Eneva minimiza suspensão do LRCap e já mira próximos leilões

14/05/2026

14/05/2026

A suspensão da homologação do resultado do leilão de reserva de capacidade na forma de potência (LRCap) pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), não deve trazer risco para a conclusão das contratações, segundo a Eneva.  

“Não deve alterar em nada os prazos originalmente previstos”, disse o diretor de Marketing, Comercialização e Novos Negócios da companhia, Marcelo Lopes, durante teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026.  

A confiança vem do fato de que a Eneva acredita no “fundamento” do certame: “Essa capacidade adicional é necessária para a segurança do país”, diz Lopes. “É óbvio que essas contestações incomodam, (…) mas não acreditamos em hipótese alguma que isso vai colocar em risco a sequência do processo, porque o fundamento está presente. O sistema precisa dessa capacidade para garantir a segurança”, avalia.

No LRCap realizado em 18 de março deste ano, a Eneva recontratou 1,7 GW em usinas existentes e garantiu mais 3,7 GW em nova capacidade contratada. A empresa calcula que o investimento total nos projetos vencedores será de R$ 18,2 bilhões, dos quais R$ 2,2 bilhões já foram investidos.

No primeiro trimestre de 2026, os projetos do LRCap receberam R$ 729 milhões em investimentos, “principalmente na aquisição de equipamentos críticos de geração”, explicou o diretor de Exploração, Desenvolvimento e Construção da Eneva, Andrea Monte.

Acreditando na necessidade de potência do país, a empresa começou a se preparar para o certame com mais de um ano de antecedência, firmando contratos de equipamentos e atémesmo iniciando obras de terraplanagem, como é o caso da expansão do Hub Sergipe.

“Conquistamos esse marco nos antecipando à maioria dos outros players, acreditando nos fundamentos do setor elétrico e assumindo o risco de aquisição antecipada de 14 novas turbinas a gás para reforçar a segurança energética do país em meio à grande concorrência e escassez mundial por esse tipo de equipamento”, disse Marcelo Lopes. A empresa considera que a estratégia foi acertada e afasta qualquer risco de atraso nos projetos contratados.

Crescimento

Cumprir os investimentos previstos pelo LRCap é a prioridade da Eneva, que avalia como rota de crescimento principal a própria necessidade de potência do sistema elétrico brasileiro.

“Existe uma expectativa não só nossa, mas do próprio operador e planejador do sistema de novos leilões de capacidade na próxima década, e a gente está se preparando também para capturar um pedaço desse número”, disse Marcelo Habibe, diretor de Finanças e Relações com Investidores da empresa.

Dando como exemplo o Hub Sergipe, que a Eneva adquiriu por meio da compra da Celse e expandiu, a empresa planeja replicar a estratégia no Hub Ceará, viabilizado pela contratação de uma térmica de 1,2 GW no LRCap.

“Essa é uma das possibilidades para médio e longo prazo: novos contratos de novas termoelétricas em hubs já instalados e parcialmente amortizados pelas termoelétricas existentes”, apresentou Habibe.

Resultados

No primeiro trimestre de 2026, a Eneva registrou lucro líquido de R$ 522,7 milhões, com crescimento de 36% em um ano. O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) foi de R$ 1,7 bilhão, montante 10,7% superior do que o registrado um ano antes.

A empresa destacou os ganhos com a comercialização de gás natural liquefeito (GNL) pelo Hub Sergipe, que tem conexão com a malha de transporte de gás e aumentou em quase R$ 40 milhões no Ebitda com a volatilidade nos preços de gás natural, que seguem o mercado internacional. No total, o Ebitda do Hub Sergipe cresceu R$ 109,2 milhões em um ano.

Apesar do bom resultado com comercialização de gás, a Eneva evita traçar estratégias com base no momento atual, mas adianta que está estudando possibilidades.

“Esse conflito [a guerra no Irã, que elevou os preços de petróleo e gás], mais cedo ou mais tarde, vai acabar. Então, a justificativa de novos negócios no mercado global não seria em função do conflito, mas sim em função de uma dinâmica e de uma aplicabilidade das competências que a companhia tem que a gente acredita que possa gerar valor”, disse Habibe, sem dar mais detalhes dos negócios em avaliação.

O segmento de GNL off-grid da Eneva, que envolve as operações de GNL small scale, teve aumento de R$ 27 milhões no período.

Outro destaque foi o aumento de R$ 93 milhões em um ano no Ebitda das usinas a óleo, refletindo o início antecipado dos contratos regulados do LRCap 2021, a partir do segundo semestre de 2025.

Como fatores mitigadores, a Eneva indicou o encerramento dos contratos das usinas Linhares, Povoação e Viana, após o encerramento dos acordos do Procedimento de Contratação Simplificada (PCS) de 2021, mas as plantas devem começar a cumprir novo contrato regulado no terceiro trimestre deste ano, com novo fluxo de receitas.

A Eneva também registrou redução de R$ 50 milhões no Ebitda de comercialização de energia, em função de menores margens.

Fonte: MegaWhat

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