva.”
No ano passado, nas regiões do Caribe e da América Latina, a rede fechou 94 novos acordos, com acréscimo de 10,4 mil quartos, alta de 40% no número de transações e aumento de 30% no número de quartos nas regiões ante 2024. Nesses mercados, a Marriott contabilizou, até o primeiro trimestre, 561 propriedades, com 26 marcas, em 37 países, totalizando 95.957 quartos.
O Brasil atualmente representa cerca de 4% do total de quartos da rede. A ideia é expandir esse número, com acréscimo de em torno de 4 mil quartos, disse Mancio.
Aproximadamente 45% do plano de expansão no Brasil será focado em hotéis de bandeiras “midscale” (categorias intermediárias) dentro da rede, completou o executivo. “Sobretudo a marca ‘City Express’, que é uma bandeira que tem a cara do brasileiro. [Na categoria intermediária] Temos um campo muito grande para desenvolvimento”, disse. “Por exemplo, um hotel ‘midscale’, da Marriott, que é o City Express, pode ser implementado em Bebedouro (SP), em Limeira (SP), em Ribeirão Preto (SP), em Sinop (MT), que são cidades menores”, enumerou.
O executivo foi taxativo ao destacar potencial de crescimento do mercado hoteleiro brasileiro, nos próximos anos. Esse ponto, aliás, foi um dos fatores que impulsionaram a Marriott a apostar nos planos de expansão no país, disse.
Além de empreendimentos em categoria intermediária, o país tem potencial para absorver unidades de luxo, complementou Mancio. A Marriott planeja trazer “bandeiras muito importantes” de seu portfólio, do segmento luxo, ao país. Entre as citadas por ele, ainda não presentes no mercado brasileiro, estão Ritz-Carlton, Bvlgari e St. Regis.
Dentro dos planos de expansão da empresa no país, também está a participação no projeto “Maraey”, complexo turístico-residencial de R$ 11 bilhões em Maricá, região metropolitana do Rio. Após anos à espera de licenciamento ambiental e disputas judiciais, as obras do empreendimento começaram em 2026. Ainda neste ano, terão início construções de três hotéis da Marriott International: Ritz-Carlton Reserve, JW Marriott e Rock in Rio Autograph Collection, informou ao Valor a assessoria do “Maraey.”
Quando questionado sobre capitalização para expansão no país, Mancio lembrou que a Marriott trabalha em modelo de negócios “asset light”, focado na terceirização de estruturas físicas e operacionais, sem investir capital próprio em hotéis. Assim, a empresa atua como administradora hoteleira ou franqueadora de marcas, enquanto ativos são de propriedade de investidores locais, incorporadoras ou fundos imobiliários. E, para consolidar seus planos no Brasil, a empresa aposta no interesse de investidores no setor, bem como em crescimento de mercado de fundos imobiliários no país dedicados à hotelaria.
Danilo Barbosa, sócio e “head de research” (chefe de pesquisa), do Clube FII, plataforma dedicada a Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs), também acredita em provável expansão do mercado de fundos imobiliários no país em horizonte de longo prazo.
Barbosa informou que a indústria de FIIs experimentou “crescimento exponencial” no pós-pandemia, atingindo atualmente cerca de 3,2 milhões de investidores no Brasil. “Mas o segmento hoteleiro é um dos menores, que configura o menor patrimônio ali dentro”, disse, detalhando que a área deve representar cerca de 0,24% do patrimônio total. “A área bruta locável total de hotéis não chega a 100 mil metros quadrados listados em bolsa”, afirmou. Assim, ponderou, como o nicho hoteleiro ainda é pequeno dentro da indústria de FIIs, é coerente que se projete maior possibilidade de crescimento.
As projeções favoráveis de crescimento de Mancio e de Barbosa vão ao encontro de recente pesquisa do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB). Na 20ª edição do Panorama da Hotelaria Brasileira, elaborado pela consultoria HotelInvest em parceria com o FOHB e veiculada em junho, são contabilizados 178 hotéis em desenvolvimento no país. Isso representa em torno de R$ 13,6 bilhões em investimentos, acima de 2025 (R$ 10,6 bilhões) e o maior volume da série iniciada em 2023. Para a entidade, 2026 consolida nova fase de expansão do “pipeline” hoteleiro nacional.
Fonte: Valor Econômico




