Temperaturas mais amenas reduzem projeção de crescimento da carga

28/05/2026

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revisou para baixo as projeções de crescimento da carga no Sistema Interligado Nacional (SIN) para os meses de junho e julho, refletindo temperaturas mais amenas e desaceleração do consumo em parte do país.

Segundo as projeções apresentadas na reunião do Programa Mensal da Operação (PMO), a carga do SIN deve fechar maio em 79.663 MW médios, valor 1,4% inferior ao previsto anteriormente pelo operador no PMO de maio e também abaixo das estimativas consideradas na primeira revisão quadrimestral do Plano da Operação Energética 2026-2030.

Para junho, a nova projeção do ONS aponta carga de 78.179 MW médios, com crescimento de 1,39% frente ao mesmo mês de 2025. A previsão anterior indicava expansão próxima de 4,3%. Já para julho, a expectativa passou para 77.682 MW médios, com alta de 1,87% em relação a julho do ano passado, abaixo da projeção anterior, que girava em torno de 5%.

Com a revisão das expectativas para maio, junho e julho, o operador também reduziu a projeção de crescimento anual da carga do SIN em 2026, que passou de 3,7% para 2,7%.

Segundo o ONS, a desaceleração está associada principalmente à transição para um período de temperaturas mais amenas, movimento semelhante ao observado em 2025.

“A partir de abril, como já era esperado, a gente entra naquele período de transição e a carga tende a responder com valores inferiores aos observados nos primeiros meses do ano”, afirmou o operador durante a reunião.

Carga no Sudeste

No Sudeste/Centro-Oeste, maior centro de carga do país, o ONS espera fechamento de maio em 44.459 MW médios, praticamente em linha com os valores observados em 2025.

Para junho, a projeção indica 42.654 MW médios, com variação negativa de 0,05% frente ao mesmo mês do ano passado. Antes, o operador trabalhava com expectativa de crescimento de 4,5%.

Em julho, a previsão é de 42.088 MW médios, também praticamente estável em relação a 2025, após projeção anterior próxima de 5%.

Com isso, a expectativa de crescimento anual da carga no Sudeste caiu de 3% para 1,6%.

Sul deve crescer com frio

O comportamento no Sul segue diferente do restante do país. O ONS projeta aumento da carga nos próximos meses em função da demanda por aquecimento durante o inverno.

A carga da região deve fechar maio em 13.450 MW médios e subir para 13.832 MW médios em junho e 13.954 MW médios em julho.

As projeções mantêm crescimento de 1,8% em junho e 2,3% em julho frente aos mesmos meses de 2025. Com isso, a expectativa de crescimento anual da região foi elevada de 2,4% para 3,4%.

Segundo o operador, apesar da expectativa de temperaturas inferiores às observadas em maio, a carga do Sul tende a crescer exatamente pelo efeito do aquecimento residencial e comercial típico do inverno.

Nordeste e Norte

No Nordeste, a carga segue em patamar elevado, embora abaixo das expectativas anteriores devido ao impacto das chuvas observadas principalmente nas duas primeiras semanas de maio.

A região deve fechar maio em 13.505 MW médios. Para junho, a projeção é de 13.253 MW médios, com crescimento de 3,9% frente ao mesmo período do ano passado. Em julho, a expectativa sobe para 13.153 MW médios, com expansão de 5,6%.

Segundo o ONS, o volume de precipitação observado em maio reduziu o consumo em parte da região, mas a expectativa é de recuperação nos próximos meses, já que as previsões meteorológicas não indicam repetição de chuvas tão intensas.

No Norte, a carga deve fechar maio em 8.249 MW médios, abaixo das expectativas anteriores após impacto combinado das chuvas e da redução temporária de consumo de consumidores livres do setor de alumínio.

Segundo o operador, houve queda mais acentuada da carga entre a segunda e a terceira semana operativa de maio, principalmente ligada a consumidores industriais. O ONS afirmou, porém, que já observa retomada desse consumo.

Para junho, a previsão passou para 8.440 MW médios, com crescimento de 4,4% frente ao mesmo mês de 2025. Em julho, a expectativa é de 8.487 MW médios, alta de 6,4%.

Fonte: MegaWhat

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