CEO da companhia destaca que o foco nos projetos é para estabilização e maior retorno de capital, de modo a priorizar estratégia de médio prazo em campos maduros
08/05/2026
A estratégia da PetroReconcavo para 2026 está voltada ao médio prazo, focando mais na gestão dos campos maduros e especificamente em projetos de injeção de água, afirmou o CEO José Firmo, em teleconferência de resultados trimestrais nesta sexta-feira (8).
Segundo Firmo, os projetos de injeção de água têm que ser vistos de forma mais “alongada”, em vez de aumentar a atividade em um mês para ter a produção no próximo.
“O que nós estamos vendo é um desenvolvimento de workover e perfuração muito focado nos projetos de waterflooding [injeção de água], muito focado na busca de estabilização, para que o capital empregado tenha um retorno maior do aquele que conseguimos, principalmente nos últimos dois anos”, explicou o CEO.
O objetivo, portanto, é manter a produção flat (mesmos patamares anteriores) e com atividade de capex menor. A companhia registrou capex de R$ 197 milhões no trimestre, com queda trimestral de 26% e anual de 21%.
Ao estabilizar esse cenário, a PetroReconcavo continuará com a ideia nos próximos anos.
Novos projetos não estão descartados pela companhia. Firmo aponta que testaram tecnologias em 2025 e esses projetos estão sendo desenvolvidos. “No momento em que acreditarmos que esses projetos estão prontos e que devem entrar na carteira de atividade, vamos dar uma visão maior de uma aceleração de capex”, disse ele.
Além disso, destacou que o capex fica mais “confortável” com um preço de petróleo mais alto. Caso seja essa a situação, em um médio prazo, há chances destes projetos acelerarem.
Aditivos e novo acordo com a Brava sobre compra de petróleo
A PetroReconcavo e a Brava Energia anunciaram, na quinta-feira (7), aditivos ao contrato de compra e venda de petróleo cru produzido no Ativo Potiguar. Estes aditivos têm vigência desde 1º de abril e estabelecem ajustes comerciais temporários de três meses.
As premissas básicas são compromissos de volume reduzido, redução de aproximadamente 40% no desconto na parcela fixa média dos contratos atuais, além de atualização dos mecanismos de ajuste variável.
Além disso, assinaram um Heads of Agreement (HoA) para um novo contrato de longo prazo relacionado a compra de petróleo do Ativo Potiguar. O HoA contém principais parâmetros comerciais e operacionais destinados a orientar a negociação e a formalização de novo contrato.
Durante o período de vigência dos aditivos serão concluídas as negociações para a celebração do contrato de longo prazo e as tratativas permanecem sujeitas à conclusão das aprovações societárias aplicáveis.
As companhias também lembram que o HoA e as tratativas não asseguram que o contrato será assinado. Caso não seja celebrado até 31 de julho de 2026, ambas retomarão as condições comerciais anteriormente aplicáveis.
“Esse contrato traz uma visibilidade de entrega muito importante para a refinaria [Clara Camarão]. Ela precisa disso, principalmente da importância do petróleo para esse refino”, destacou Firmo durante a teleconferência.
Também demostrou que traz benefícios à companhia, possibilitando à PetroReconcavo a opção de, quando tiver o projeto de Pecém pronto, ter a opção de entrega para os dois lados.
Resultado financeiro
O lucro líquido da companhia no trimestre foi de R$ 123,7 milhões, uma queda de 46% ante o 1T25 (R$ 227,5 milhões). Na comparação trimestral, houve aumento de 144%, uma vez que o valor do 4T25 foi de R$ 50,7 milhões.
Já a receita foi de R$ 684,4 milhões e apresentou queda anual de 20% (R$ 860,7 milhões no 1T25) e trimestral de 3% (R$ 704,1 milhões no 4T25).
A companhia justifica este resultado pelos menores volumes de produção, a queda na taxa média do dólar no período e o menor volume de venda de gás adquiridos de terceiros no período.
A produção média registrada no trimestre foi de 24,4 mil boe/d, queda de 3% em relação ao 4T25 (24,9 mil boe/d). O desempenho do trimestre foi marcado por produção estável no Ativo Potiguar (12,3 mil boe/d), enquanto o Ativo Bahia apresentou baixa de 5% na produção de óleo e gás (12 mil boe/d).
A companhia também anunciou, na quinta-feira (7), a distribuição de juros sobre o capital próprio (JCP) no valor de R$ 100 milhões, que correspondem a R$ 0,341252 por ação ordinária.
Poderão receber os juros os acionistas inscritos até o dia 18 de maio nos registros da companhia, e as ações serão negociadas ex-proventos a partir do dia 19 de maio. O pagamento acontecerá no dia 28 de maio.
Os juros serão imputados ao dividendo mínimo obrigatório relativo ao exercício social que se encerra no dia 31 de dezembro de 2026.
Fonte: Brasil Energia

