08/05/2026
A Bahia entrou no mapa global das renováveis firmes, segundo relatório divulgado nesta semana pela Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês).
O levantamento aponta que projetos híbridos de solar com baterias em regiões de alta irradiação, como o estado brasileiro, já conseguem entregar energia 24 horas por dia a custos competitivos frente a novas térmicas fósseis.
Segundo o estudo, sistemas solares com armazenamento em regiões de alta qualidade de recurso, como a Bahia, no Brasil, e regiões na Índia, Austrália e África do Sul, apresentaram custos firmes entre US$ 65 e US82 por MWh em 2025, com potencial de queda para entre US$ 44 e US$ 58 por MWh até 2030.
Os valores já se aproximam, e em alguns casos ficam abaixo, dos custos de novas usinas fósseis. A Irena compara os projetos híbridos a térmicas a carvão na China, que operam entre US$ 70 e US$ 85 por MWh, enquanto novas usinas a gás superam US$ 100 por MWh em diversos mercados globais.
O relatório reforça a tese de que o avanço das baterias alterou estruturalmente a economia do setor elétrico e enfraqueceu o argumento histórico de que fontes renováveis não seriam capazes de garantir confiabilidade ao sistema.
“Energia renovável 24/7 já é competitiva com combustíveis fósseis”, afirmou o diretor-geral da Irena, Francesco La Camera. Segundo ele, a combinação entre queda dos custos de armazenamento e volatilidade geopolítica dos combustíveis fósseis mudou o equilíbrio econômico da expansão elétrica global.
Brasil aparece entre mercados competitivos
Nos cenários simulados pela Irena, o Brasil aparece mais próximo dos mercados de menor custo global do que de países onde financiamento, conexão à rede e licenciamento seguem pressionando os projetos híbridos.
A agência destaca que a China atualmente tem o menor piso global de custos para solar com armazenamento. Em alguns projetos analisados no país, o custo da energia firme chegou a cerca de US$ 30 por MWh em cenários de menor exigência de confiabilidade.
Já os Estados Unidos seguem como exceção entre os grandes mercados renováveis. Segundo a entidade, custos mais altos de financiamento, encargos de conexão e maior complexidade regulatória mantêm os projetos híbridos mais caros no país.
Para a geração eólica com baterias, o Brasil aparece ao lado de mercados como Alemanha e Austrália, com custos atualmente entre US$ 88 e US$ 94 por MWh, mas com expectativa de queda para até US$ 49 por MWh até o fim da década.
A Irena ressalta que sistemas eólicos tendem a exigir maior volume de armazenamento do que projetos solares, já que a fonte pode enfrentar períodos prolongados de baixa produção.
Ainda assim, afirma que essa diferença praticamente desaparece quando solar e eólica são combinadas em projetos híbridos.
Segundo o relatório, a complementaridade natural entre os perfis de geração das duas fontes reduz a necessidade de armazenamento e diminui significativamente o custo total do sistema, fator considerado especialmente relevante em países com forte presença renovável, como o Brasil.
Flexibilidade e acesso
O estudo também avalia que sistemas híbridos com renováveis e armazenamento, e que chama de “renováveis firmes”, ganham importância em um contexto de crescimento da demanda por fornecimento contínuo de energia, especialmente para data centers e aplicações ligadas à inteligência artificial.
Segundo a Irena, essas soluções conseguem otimizar conexões restritas de transmissão, deslocar geração para horários de maior valor econômico e reduzir exposição à volatilidade dos preços de energia.
A entidade afirma ainda que as baterias permitem ampliar a inserção de renováveis utilizando pontos já existentes de conexão à rede, reduzindo a necessidade de reforços imediatos em transmissão. Outro ponto destacado pela agência é a velocidade de implantação desses projetos. Segundo o relatório, sistemas híbridos de solar, eólica e baterias podem ser construídos em um prazo de um a dois anos após obtenção das licenças e da conexão à rede, cronograma inferior ao de novas térmicas fósseis em muitos mercados.
Queda acelerada de custos de baterias
A competitividade crescente das “renováveis firmes” foi impulsionada principalmente pela queda acelerada nos custos de solar, eólica e baterias na última década.
Desde 2010, os custos de instalação da geração solar fotovoltaica caíram 87%, enquanto os da geração eólica onshore recuaram 55%, segundo a Irena. Já os custos de armazenamento em baterias caíram 93% no período.
A agência também cita pesquisas recentes da indústria indicando que os preços turnkey de sistemas de baterias caíram cerca de 30% apenas em 2025.
As projeções da entidade indicam redução adicional de aproximadamente 30% até 2030 e de cerca de 40% até 2035 nos custos da energia renovável firme.
Em locais com os melhores recursos solares e eólicos, o custo pode cair para menos de US$ 50 por MWh até 2035.
O estudo também menciona o complexo solar de Al Dhafra Solar PV, nos Emirados Árabes Unidos, como exemplo prático da viabilidade econômica dessas soluções. O projeto combina 5,2 GW de geração solar com 19 GWh de armazenamento em baterias para entregar 1 GW de energia firme a um custo próximo de US$ 70 por MWh, patamar comparável ao de grandes térmicas fósseis.
Fonte: MegaWhat




