Negocio prevê converter o hotel Hilton Garden Inn São Paulo Rebouças em Grand Mercure, com investimento de R$ 5 milhões
20/05/2026
A rede de hotéis Accor e a Atrio fecharam um acordo para converter o hotel Hilton Garden Inn São Paulo Rebouças em Grand Mercure. O negócio, fechado com a CVPAR Capital, que adquiriu o prédio de 170 apartamentos em 2025 por R$ 110 milhões, marca a entrada da Atrio no mercado de São Paulo.
Ao Valor, Abel Castro, diretor de desenvolvimento da Accor Américas nas divisões Premium, Midscale e Econômica, disse que o negócio é estratégico ao unir três prioridades da rede para o país: franquias, conversões e o segmento premium. “Essa é uma franquia com o nosso maior parceiro no Brasil”, disse Castro. O executivo explicou que a estratégia da Accor com franquias começou focando em cidades do interior e, agora, ganha corpo também nas cidades principais.
Castro destacou o “upgrade” da propriedade, que passará de um hotel midscale (de médio padrão) para premium, o que abre espaço para um aumento de receitas. “No Novotel Jardins (antigo Slaviero Essential Jardins), que foi uma conversão (feita em 2021), a receita aumentou duas vezes”, disse.
No lado da Atrio, o negócio representa a entrada no principal centro econômico do país. A empresa fez sua primeira franquia com a Accor em 2003 (Ibis em Blumenau) e hoje tem mais de 12 mil quartos em operação sob bandeiras da rede francesa.
“O Sudeste hoje é a região que temos a maior presença. Tudo começou com as praças secundárias, desenvolvidas para se espalhar a hotelaria de marca pelo Brasil. Com o crescimento da companhia, começamos a mirar as principais cidades. São Paulo não é fácil de entrar. É muito competitiva e tem barreiras”, disse Beto Caputo, CEO da Atrio Hotéis.
Ainda conforme Caputo, o grupo já monitora outras oportunidades na cidade de São Paulo. “Estamos participando de concorrências de conversão. Há diversos contratos sob concorrência e estamos disputando em parceria com a Accor”, disse.
O movimento reforça uma visão de que a hotelaria, depois de um período de fortes crises desde 2015, começou a voltar ao radar do mercado financeiro. Esse avanço chegou em meio a uma retomada da lucratividade do setor, que agora tem disputado uma fatia maior do bolso dos investidores com outros ativos imobiliários, como lajes comerciais e galpões.
A conversão representa um golpe na concorrente Hilton, que lançou o hotel no edifício em 2021. A antiga dona do prédio era a HBR Realty, que vendeu o ativo por R$ 110 milhões à CVPAR.
Com abertura prevista para julho de 2026, o hotel passará por um processo de renovação para elevar seu padrão ao segmento premium. A estimativa é investir cerca de R$ 5 milhões.
A entrada da CVPAR Capital, holding de participações do empresário Cláudio Vale, na hotelaria começou a ser desenhada na pandemia, quando foi criada uma vertical para retrofit e revenda de casas de luxo em São Paulo – projeto já encerrado.
“Um dos sócios identificou que Fortaleza não tinha recebido nenhum hotel novo de alto padrão em 25 anos, o que é uma oportunidade”, afirmou Jorge Nobre, head de negócios imobiliários da CVPAR.
Com isso, a CVPAR começou a construir um hotel multiuso de luxo na cidade, cujo projeto deve ser concluído em dois anos. A Atrio será a sócia da CVPAR na bandeira criada para o projeto, a InnerHaus. “Foi então que apareceu a oportunidade do hotel [em São Paulo]”, disse Nobre.
Nobre destacou ainda que o grupo mantém conversas com outros proprietários de prédios, com oportunidades também fora de São Paulo. “Depois da aquisição [na Rebouças], temos recebido várias propostas. Esperamos anunciar ainda neste ano algumas negociações”, disse.
Procurada, a Hilton disse que tem orgulho de servir a comunidade de São Paulo. Hoje, a rede opera oito propriedades na região metropolitana. “Nossa equipe está sempre avaliando oportunidades para expandir seu portfólio de forma criteriosa e posicionar o hotel certo, no lugar certo, no momento certo”, informou a empresa, em nota.
Fonte: Valor Econômico



