ZPE: Governo aprova data center de R$ 181 bi no Ceará e projeto de “aço verde” da Vale no Maranhão

MDIC autoriza cinco investimentos em três estados, num total de R$ 206 bilhões; projetos devem ampliar exportações em R$ 40 bilhões anuais
26/08/2026

O Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE) aprovou, na terça  (25/8), cinco novos projetos industriais e de serviços nas ZPEs de Pecém (CE), Bacabeira (MA) e Parnaíba (PI), com investimentos previstos de R$ 206 bilhões.

O maior deles é um data center associado à Voltalia, com aportes estimados em R$ 181,7 bilhões no Complexo do Pecém. 

No Maranhão, o governo autorizou um projeto de R$ 18,5 bilhões da Hydeas, plataforma lançada por Vale e Green Energy Park Global (GEP) para descarbonizar a produção de aço com hidrogênio verde.

As iniciativas aprovadas abrangem economia digital, energias renováveis, biocombustíveis e siderurgia de baixo carbono. Em conjunto, devem acrescentar cerca de R$ 40 bilhões por ano às exportações brasileiras a partir de 2029, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O projeto ligado à Voltalia prevê a expansão da rede de usinas eólicas e solares para atender ao elevado consumo de eletricidade do centro de processamento de dados. 

Em junho, a empresa assinou contrato com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para garantir 322 megawatts (MW) de capacidade de conexão à rede no Complexo do Pecém, destinada à instalação de data centers. 

Na ocasião, a companhia afirmou estar em negociações avançadas com diferentes operadores interessados nos projetos.

Segundo a Voltalia, o acordo com o ONS representou um “marco importante” para sua consolidação como parceira de projetos de infraestrutura digital com alto consumo de energia.

O Ceará vem tentando aproveitar a disponibilidade de recursos eólicos e solares, a infraestrutura portuária e industrial e a proximidade com cabos submarinos internacionais para atrair tanto projetos de hidrogênio de baixo carbono quanto centros de processamento de dados.

Maranhão atrai projeto de ferro verde

A ZPE de Bacabeira, no Maranhão, recebeu autorização para três projetos, que somam R$ 23,2 bilhões em investimentos nas áreas de energia renovável, biocombustíveis e siderurgia sustentável.

O maior deles é o da Hydeas (Aliança para a Descarbonização do Aço com Hidrogênio), inciativa da Vale e Green Energy Park Globalm, que pretende investir R$ 18,5 bilhões na produção de “ferro verde“.

Em março, a agência eixos antecipou os planos das duas companhias para a instalação de um mega-hub de ferro verde no Maranhão, com foco na produção de DRI, o ferro reduzido direto, a partir de hidrogênio verde.

O produto intermediário entre o minério de ferro e o aço deverá ser exportado para siderúrgicas na Alemanha e em outros mercados europeus.

Além da Hydeas, a 4Wood Biotech recebeu autorização para instalar uma biorrefinaria de R$ 2,7 bilhões em Bacabeira. A unidade processará biomassa de bambu para produzir etanol de segunda geração e outros bioprodutos destinados à exportação.

A terceira proposta é da H2X, que planeja investir R$ 2 bilhões na produção de hidrogênio verde incorporado a e-metanol. O combustível sintético é apontado como uma alternativa para reduzir emissões em atividades de difícil eletrificação direta, como o transporte marítimo e determinados processos industriais.

Somados, os três empreendimentos previstos para Bacabeira estimam criar 10 mil empregos diretos durante a implantação e outros 550 postos na fase de operação.

Piauí terá unidade de ferro-gusa verde

Na ZPE de Parnaíba, no Piauí, o CZPE aprovou um investimento de R$ 1,1 bilhão da Hymetalx para instalar uma unidade de produção de ferro-gusa verde.

O projeto prevê utilizar hidrogênio verde produzido com eletricidade renovável, reduzindo a dependência de insumos fósseis no processo industrial.

Fonte: Eixos

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