Vaca Muerta: integração do gás ao Cone Sul custará US$ 10 bi

Estudo do IGU, Arpel e Olade indica que o impacto dos investimentos no preço da molécula argentina será determinante para a escala da integração com Brasil, Chile, Uruguai e Bolívia
19/06/2026

Desenvolver a integração energética do gás de Vaca Muerta a outros países da América do Sul precisará de investimentos de mais de US$ 10 bilhões. A estimativa, que abrange a expansão e construção de novos gasodutos, está no relatório “Oportunidades para o Desenvolvimento do Gás na América Latina e no Caribe”, desenvolvido pela International Gas Union (IGU), Arpel e Olade. 

De acordo com o relatório, é o impacto desses investimentos no preço do gás argentino que será determinante para a escala de integração entre os países, principalmente em relação à integração com o Brasil.

Os recursos tecnicamente recuperáveis de Vaca Muerta, em 2024, alcançaram 11,1 trilhões de m³ e o consumo de gás em conjunto do Brasil, Argentina, Bolivia, Uruguai e Chile foi de 90 bilhões de m³, segundo explicou o estudo. Com isso, Vaca Muerta poderia atender o consumo da região por 45 aos a 124 anos. 

“Portanto, o desenvolvimento dos recursos de Vaca Muerta (juntamente com o potencial offshore convencional na região sul da Argentina) tem o potencial de iniciar uma nova fase de integração energética no Cone Sul, fortalecendo as interconexões entre os mercados de gás natural da Argentina, Brasil, Bolívia, Chile e Uruguai”, preveem os autores do estudo.  

No caso brasileiro, apesar do forte interesse do país em ter o gás de Vaca Muerta, a integração no mercado de gás do Cone Sul dependerá da competitividade da molécula argentina, já que a produção de gás do Brasil deve crescer nos próximos anos, explicam os autores. 

E para viabilizar isso, o relatório aponta que será necessário competitividade nos preços do gás argentino, incluso tarifa de transporte; as contribuições para a segurança energética e a dinâmica da concorrência de mercado por meio da diversificação das fontes de fornecimento de gás e desenvolvimento de novas fontes de demanda de alto potencial, como a indústria de fertilizantes nitrogenados. 

Uma forma que está sendo considerada para integrar o gás de Vaca Muerta ao Brasil é a construção do gasoduto Uruguaiana-Triunfo, também chamado de Conexão Brasil-Argentina. Ele foi contemplado no Plano Nacional Integrado das Infraestruturas de Gás Natural e Biometano (PNIIGB) da EPE. 

A vantagem do projeto, segundo o plano da EPE e ressaltado no presente relatório, é o traçado do gasoduto poder aproveitar as instalações existentes. O gasoduto em questão previsto terá 593 km de extensão, 24 polegadas de diâmetro e capacidade de 15 milhões de m³/dia. O Conexão Brasil-Argentina inicia em Uruguaiana (RS) e segue até Triunfo (RS), e o investimento total calculado é de aproximadamente R$ 8,9 bilhões.

O estudo também destacou vantagens do desenvolvimento de Vaca Muerta para outros países. Do lado da Argentina, pode reduzir as importações de GNL e aumentar as exportações de gás natural. Isso gera receita em moeda estrangeira e fortalece as reservas internacionais, reduzindo a exposição à volatilidade do mercado de GNL.  

Já para o Chile, o gás natural da Argentina, que é mais barato, substituiria as importações de GNL, impactado a balança comercial e acelerando a descarbonização da matriz energética, com a substituição de usinas termelétricas a carvão.

O Uruguai pode também reduzir custos com importações e a Bolívia teria maior segurança de abastecimento nacional, visto que há um declínio na produção de gás do país.

Fonte: Brasil Energia

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