Super El Niño pode dobrar prejuízos com curtailment para mais de R$ 8 bilhões em 2026

Aurora Energy Research estima que fenômeno climático poderá ampliar cortes de geração e reduzir produção solar em até 40%
07/08/2026

Os efeitos do Super El Niño, previsto para atingir seu pico no fim deste ano, poderão agravar significativamente os cortes de geração em usinas renováveis no Brasil e provocar prejuízos superiores a R$ 8 bilhões ao setor elétrico — o dobro da estimativa considerada para um cenário climático normal, segundo análise da Aurora Energy Research.

De acordo com a consultoria, a combinação entre condições climáticas adversas e fatores operacionais deverá elevar o curtailment de 17% para 25% em 2026.

Na prática, isso significa que até um quarto da energia gerada por usinas renováveis poderá deixar de ser entregue ao SIN (Sistema Interligado Nacional) devido às restrições operacionais da rede elétrica.

A projeção considera que o fenômeno climático reduzirá os níveis de afluência aos reservatórios, principalmente na região Nordeste, ao mesmo tempo em que elevará os fatores de capacidade das usinas renováveis.

Esse cenário aumenta o volume de energia disponível justamente em momentos em que o sistema tem menor capacidade de escoamento, ampliando a necessidade de cortes na geração.

Para a fonte solar, a Aurora estima que a energia efetivamente entregue ao SIN poderá ser reduzida em até 40%. Já a geração eólica onshore poderá sofrer redução de 21%. Segundo a consultoria, esse cenário representa um aumento de 47% em relação ao volume de curtailment projetado para o cenário-base de 2026.

Acionamento de térmicas pode ampliar ainda mais o curtailment

Além dos efeitos climáticos, a Aurora alerta para um segundo fator que pode agravar o cenário: o eventual despacho de usinas termelétricas fora da ordem de mérito.

Segundo a consultoria, caso a seca reduza significativamente os níveis dos reservatórios, o CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) poderá voltar a autorizar o acionamento extraordinário de termelétricas, como ocorreu durante a crise hídrica de 2021.

Naquele ano, foram autorizados 37 TWh de geração térmica emergencial, volume equivalente a aproximadamente 32% de toda a geração termelétrica registrada no período.

“Nossa modelagem mostra que 3 GW adicionais de capacidade térmica obrigatória, somados às condições do El Niño, podem adicionar até 6 pontos percentuais de restrição para ativos de energia solar fotovoltaica”, afirma Rodrigo Longo, associado sênior da Aurora Energy Research.

Fonte: Canal Solar

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