23/10/2026
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) credenciou o primeiro sistema de armazenamento de energia em baterias (SAE) que atende às exigências de conteúdo local do leilão de reserva de capacidade (LRCap) previsto para 2 de dezembro. A solução é da brasileira You.On, primeira empresa a concluir o processo de análise de um equipamento completo e obter o código Finame para o certame.
O equipamento aprovado é o You.On MOD A 7MW, com potência de 7 MW e capacidade de armazenamento de 25 megawatts-hora (MWh). Segundo a descrição apresentada ao BNDES, a solução utiliza baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP), conversores de potência e sistema de gerenciamento de energia (EMS), além de contar com tecnologia grid-forming, exigida para os equipamentos do leilão.
O credenciamento é feito pelo Sistema de Credenciamento de Fornecedores Informatizado (CFI), plataforma do BNDES utilizada para cadastrar fornecedores e produtos submetidos às regras do Finame. O banco analisa separadamente a empresa e o equipamento: primeiro verifica se a companhia atende aos requisitos para atuar como fabricante ou empresa de engenharia e, depois, se o sistema cumpre as regras de nacionalização.
Para o leilão com conteúdo local, o BNDES estabeleceu um índice mínimo inicial de nacionalização de 15%, que considera o valor agregado de componentes nacionais, mão de obra e serviços de engenharia e integração realizados no Brasil.
O código Finame comprova que o sistema foi credenciado, mas não equivale à habilitação de um empreendimento para participar do leilão, que cabe à Empresa de Pesquisa Energética (EPE) aprovar ou não, e considera outros critérios, incluindo potência mínima de 30 MW e capacidade de operação durante quatro horas consecutivas.
A comprovação do BNDES será obrigatória para os vencedores do primeiro leilão, mesmo que utilizem recursos próprios ou financiamento de outros bancos. Pelo cronograma divulgado, os empreendedores terão até 7 de maio de 2027 para apresentar o certificado de conformidade de credenciamento, exigido para a contratação.
No início de outubro, a You.On anunciou um acordo vinculante com a chinesa HyperStrong para atuar conjuntamente nos leilões de baterias previstos para 2 e 4 de dezembro. Na ocasião, a empresa informou que já havia sido credenciada como fornecedora pelo BNDES e avançava no processo para obter o código CFI de seus equipamentos.
A parceria reúne a tecnologia de armazenamento da HyperStrong e a atuação da You.On em engenharia, integração de sistemas, conteúdo local e prestação de serviços no Brasil.
Financiamento pelo Fundo Clima
Mesmo com o credenciamento, um eventual financiamento do investimento pelo BNDES, por meio de recursos do Fundo Clima, dependerá de comprovações adicionais sobre o cumprimento das regras de conteúdo local. O banco de fomento prevê financiamento para sistemas de armazenamento, packs de baterias, inversores e sistemas de gerenciamento de energia.
A participação do BNDES pode chegar a 100% dos itens financiáveis para operações enquadradas nas rotas 2, 3 ou 4 do regulamento de credenciamento, que preveem diferentes níveis de nacionalização das próprias baterias.
Para a rota 1, que permite cumprir as exigências de conteúdo local com outros componentes do sistema, como inversores e equipamentos de controle, o limite é de 80%, com complementação por outra operação de crédito.
Nas operações diretas com empresas privadas, o custo financeiro do Fundo Clima é de 6,5% ao ano, acrescido da remuneração do BNDES, a partir de 1,3% ao ano. O financiamento tem prazo de até 16 anos, incluindo carência de até seis anos. O valor mínimo é de R$ 20 milhões, com limite de R$ 1 bilhão por grupo econômico a cada período de 12 meses.
Em setembro, o BNDES estimou que o financiamento dos projetos dos leilões de baterias poderia demandar até R$ 34 bilhões em recursos de linhas incentivadas, volume ainda condicionado à definição do orçamento de 2027. O Fundo Clima é a principal fonte de crédito incentivado para os empreendimentos, em conjunto com o BNDES Mais Inovação, mas os investidores vão precisar combinar diferentes fontes de financiamento.
Lista de fornecedoras cresce
Além do primeiro sistema completo credenciado, a lista de fornecedoras reconhecidas pelo BNDES aumentou de sete para nove empresas desde setembro.
As novas integrantes são a Canadian, classificada pelo banco como empresa de engenharia, e a SecPower, cadastrada como fabricante. Elas se juntam a BYD, Gotion, Moura, TBEA, Trina, WEG e You.On.
O credenciamento como fornecedor é a primeira etapa do processo e permite que a empresa apresente seus equipamentos à análise do BNDES. Segundo o banco, essa fase representa aproximadamente 15% do percurso necessário para a obtenção do código Finame de um sistema completo.
Para as empresas de engenharia, como You.On, Canadian, Gotion e TBEA, o BNDES exige a participação de um parceiro com capacidade industrial para comprovar o atendimento aos requisitos de fabricação.
Outra atualização é a inclusão da Reivax na relação de empresas que tiveram validado pelo BNDES o desenvolvimento de software e firmware de sistemas de gerenciamento de energia (EMS). A companhia se junta à Moura e à Automa, que já constavam da lista em setembro.
O EMS funciona como o centro de comando do sistema de armazenamento, coordenando quando as baterias devem carregar ou descarregar, em qual potência e como a operação será executada pelos demais equipamentos.
O BNDES separa duas partes do EMS: o hardware, que corresponde aos equipamentos físicos de controle, e o desenvolvimento do software e do firmware, programa instalado nos controladores para executar as funções necessárias à operação.
Fonte: MegaWhat




