Até maio, União arrecadou 80% do previsto com venda de óleo do pré-sal para 2026, diz PPSA

Aumento das receitas com petróleo está na mira do governo, que pretende usar tais recursos para financiar subvenções de combustíveis para amenizar impactos de alta de preços para o consumidor final
20/05/2026

A União arrecadou até maio 80% da receita prevista com a venda de óleo do pré-sal prevista para 2026, disse nesta terça-feira (19) Samir Awad, diretor de administração, finanças e comercialização da Pré-Sal Petróleo (PPSA). Até este mês, a estatal gestora dos contratos de partilha do pré-sal repassou cerca de R$ 18 bilhões em recursos de venda da parcela de óleo da União contratada em leilões passados.

A receita incluiu recursos de leilões de curto prazo (“spots”) e a venda de direitos da União em áreas não contratadas no pré-sal (campos não licitados que têm jazidas compartilhadas com áreas que já foram licitadas).

A previsão da PPSA era de uma receita de R$ 22 bilhões em 2026. A alta arrecadação se deu por causa da elevação da cotação do petróleo no mercado externo por causa da guerra no Oriente Médio.

A estatal previa um barril de petróleo do tipo Brent na casa de US$ 50, mas, com o início do conflito, os preços escalaram para uma faixa de US$ 100, situando-se em alguns momentos em patamares acima de US$ 120.

Caso as cotações se mantenham na faixa de US$ 100 até o fim do ano, conforme vem projetando consultores e especialistas do mercado de petróleo, é possível que a União tenha uma receita acima de R$ 30 bilhões este ano, estimou o executivo.

“Dependendo do preço do petróleo, você pode chegar confortavelmente a R$ 30 bilhões, R$ 35 bilhões”, afirmou Awad.

Ele ressaltou que a PPSA entregará aos vencedores dos contratos cerca de 80 milhões de barris em 2026, volume considerado recorde pela estatal.

Em 2025, explicou Awad, a União arrecadou R$ 30 bilhões com a venda de cargas de óleo pela PPSA. O montante, porém, incluiu cerca de R$ 8 bilhões com a venda de direitos da União nas chamadas áreas não licitadas – campos de petróleo cujas jazidas estão compartilhadas com áreas vizinhas que já foram licitadas, independente do regime (concessão ou partilha). Desconsiderando essa receita, extraordinária, a União teve R$ 22 bilhões com a venda de óleo.

O aumento das receitas com petróleo está na mira do governo, que pretende usar tais recursos para financiar subvenções de combustíveis para amenizar impactos de alta de preços para o consumidor final.

A PPSA vai realizar em agosto um leilão de cargas de óleo da União, com previsão de comercializar 106 milhões de barris. O volume, ressaltou Awad, pode ser maior, podendo chegar a uma faixa entre 115 milhões e 117 milhões de barris, a depender de ajustes de produção nos campos do pré-sal.

Awad disse ainda que não há indicação do governo, até o momento, de um novo leilão de áreas não licitadas. Segundo o executivo, além de uma parcela localizada no campo de Tupi que não foi negociada no certame do ano passado, há duas áreas pequenas que poderiam ser colocadas em negociação, ainda que não representem “muito valor”.

Fonte: Valor Econômico

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