União Europeia e Austrália investigam fusão entre Saipem e Subsea7

Órgãos antitruste preveem impacto significativo na concorrência em alguns mercados de serviços de engenharia e construção offshore, como o já altamente concentrado mercado de serviços SURF (umbilicais, risers e flowlines submarinos)
22/07/2026

A União Europeia e a Austrália abriram investigação antitruste sobre a fusão entre a italiana Saipem e a norueguesa Subsea7 por preocupações com redução de concorrência nos mercados em que atuam. 

Em comunicado divulgado na terça-feira (21), a Comissão Europeia, o órgão executivo do bloco, informou que abriu uma investigação aprofundada para avaliar, ao abrigo do Regulamento de Fusões da UE, a proposta de fusão entre a Saipem e a Subsea7, que passará a ser denominada “Saipem7”.

“A Comissão está preocupada com o fato de a concentração proposta poder ter um impacto significativo na concorrência efetiva em alguns mercados de serviços de engenharia e construção offshore”, afirmou a nota.

Segundo a Comissão Europeia, a investigação preliminar indica que a transação pode reduzir significativamente a concorrência no mercado de serviços SURF (umbilicais, risers e flowlines submarinos), já altamente concentrado, para projetos de petróleo e gás e CCS (captura de emissões de dióxido de carbono (CO₂).

O órgão da União Europeia destacou que a Saipem e a Subsea7 são duas das três principais fornecedoras do mundo, e a entidade resultante da fusão teria altas participações de mercado e capacidade nesses mercados. Com apenas um concorrente comparável restante, disse, os outros possíveis rivais parecem ser consideravelmente menores e com capacidade limitada de competir em todos os setores.

“A capacidade ociosa é limitada e as barreiras à entrada e à expansão são muito elevadas neste setor de capital intensivo, o que se explica em parte pelos investimentos substanciais associados aos navios altamente sofisticados necessários, especialmente para os projetos mais complexos”, acrescentou.

Em 3/7, a Comissão Australiana de Concorrência e Consumo (ACCC) já havia informado uma investigação aprofundada (Fase 2) sobre a fusão, para buscar mais informações sobre os prováveis ​​efeitos competitivos da proposta.

“Consideramos que a aquisição poderá reduzir substancialmente a concorrência no fornecimento de determinadas infraestruturas submarinas que ligam poços submarinos e sistemas de produção às infraestruturas de superfície, serviços que são cruciais para os projetos de petróleo e gás offshore australianos”, afirmou o Comissário da ACCC, Philip Williams.

Fusão foi aprovada no Brasil pelo Cade

A fusão entre a Saipem e a Subsea7 foi anunciada em fevereiro do ano passado, quando as empresas divulgaram a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU). Em julho de 2025, as empresas firmaram o acordo de fusão vinculativo, seguindo os termos e condições previstos no MoU.  

No Brasil, a fusão foi aprovada em junho deste ano pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que considerou em parecer que não haver sobreposições horizontais e integrações verticais nas atividades de projetos de Engenharia, Construção e Manutenção Offshore (OECM, em inglês), afretamento e operação de FPSOs, de embarcações, produção de equipamentos ferramentais e serviços de consultoria. 

O entendimento do órgão antitruste brasileiro foi questionado pelas operadoras petrolíferas, que no início deste mês entraram com recurso no Cade contra a fusão, apresentados pela Associação Brasileira de Empresas de Exploração e Produção de Petróleo e Gás (Abep) e pela Petrobras.

No último dia 17/7, o Cade admitiu os recursos, mas adiou a decisão do mérito por 190 dias para aprofundar a análise do assunto.

Fonte: Brasil Energia

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