Copel lucra com exposição ao PLD no Sul e reforça defesa do CVaR

06/05/2026

A energia mais cara no submercado Sul, como reflexo dos níveis mais baixos de reservatórios, rendeu R$ 70 milhões à Copel no primeiro trimestre do ano. No total, a empresa aumentou em R$ 99,2 milhões sua receita com contratos bilaterais no mercado livre, com alta de 11,7% no volume de energia, vendida a preços 4,7% maiores.

Em teleconferência com acionistas, a diretoria da Copel explicou ter capturado a alta do preço de liquidação das diferenças (PLD) no período, se beneficiando da estratégia de disponibilidade descontratada com modulação na geração hídrica.

Para o presidente da empresa, Daniel Slaviero, a geração hídrica tende a se valorizar cada vez mais, em um cenário de grande participação de geração intermitente. “A gente vê o custo da modulação subindo tri a tri. A expectativa é que isso se  potencialize, quanto mais a gente observar essa inserção de renováveis e toda a função de ponta que a hídrica tem trazido para o sistema”, disse o executivo.

Ele ponderou, entretanto, que o desempenho da modulação depende também do preço do PLD a cada trimestre, que também pode sofrer influência de condições climáticas.

“A modulação hídrica e o papel de confiabilidade que ela tem no sistema de segurança, isso vai ser cada vez mais valorizado. E, na nossa visão, essa dimensão de valores é apenas o início de uma próxima jornada, um próximo patamar, sempre dependendo dessas circunstâncias aqui de afluência, PLD”, disse.

Entendimento da Copel do CVaR

Slaviero defendeu os modelos de aversão ao risco atualmente praticados no país. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) estão avaliando mudanças nos parâmetros de risco para o sistema.

O presidente da Copel ainda lembrou que a definição de eventuais ajustes deve ocorrer em maio de 2026, com a entrada em vigor a partir de janeiro de 2027, mas criticou a mudança. “Isso já foi alterado no início de 2026. Fazer outra alteração diferente dos parâmetros atuais, anualmente alterando isso, já é um fator de instabilidade e  traz insegurança”, disse o executivo, que avalia que a diferença entre o preço-piso e o teto do PLD é baixa no Brasil.

Além disso, Slaviero avalia que os fatores de proteção foram fundamentais para a recomposição dos reservatórios no Sul. “Mesmo com este parâmetro atual, o submercado Sul já está abaixo de 30%. Os sinais de despacho aqui, principalmente de térmicas, foram absolutamente importantes não só para manutenção dos reservatórios, para a segurança dos sistemas, mas para que não haja um encarecimento através de encargos para os demais clientes”, declarou o executivo.

Em relação à crise de liquidez no setor de comercialização, o presidente da Copel declarou que “pelos volumes financeiros envolvidos, fica muito claro que algumas empresas operaram além da sua capacidade econômica”.

Resultados

No primeiro trimestre de 2026, a Copel registrou lucro de R$ 694 milhões, com alta de 4,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) foi de R$ 1,9 bilhão, aumentando 9,9% em um ano. A receita operacional líquida aumentou 20%, superando os R$ 7 bilhões.

As vendas de energia atingiram 5.275 GWh, volume 11,7% menor do que há um ano.

A divisão Copel GT, de geração e transmissão, teve lucro de R$ 474, 4 milhões, com avanço de 14% em um ano, apesar do incremento de R$ 96 milhões na energia comprada pela revenda, também em função do PLD mais alto. O Ebitda da divisão foi de R$ 1,1 bilhão, o que correspondeu a crescimento interanual  de 12,6%. No período, o curtailment atingiu 20,7% nos parques da Copel no período.

A distribuidora da companhia teve lucro líquido de R$ 219 milhões, valor 5,7% menor do que o registrado um ano antes, mas o Ebitda aumentou 9,1%, a R$ 769,2 milhões.

A comercializadora também teve queda nos lucros, que fecharam o trimestre a R$ 21 milhões, 16,3% a menos do que no mesmo período de 2025. A Copel reportou impactos de R$ 37,8 milhões na comercializadora, em contratos de geração intermitente. O Ebitda da divisão foi de R$ 27,2 milhões, com retração de 2,5% em um ano. 

Fonte: MegaWhat

OUTROS
artigos