Empresa afirma que a atração de investimentos por meio da outorga de novas áreas torna-se ainda mais estratégica em um ambiente marcado por instabilidade geopolítica, incerteza e permanência dos combustíveis fósseis na matriz energética
06/07/2026
A atração de investimentos por meio da outorga de novas áreas exploratórias torna-se ainda mais estratégica em um cenário internacional marcado por instabilidade geopolítica, incerteza no mercado de petróleo e permanência dos combustíveis fósseis na matriz energética, afirmou a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) no estudo “Rodadas de Licitação no Mundo em 2026”, divulgado na sexta-feira (3). O documento traz uma análise de leilões nacionais e internacionais de blocos exploratórios de petróleo e gás ocorridos em 2025 e previstos para 2026.
De acordo com a EPE, parte das rodadas analisadas já havia sido planejada antes da escalada do conflito no Oriente Médio, mas sua importância estratégica aumentou em um cenário de maior incerteza sobre oferta, rotas e preços. A partir de abril de 2026, Brasil, EUA, Argélia, Omã, Guiné Equatorial, Índia e Noruega, entre outros, anunciaram, ampliaram ou deram continuidade a processos de oferta de áreas exploratórias.
“As iniciativas incluem diferentes estratégias: expansão offshore, abertura de novas fronteiras, reforço de produção nacional e maior segurança para investimentos de longo prazo. Nesse contexto, as rodadas de licitação ganham relevância por ampliar a disponibilidade futura de recursos, reforçar a previsibilidade regulatória e criar opções de abastecimento diante de um ambiente internacional mais instável”, considerou a EPE.
Ainda segundo o estudo, a África emerge como fronteira exploratória de médio risco, com oportunidades em países como Guiné Equatorial, Camarões e Argélia, embora ainda enfrente desafios de infraestrutura e governança. Além disso, processos contínuos e previsíveis ganham vantagem competitiva, favorecendo países com arcabouços regulatórios maduros e recorrência licitatória, como Brasil, Noruega e EUA.
“O Brasil ocupa posição privilegiada, combinando Oferta Permanente, potencial geológico relevante no pré-sal, Margem Equatorial e Bacia de Pelotas, além de menor intensidade relativa de carbono”, diz a EPE. Além do pré-sal, da Margem Equatorial (com destaque para as bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão e Potiguar) e Pelotas, a empresa cita, como fronteiras exploratórias promissoras, a parte marítima da Bacia de Sergipe-Alagoas e as bacias terrestres do Solimões, Amazonas, Parnaíba, Tucano Sul e Alagoas.
“A continuidade desse ambiente favorável deverá ser garantida pela manutenção da estabilidade fiscal e contratual e do fluxo de investimentos upstream, bem como de avanços no licenciamento ambiental e regulatório, especialmente em novas fronteiras como a Margem Equatorial. Ademais, empresas estabelecidas no país podem ampliar suas estratégias de descarbonização por meio de investimentos em renováveis, segmento no qual o Brasil possui forte competitividade”, conclui a EPE no estudo.
Fonte: Brasil Energia



