Análise mostra que é em águas ultra profundas que o foco das grandes empresas está, com destaque para projetos como Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, e o poço S-M-1378-1, na Bacia de Santos
17/04/2026
O movimento das empresas de O&G de voltarem seus esforços para a exploração, principalmente em novas fronteiras, pode trazer, além do volume, um maior valor ao encontrar barris que possam substituir recursos de maior custo ou de outra forma prejudicados. É o que diz a Wood Mackenzie em análise divulgada na última quinta-feira (16).
Para a consultoria, há um desafio para essa indústria. “Os campos atualmente em operação ficarão 300 bilhões de barris aquém dos quase 1 bilhão de barris necessários para atender à demanda acumulada até 2050 sob nosso cenário base, sem atualizações nas reservas”, explicam os analistas da Wood Mackenzie.
Quando se fala de valores de exploração, a análise mostra que estão menores nos últimos anos, por causa da tendência conservadora de empresas com novas descobertas.
Com isso, a Wood Mackenzie dobrou a avaliação inicial de desenvolvimento da descoberta de Bumerangue (operado com 100% pela bp) na Bacia de Santos, indo de US$ 2,8 bilhões para US$ 5,7 bilhões. Isso pode elevar a geração de valor do setor em 2025 para mais de US$ 10 bilhões. De 2021 a 2025, o setor gerou US$ 54 bilhões em valor, a partir do Brent a US$ 65/barril.
Há estabilidade no investimento no mercado de exploração, com média de US$ 19 bilhões em 633 poços para 2021-2025. Na visão da consultoria, o ano de 2025 ter gerado US$ 16 bilhões em 388 poços é uma “anomalia”.
“A resiliência do investimento reflete a natureza de longo prazo da etapa inicial da cadeia de valor do setor de exploração e produção, apesar da quase duplicação das diárias de perfuração, que representam uma parte substancial dos custos dos poços”, pontuou a WoodMac na análise.
Líderes na exploração e os principais projetos a ficar de olho
E quem lidera a exploração nas águas ultra profundas das fronteiras são as grandes empresas, como Petrobras, Petronas e a TPAO (Turquia). Empresas independentes, tipo Murphy, Apache e Woodside, também estão no grupo de operadores de águas ultra profundas, mas com menos poços perfurados.
Essas empresas, segundo a consultoria, têm a tendência de assumir grandes participações acionárias para obter mais exposição ao potencial de qualquer sucesso. O exemplo é a bp com Bumerangue e a Eni na descoberta de Zohr, no Egito.
A Wood Mackenzie elenca quatro poços com alto potencial de valor, e dois são do Brasil. O primeiro é o Morpho, sendo perfurado pela Petrobras no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas; o segundo é o poço S-M-1378-1, localizado na Bacia de Santos e operado pela Equinor (100%).
Os outros dois são as licenças OPW1 e OPW6 – da Greenland Energy Company (70%) –, em que há expectativas sobre a campanha de testes a ser realizada, uma vez que a costa leste da Groenlândia é um play análogo à Plataforma Continental Norueguesa; e o Bubale-1, o segundo de três poços da Murphy na Costa do Marfim.
Fonte: Brasil Energia



