Data centers puxam revisão para cima da carga do SIN até 2030

10/08/2026

A elevação da carga prevista para data centers equivale a cerca de 70% do aumento feito por Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) na projeção de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) para 2030.

Na segunda revisão quadrimestral do planejamento da operação, divulgada na noite de sexta-feira, 7 de agosto, a estimativa para os centros de dados subiu em 2.196 MW médios, saindo de 3.457 MW médios para 5.653 MW médios. No mesmo período, a previsão para a carga total do SIN aumentou 3.123 MW médios.

A segunda revisão também elevou a expectativa de expansão da micro e minigeração distribuída (MMGD). A capacidade instalada acumulada projetada para 2030 passou de 67,5 GW na primeira revisão para 72,5 GW, aumento de 5 GW, ou 7,4%.

A segunda revisão quadrimestral da carga

Com a revisão, a carga projetada para 2030 passou de 98.824 MW médios para 101.947 MW médios, alta de 3,2% em relação à primeira revisão quadrimestral, publicada em abril. A expectativa agora é de crescimento médio de 4,5% ao ano entre 2026 e 2030, ante 4% na projeção anterior.

A mudança é ainda maior quando a nova previsão é comparada ao Planejamento Anual da Operação Energética (Plan) 2026-2030 original. No estudo, divulgado em dezembro de 2025, a carga para 2030 estava estimada em 98.151 MW médios, com crescimento médio de 3,8% ao ano. A segunda revisão acrescenta, portanto, 3.796 MW médios à previsão para o último ano do horizonte.

Data centers mais que dobram frente ao Plan

A trajetória das projeções para os data centers mostra uma aceleração ainda mais forte. No Plan original, elaborado com dados de solicitações de acesso de novembro de 2025, ONS, EPE e CCEE estimavam uma carga de 2.157 MW médios para esses empreendimentos em 2030. Na primeira revisão quadrimestral, a estimativa subiu para 3.457 MW médios. Agora, chega a 5.653 MW médios, mais que o dobro da previsão original.

A projeção cresce principalmente a partir de 2028. A carga prevista para os centros de dados é de 315 MW médios em 2026, 942 MW médios em 2027, 2.390 MW médios em 2028, 3.934 MW médios em 2029 e 5.653 MW médios em 2030. Na primeira revisão, os valores eram, respectivamente, 304 MW médios, 790 MW médios, 1.817 MW médios, 2.582 MW médios e 3.457 MW médios.

Para elaborar o cenário, as instituições consideram 100% da carga associada aos pedidos de acesso de data centers que já possuem contrato assinado e 50% daquela relacionada aos pedidos que receberam parecer de acesso favorável. As solicitações ainda em análise não entram na projeção.

Na base consultada em 22 de julho, havia 27 contratos assinados e 30 pedidos com parecer de acesso favorável, além de outros 21 pedidos ainda em análise. Na primeira revisão, havia 22 contratos assinados. A carga considerada continua concentrada nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Sul.

Carga de 2026 volta para perto do Plano

A segunda revisão também praticamente reverte o corte feito para a carga de 2026 no primeiro ajuste quadrimestral. O Plan original projetava 85.067 MW médios para este ano. Em junho, a estimativa foi reduzida em 1.241 MW médios, para 83.826 MW médios. Agora, ONS, EPE e CCEE elevaram a projeção em 1.163 MW médios, para 84.989 MW médios, apenas 78 MW médios abaixo do planejamento inicial.

A partir de 2027, a nova previsão já supera também o Planoriginal. A carga estimada para aquele ano é de 88.785 MW médios, 479 MW médios acima dos 88.306 MW médios previstos inicialmente. A diferença aumenta para 859 MW médios em 2028, 2.204 MW médios em 2029 e 3.796 MW médios em 2030.

Na comparação apenas com a primeira revisão quadrimestral, ONS, EPE e CCEE elevaram a carga em todos os anos do horizonte: 1.163 MW médios em 2026, 1.112 MW médios em 2027, 1.168 MW médios em 2028, 2.107 MW médios em 2029 e 3.123 MW médios em 2030. A diferença média entre os dois estudos é de 1.735 MW médios, ou 1,9%.

MMGD também é revista para cima

Em relação à MMGD, que também foi revista para cima, em termos de geração média, a MMGD total, considerando a base existente e a expansão projetada, deve atingir 8.536 MW médios em 2026 e 11.240 MW médios em 2030, com crescimento médio de 9,6% ao ano no horizonte.

Entre as incertezas consideradas para a expansão da MMGD estão os impactos da reforma tributária, da Lei 15.269/2025, de eventuais cortes de geração e de mudanças regulatórias.

Como fatores que podem estimular o crescimento, as instituições citam, entre outros pontos, o incentivo ao armazenamento, o benefício do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi) para minigeração, a expansão dos veículos elétricos e o avanço de sistemas sem injeção de energia na rede.  Entre os fatores negativos estão juros elevados, aumento de custos de equipamentos e restrições de acesso relacionadas à inversão de fluxo.

PIB de 2027 cai, mas carga sobe

A revisão para cima da carga ocorre mesmo com uma piora na expectativa econômica para 2027. A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o próximo ano foi reduzida de 2,4% para 2%,diante da expectativa de uma redução mais lenta da taxa Selic e das restrições fiscais.

Segundo ONS, EPE e CCEE, a alta do petróleo associada à guerra no Oriente Médio pressionou as expectativas de inflação e contribuiu para a perspectiva de manutenção dos juros em nível restritivo por mais tempo.

Apesar disso, a carga prevista para 2027 aumentou 1.112 MW médios entre as duas revisões, de 87.673 MW médios para 88.785 MW médios. Para 2026, a projeção de crescimento do PIB foi elevada de 2% para 2,1%, após o desempenho da economia no primeiro trimestre superar o considerado no estudo anterior. Para 2028, 2029 e 2030, foram mantidas taxas de crescimento de 2,5% ao ano.

Na nova trajetória, a carga do SIN cresce 4,1% em 2026, para 84.989 MW médios; 4,5% em 2027, para 88.785 MW médios; 4,3% em 2028, para 92.634 MW médios; e 4,9% tanto em 2029 quanto em 2030, chegando a 97.153 MW médios e 101.947 MW médios, respectivamente.

Para 2026 e 2027, o estudo também considera os efeitos do fenômeno El Niño. As instituições apontam ainda entre os riscos para o cenário o acirramento de conflitos geopolíticos, as incertezas fiscais e monetárias e os impactos das mudanças climáticas, incluindo a possibilidade de eventos extremos.

Fonte: MegaWhat

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