Como a Reforma Tributária deve mexer na estratégia de negócios das empresas

Transição para o novo sistema deixa de ser tarefa apenas do departamento financeiro e de tecnologia para atingir a cadeia de suprimentos, o setor comercial e a logística
02/09/2026

A Reforma Tributária começa a produzir uma transformação que vai muito além da troca de impostos. Às vésperas do início de uma nova etapa decisiva da transição para o novo sistema de tributação do consumo, as empresas já estão revendo preços, margens, contratos com fornecedores, sistemas tecnológicos e até a localização de suas operações. Na prática, o desafio deixou de caber apenas nas áreas financeira e jurídica e passou a envolver praticamente toda a estrutura dos negócios. A dimensão dessa mudança aparece na pesquisa Tax do Amanhã, apresentada pela consultoria Deloitte nesta terça-feira (01).

Entre 148 organizações ouvidas, 89% já realizaram estudos aprofundados sobre os impactos da reforma em seus negócios e 86% possuem algum grau de automação das operações fiscais e tributárias. Ainda assim, quase 60% apontam como principal preocupação a convivência simultânea entre os sistemas antigo e novo durante a transição.

O levantamento mostra que o ponto mais delicado agora é transformar o conhecimento das novas regras em decisões concretas. E isso significa responder algumas questões que vão além dos processos burocráticos, como quanto cobrar por um produto, onde manter um centro de distribuição, quais fornecedores continuarão competitivos, quanto capital de giro será necessário e quais sistemas precisam estar preparados para processar as novas operações.

“Esta não é apenas uma reforma tributária, mas sim uma mudança completa da estratégia e do ambiente de negócios no Brasil”, resumiu Caroline Verginelli, sócia da Consultoria Tributária da Deloitte, durante o encontro.

Segundo a especialista, todos os departamentos, do comercial ao supply chain, de finanças e contabilidade até jurídico, logística e tecnologia, precisam participar da implementação. “O fim gradual dos incentivos fiscais, por exemplo, pode levar companhias a redesenhar suas malhas logísticas, rever a localização de centros de distribuição e reconsiderar onde realizar novos investimentos. Ao mesmo tempo, a área comercial precisa recalcular preços e margens, assim como compras terá de avaliar o impacto do novo sistema sobre fornecedores”, afirma.

Os números sugerem que essa revisão já começou. Entre as empresas que recebem incentivos fiscais e avaliaram os efeitos da reforma, 57% consideram rever a localização geográfica ou realizar ajustes na cadeia de suprimentos. Outros 27% não pretendem mudar sua localização, mas avaliam alterações no desenho da cadeia, enquanto 12% consideram redesenhar tanto a operação quanto o posicionamento geográfico.

Para Luiz Rezende, sócio líder de Consultoria Tributária da Deloitte, o movimento exige que planejamento tributário e estratégia empresarial passem a conversar de forma muito mais próxima. “Essa mudança evidencia que a reforma vai além da esfera fiscal e passa a impactar diretamente a estratégia operacional das organizações”, afirma. Segundo ele, entram nessa análise eficiência logística, proximidade dos mercados consumidores, custos, margens e resiliência das cadeias.

Fonte: InfoMoney

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