Turismo gera R$ 12,2 bi para o Rio em quatro meses

10/07/2026

O turismo movimentou R$ 12,2 bilhões na economia do Rio de Janeiro entre janeiro e abril de 2026, segundo levantamento da prefeitura, elaborado pelas secretarias municipais de Desenvolvimento Econômico e de Turismo em parceria com a Riotur. O montante representa crescimento de 3,2% em relação ao mesmo período de 2025, com R$ 374,5 milhões adicionais circulando na economia da capital fluminense.

No primeiro quadrimestre, o Rio de Janeiro recebeu 4,5 milhões de visitantes. Desse total, 990,4 mil eram turistas internacionais, o equivalente a 22%, enquanto 3,5 milhões (78%) vieram de outras regiões do Brasil.

Osmar Lima, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, atribui o resultado ao fortalecimento do destino nos últimos anos. “O Rio de Janeiro tem ampliado, nos últimos anos, sua capacidade de atrair visitantes, registrando recordes históricos no setor do turismo. O crescimento do fluxo de turistas, tanto nacionais quanto internacionais, inclusive durante os meses de baixa temporada, tem impulsionado a economia da cidade e gerado efeitos positivos em diversos setores, ampliando as oportunidades de trabalho e renda”, diz.

Hospedagem lidera gastos

A hospedagem respondeu por 40% de toda a movimentação financeira gerada pelos turistas, somando R$ 5 bilhões. Na sequência aparecem restaurantes e bares, com R$ 2,9 bilhões, o equivalente a 24,9%. As despesas com entretenimento e lazer, incluindo festas, atrações turísticas e outras atividades, alcançaram R$ 1,9 bilhão (15,9%). Os gastos com transporte e deslocamento totalizaram R$ 879,2 milhões (7,4%).

As compras de produtos, como vestuário e lembranças, movimentaram R$ 595,3 milhões (4,5%). Já outras despesas — entre elas alimentos e bebidas consumidos fora de bares e restaurantes, combustíveis e serviços de telecomunicações — somaram R$ 865,3 milhões (7,3%).

Para Bernardo Fellows, presidente da Riotur, os números evidenciam o fortalecimento do destino. “Os resultados reforçam o posicionamento do Rio como um dos principais destinos turísticos do país e demonstram a importância do trabalho integrado de promoção da cidade e fortalecimento do calendário de eventos. O crescimento do fluxo de visitantes beneficia toda a cadeia do turismo, impulsiona a economia e consolida o Rio como um destino cada vez mais competitivo nos cenários nacional e internacional”, afirma.

Principais insights

A estimativa do impacto econômico considerou gasto médio de R$ 2.195 por turista brasileiro, em valores corrigidos pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) até abril de 2026. Para os visitantes internacionais, o levantamento adotou desembolso médio de R$ 4.516 por pessoa, convertido em dólar durante o período analisado e atualizado pela taxa de câmbio de abril deste ano.

Os dados sobre o fluxo de visitantes são do Observatório do Turismo Carioca, vinculado à Secretaria Municipal de Turismo. Já a estimativa da movimentação financeira teve como base o estudo Panorama Turístico – Turismo Doméstico e Internacional 2025, elaborado pelo IFec RJ (Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises). A Prefeitura do Rio mantém um Acordo de Cooperação Técnica com o instituto para a produção de estudos econômicos, incluindo análises sobre o turismo.

Daniela Maia, secretária municipal de Turismo, destaca que a diversificação dos atrativos tem ampliado o tempo de permanência e o consumo dos visitantes na cidade. “Mais turistas circulando na cidade é um retrato daquilo que buscamos com a ideia de incrementar o setor pela gastronomia, um poderoso aliado, junto com as belezas naturais, a praia, o carnaval… A gastronomia, assim como a moda, o esporte e o turismo de aventura, aparece ligada ao cotidiano carioca, o que o turista vem sentindo cada vez mais de perto”, conclui.

Prefeitura defende coordenação aérea

O crescimento do turismo no Rio de Janeiro também reforçou o debate sobre a infraestrutura responsável por receber os visitantes. Em meio ao aumento da demanda e aos impactos econômicos gerados pelo setor, o prefeito Eduardo Cavaliere voltou a defender a manutenção da política de coordenação entre os aeroportos RIOGaleão e Santos Dumont, considerada por ele estratégica para sustentar a expansão do turismo na capital fluminense.

Segundo reportagem do Valor Econômico, o prefeito afirma que uma eventual revisão do modelo representaria prejuízos para a economia do estado. De acordo com Cavaliere, a redistribuição da malha aérea foi decisiva para a recuperação do Aeroporto Internacional Tom Jobim (RIOGaleão), que havia registrado forte queda no fluxo de passageiros nos últimos anos. “Tentaram convencer os brasileiros e os cariocas de que esse aeroporto não era viável. O que aconteceu no Galeão antes da mudança da regulação foi um escândalo, um absurdo, foi inaceitável”, afirma.

Após a pandemia, o Galeão perdeu parte da movimentação, enquanto o Santos Dumont concentrou a maior parte dos voos domésticos. Em 2023, o governo federal limitou as operações no terminal localizado na região central da capital fluminense para redistribuir a demanda e fortalecer o RIOGaleão. A medida foi mantida durante o processo de venda assistida da concessão do aeroporto, concluído em março com a vitória da espanhola Aena.

Cavaliere reforça que reagirá caso o modelo seja alterado. “Se mexerem na coordenação dos aeroportos, vai ter manifestação na porta do órgão responsável”, diz. Segundo ele, a reorganização permitiu que o Galeão saltasse de cerca de 5 milhões de passageiros para quase 18 milhões em 2025, com expectativa de atingir aproximadamente 20 milhões neste ano.

Fonte: Hotelier News

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