Mesmo após reajuste, diesel é vendido até 59% abaixo do exterior

Pacote de medidas para atenuar efeito da alta do petróleo tem riscos para a Petrobras, avaliam fontes do setor
16/03/2026

Mesmo depois do reajuste de 11,6% no litro do diesel nas refinarias da Petrobras, válido a partir de sábado (14), e da subvenção econômica anunciada para produto pelo governo na quinta-feira (12), o combustível seguia sendo vendido no Brasil abaixo do mercado internacional na sexta-feira (13). Dados de consultorias compilados pelo Valor indicavam que a defasagem ainda se situava em um intervalo entre 32% e 59% em relação à paridade internacional, dependendo do cálculo.

A consultoria StoneX estimou que o diesel da Petrobras estava, na sexta-feira (13), 48,5% abaixo do preço internacional mesmo após o aumento, ou R$ 1,77 por litro mais barato. Para o BTG Pactual, o novo preço do diesel ainda estava 32,3% abaixo da paridade de importação, ou R$ 1,74 por litro, ante 37% de defasagem antes do reajuste. Nas contas da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), após a alta, o diesel da Petrobras ficou 59% abaixo do importado, ou R$ 2,14 por litro.

A Petrobras, embora não divulgue os cálculos da empresa sobre defasagem, trabalha com uma lógica diferente das consultorias, que olham para a paridade com o preço de importação. A estatal considera, além do preço do Brent e do câmbio, uma fórmula que busca refletir o preço e o custo para entrega ao cliente.

Com as medidas anunciadas – aumento de R$ 0,38 por litro, ou 11,6%, e subvenção de R$ 0,32 por litro -, a Petrobras teve um ganho de R$ 0,70 por litro nas vendas de diesel às distribuidoras. Isso representaria, nas contas de pessoas ligadas à empresa, uma redução de 21% na defasagem. Mas mesmo assim ainda haveria espaço para reajustar os preços em mais de 30% considerando o preço do barril do petróleo acima de US$ 100. Na sexta, o barril do Brent subiu 2,67%, a US$ 103,14.

Fontes próximas da Petrobras disseram que a política anunciada para amortecer as altas do petróleo vai no sentido correto. Mas há riscos embutidos. “As medidas foram tomadas com a aposta implícita de que a guerra dure pouco.”

Se o conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã se prolongar, pode ocorrer que os R$ 10 bilhões da subvenção econômica, disponibilizados até o fim do ano, sejam insuficientes. Isso pressionaria a Petrobras a fazer outras altas no diesel para compensar a perda da subvenção, os R$ 0,32 por litro.

Também há um risco, avaliam as fontes, de o Tesouro não fazer as liquidações da subvenção dentro do prazo e fiquem restos a pagar em favor da Petrobras. Neste cenário, a empresa começaria 2027 com valores a receber da União em um cenário ainda incerto de manutenção da atual gestão da companhia, uma vez que haverá eleições presidenciais em 2026.

Na visão das fontes, a Petrobras vai precisar fazer análises de prazo mais curto para avaliar a evolução do cenário internacional. Uma reavaliação semanal ou quinzenal poderia levar a reajustes com periodicidade menor. Também há uma preocupação de que as importações de diesel feitas pela empresa não sejam incorporadas com prejuízo ao sistema Petrobras.

Na sexta, após o anúncio do aumento no diesel, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a companhia está satisfeita com a política de preços de combustíveis: “Nosso foco continua em não passar um nervosismo desnecessário para a sociedade.” Segundo a executiva, ainda era necessário que as medidas de subvenção fossem regulamentadas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) para se chegar ao número real de ganho da empresa.

Considerando a mistura do diesel A, vendido pela Petrobras para as distribuidoras, ao biodiesel, o aumento nas bombas deve ser menor que R$ 0,06, segundo estimou a companhia.

No caso do imposto de 12% sobre a exportação de petróleo, outra medida anunciada pelo governo no pacote dos combustíveis, Chambriard disse que a taxação será compensada pela alta da cotação do petróleo.

“O aumento da cotação do petróleo mais do que compensa o imposto sobre a exportação”, disse. “O aumento do petróleo é bom para os dividendos. Antes tínhamos um Brent a US$ 60, agora estamos em US$ 100.”

Fonte: Valor Econômico

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