BNDES credencia sete empresas como fornecedoras para leilão de baterias

10/09/2026

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já credenciou as empresas brasileiras WEG, Moura e You.On e as chinesas TBEA, Gotion, Trina e BYD como fornecedoras de sistemas de armazenamento de energia (SAEs) no processo criado para o leilão de reserva de capacidade (LRCap) de baterias com conteúdo nacional.

O credenciamento é o primeiro passo para que as empresas possam oferecer soluções enquadradas nas regras do leilão previsto para 2 de dezembro. As sete empresas já foram reconhecidas pelo banco como fornecedoras e,  com isso, podem solicitar o credenciamento dos sistemas que pretendem vender aos empreendedores. Nenhum SAE, porém, concluiu até agora essa segunda etapa e foi considerado apto a atender às exigências de conteúdo local do Produto Potência Armazenamento 2028 A, segundo o BNDES.

A presença na lista divulgada pelo BNDES não significa, portanto, que os equipamentos dessas empresas já cumpram as exigências de nacionalização do leilão. Cada solução terá que ser analisada separadamente pelo banco, que informou à MegaWhat que existem outras empresas desenvolvendo sistemas com o objetivo de obter o credenciamento.

O BNDES não divulga processos enquanto estão em análise. Segundo o banco, quando houver SAEs credenciados para atender as regras de conteúdo local, as soluções serão divulgadas no portal do LRCap.

O procedimento é feito pelo Sistema CFI, sigla para Credenciamento de Fornecedores Informatizado, plataforma do BNDES usada para cadastrar fornecedores e produtos submetidos às regras do Finame.

O banco analisa separadamente a empresa e o produto: primeiro verifica se a companhia atende aos requisitos para atuar como fabricante ou empresa de engenharia e, depois, se o equipamento cumpre a regra de nacionalização aplicável.

BNDES define o que pode ser considerado conteúdo nacional

O Finame é o mecanismo do BNDES voltado ao credenciamento e financiamento de máquinas e equipamentos. Para ter acesso às linhas associadas a esses produtos, os equipamentos precisam atender aos critérios definidos pelo banco.

No LRCap, porém, o papel do BNDES vai além do financiamento, porque o Ministério de Minas e Energia (MME) adotou as regras de credenciamento do banco como referência para definir quais sistemas poderão ser considerados nacionais no Produto A.

Por isso, um empreendedor deve obter a comprovação do BNDES mesmo que financie o projeto com outro banco ou com recursos próprios. A Portaria Normativa MME nº 136 estabeleceu que o credenciamento no CFI não obriga o uso de recursos do BNDES e permite aos vendedores optar por outras fontes de financiamento.

Ao mesmo tempo, a assinatura do Contrato de Reserva de Capacidade para Potência (CRCap) do Produto A fica condicionada à apresentação de documento emitido pelo BNDES comprovando que o SAE utilizado foi credenciado.

Essa exigência vale apenas para a primeira disputa. O leilão de 2 de dezembro será reservado a sistemas que cumpram os critérios de nacionalização do BNDES. Já no segundo certame, marcado para 4 de dezembro, não haverá obrigação de conteúdo local nem de credenciamento no CFI como condição para participação.

Pela minuta de edital em consulta pública na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os vencedores do Produto A terão até 7 de maio de 2027 para entregar o certificado do BNDES. Segundo o banco, quem não apresentar o documento não poderá assinar o CRCap.

O fornecedor também poderá mudar depois do leilão. A área técnica da Aneel avaliou que não há impedimento regulatório à troca entre a qualificação do projeto e a comprovação exigida para o contrato, desde que o novo SAE obtenha o credenciamento do BNDES.  A possibilidade permite que empreendedores participem da disputa com fabricantes que ainda estejam buscando a aprovação de suas soluções.

O que as baterias precisam entregar no LRCap

O sistema contratado no leilão é mais amplo do que a bateria propriamente dita. Um SAE, pelas regras do certame, reúne as baterias e os equipamentos necessários para que funcionem como um sistema integrado:  conversores de potência, controles, climatização, estrutura, painéis, transformadores, cabos e equipamentos de proteção contra incêndio.

O BNDES criou quatro caminhos para que uma solução cumpra a primeira etapa da regra de conteúdo local. Quanto maior a nacionalização da própria bateria, menor a necessidade de utilizar outros componentes credenciados.

Na alternativa que exige menos produção local da bateria, por exemplo, o sistema pode ser enquadrado com três componentes credenciados, sendo pelo menos um considerado estratégico, desde que também cumpra os índices mínimos de nacionalização definidos pelo banco. A montagem do SAE completo precisa ocorrer no Brasil.

Isso permite que células ou mesmo módulos de bateria sejam importados em determinadas configurações. Para um pack enquadrado no primeiro nível de nacionalização, o BNDES admite módulos importados, mas exige que a montagem do pack seja feita no Brasil e que outros componentes ou processos nacionais completem o percentual exigido.

Moura e Automa têm EMS validado

Além dos sete fornecedores de SAEs, o BNDES divulga separadamente Moura e Automa como empresas que já tiveram validado o desenvolvimento do software e do firmware do EMS, sigla em inglês para sistema de gerenciamento de energia.

O EMS é uma das partes do sistema de armazenamento, funciona como o centro de comando do SAE: coordena quando as baterias devem carregar ou descarregar, em qual potência e como essa operação deve ser executada pelos demais equipamentos.

O BNDES separa duas partes do EMS. Uma é o hardware, ou seja, os equipamentos físicos de controle. A outra é o desenvolvimento do software e do firmware, que é o programa instalado nos próprios controladores e equipamentos para executar diretamente as funções necessárias à operação.

Essa distinção importa porque tanto o hardware do EMS quanto o desenvolvimento de seu software e firmware estão entre os componentes considerados estratégicos pelo BNDES para o cálculo do conteúdo local. Um SAE pode utilizar o desenvolvimento nacional do EMS como parte da combinação necessária para cumprir as regras do leilão.

O processo também é diferente do credenciamento de um SAE. Sistemas completos aprovados recebem código Finame. Já o desenvolvimento do software e do firmware do EMS passa por uma validação específica e não recebe esse código.

Moura e Automa são as únicas empresas que concluíram essa análise até agora, mas o BNDES informou à MegaWhat que há outras solicitações em andamento.

Quem são as empresas credenciadas

Entre as sete empresas já credenciadas como fornecedoras estão três brasileiras, WEG, Moura e You.On, e quatro grupos chineses, TBEA, Gotion, Trina e BYD. Elas chegam ao processo, porém, com estruturas diferentes no país. 

WEG e Moura já têm produção local de sistemas de armazenamento, enquanto a You.On atua principalmente como empresa de engenharia e integração de soluções. Entre as chinesas, há companhias com fabricação própria desde as células até o sistema completo e diferentes estratégias para atender às exigências de conteúdo nacional.

A WEG já produz sistemas de armazenamento no Brasil e informou em julho que possui cerca de 1 GWh de capacidade produtiva em baterias, dividida entre aplicações de mobilidade elétrica e armazenamento estacionário. A empresa também está construindo uma nova fábrica de BESS em Itajaí (SC), que deve adicionar 2 GWh por ano à sua capacidade de produção de baterias no país.

A Moura também fabrica baterias e sistemas de armazenamento no país. Em agosto, anunciou uma parceria com a chinesa CATL especificamente para disputar o LRCap com conteúdo nacional. O acordo prevê a industrialização local dos sistemas, combinando a tecnologia da CATL com a capacidade produtiva e a estrutura da Moura no Brasil.

A You.On tem um perfil diferente. A companhia brasileira é uma empresa de engenharia especializada em armazenamento e atua na integração dos diferentes equipamentos que formam um BESS, em vez de fabricar toda a cadeia da bateria.

Entre as chinesas, a tendência é de parcerias com empresas locais.

A TBEA, por exemplo, atua como fabricante e integradora de sistemas de armazenamento e já anunciou uma parceria com a Cube Energy para desenvolver e fornecer até 2,4 GWh em projetos de BESS no Brasil destinados ao LRCap.

A Gotion, fabricante chinesa com atuação desde células até sistemas completos de armazenamento, abriu seu primeiro escritório no Brasil durante a Intersolar South America, em agosto deste ano.

A Trina também fabrica sistemas completos de armazenamento e já definiu que pretende disputar o leilão. Para cumprir o conteúdo local, a companhia vem negociando com fornecedores brasileiros de equipamentos como conversores de potência e sistemas de gerenciamento de energia.

Mais conhecida pela atuação no setor automotivo, a BYD possui uma fábrica de baterias de fosfato de ferro-lítio em Manaus (AM) e atua no Brasil também com sistemas estacionários de armazenamento. A existência da fábrica, entretanto, não significa por si só que um SAE da companhia já atenda ao Produto  A: assim como ocorre com as demais empresas da lista, a solução completa ainda terá de passar pelo credenciamento específico do BNDES para comprovar o conteúdo local exigido no leilão.

Parcerias

O processo ocorre enquanto fabricantes nacionais e estrangeiras montam arranjos para cumprir as regras antes do leilão.

Logo depois do anúncio da parceria entre a Moura e a chinesa CATL, a UCB Power e Jinko ESS assinaram um memorando de entendimento para avaliar a industrialização no Brasil dos sistemas desenvolvidos pela companhia chinesa.

Segundo as empresas, a intenção é criar condições para que as soluções atendam às exigências de conteúdo local do LRCap. UCB e Jinko também não aparecem, até agora, na lista de fornecedores divulgada pelo BNDES.

Fonte: MegaWhat

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