Taesa vê retorno acima de dois dígitos com compra de R$ 2,3 bi de ativos da Energisa

21/05/2026

A Taesa assinou o contrato para aquisição de cinco concessões de transmissão de energia da Energisa, em uma operação precificada em R$ 2,3 bilhões. Segundo Mauricio Dall’Agnese, diretor de Negócios e Inovação da transmissora, o investimento deve gerar retorno superior a dois dígitos sobre o capital aplicado, patamar que supera o custo de capital normalmente observado no segmento de transmissão de energia.

Durante teleconferência para falar sobre o acordo, o executivo destacou que a transação está alinhada à estratégia da empresa de expandir seu portfólio por meio de ativos com elevado potencial de geração de valor, preservando a disciplina financeira e a rentabilidade dos investimentos. Ele ainda comentou que a companhia caminha para concluir, em 2026, um importante ciclo de expansão e, beneficiada pela redução gradual de sua alavancagem, -seguirá atenta a novas oportunidades de crescimento por meio de aquisições e leilões.

“A Taesa está concluindo um ciclo de investimentos marcado pela implantação de diversos projetos greenfield e que já se encontram em sua fase final. Já haviamos sinalizado esse movimento na última teleconferência de resultados, quando mencionamos o processo de desalavancagem contratada. Na prática, isso significa uma redução gradual do nível de endividamento, ampliando a capacidade financeira para aproveitar novas oportunidades de crescimento. É justamente esse movimento que estamos, de certa forma, materializando agora”, disse Rinaldo Pecchio Jr, CEO da empresa, sobre a aquisição. 

Os empreendimentos comprados da Energisa estão em operação comercial e têm concessão remanescente de cerca de 22 anos, somando 1.305 km de linhas de transmissão e 12 subestações. Com esta aquisição, a capacidade de transformação da Taesa aumenta em 33%, atingindo cerca de 18 mil MVA. 

Localizados nos estados do Tocantins, Pará, Goiás e Bahia, os ativos possuem sinergia com as atuais concessões da Taesa, o que, segundo Dall’Agnese, pode favorecer a integração e  cria oportunidades relevantes para captura de sinergias, ganhos de eficiência e geração de valor adicional ao longo do período de concessão. 

“Nós identificamos um potencial de expansão futura nessas oncessões, através da execução de reforços e melhorias, que é um assunto que a companhia já explora muito nos últimos anos dentro das nossas atuais 44 concessões. Também vemos um potencial interessante sobre as regiões dos ativos, que são importantes para o sistema elétrico, com muita perspectiva de crescimento”, disse Mauricio Dall’Agnese.

Parte financeira do acordo

O valor da operação, com data-base em 31/12/2025, será ajustado pela taxa de juros e por demais condições usuais para esse tipo de negociação. Além disso, os cinco ativos – envolvidos na transação têm uma dívida líquida subsidiada por bancos de fomento de 15 anos de R$ 748 milhões, com IPCA mais 3,4 – resultando em um equity value de R$ 1,54 bilhão.

De acordo com Catia Pereira, diretora financeira e de relações com investidores, a Taesa realizou um financiamento de curto prazo, 18 meses, com o Bradesco e Itaú para viabilizar a operação.

“Trouxemos um bridge [financiamento-ponte] para, na sequência, estruturar um financiamento de longo prazo. […] Neste ano, temos pico de dívida líquida e Ebitda, que automaticamente, a partir de 2027, com a operação completa, ou seja, voltamos para patamares inferiores a 4% [de alavancagem]. Isso traz uma tranquilidade quando a gente olha a manutenção do nosso risco de crédito”, comentou a executiva. –

Segundo a Taesa, os ativos representam um crescimento de R$ 291 Milhões em receita anual permitida (RAP) (ciclo 25×26), o que corresponde a 7% na RAP e 12% na receita total (a ser  auferida durante a vigência das concessões). De acordo com Mauricio Dall’Agnese, haverá, em breve, um reajuste tarifário por inflação nas concessões.

O Banco BTG Pactual atuou como advisor exclusivo do grupo Energisa para esta transação. Pelo lado da Taesa, o advisor foi o Bank of America Merrill Lynch.

A conclusão da venda está sujeita às aprovações aplicáveis a esse tipo de operação, incluindo a anuência da Agência Nacional de Energia Elétrica e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Estratégia Energisa

Para a Energisa, a transação integra a estratégia de gestão de portfólio e reforça seu compromisso com a geração de valor para os acionistas, ao mesmo tempo em que contribui para a redução do endividamento e melhora da estrutura de capital.

“A operação permite cristalizar o valor intrínseco dos ativos de transmissão – maduros, bem construídos, estáveis e oriundos de um ciclo de investimentos bem-sucedido –, fortalecendo a estrutura de capital e ampliando a flexibilidade financeira para os próximos ciclos de crescimento”, destaca Maurício Botelho, CFO do grupo Energisa. 

Considerando essa alienação de ativos, somada à venda de ações preferenciais da subsidiária Denerge, anunciada na divulgação dos resultados do primeiro trimestre, no montante de R$ 1,4 bilhão, a expectativa é de que o indicador de alavancagem dos covenants junto aos credores, isto é, a razão Dívida Líquida/Ebitda, seja reduzido de 3,5x para 3,2x. 

Conheça os ativos

EGO I: localizado em Goiás, com 136 km de extensão e 2 subestações. Opera na tensão de 230kV e adicionará uma RAP de R$ 57 milhões.

EPA I: localizado no Pará, com 296 km de extensão e 2 subestações. Opera na tensão de 230 kV e adicionará uma RAP de R$ 71 milhões.

EPA II: localizado no Pará, com 139 km de extensão e 3 subestações. Opera na tensão de 500/230kV e adicionará uma RAP de R$ 58 milhões.

ETT: localizado entre o Tocantins e a Bahia, com 734 km de extensão e 4 subestações. Opera na tensão de 230kV e adicionará uma RAP de R$ 99 milhões.

ETT II: subestação localizada no Tocantins, que adicionará uma RAP de R$ 6 milhões.

Fonte: MegaWhat

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