Petrobras aumenta derivado em R$ 0,48, mas com repasse do governo alta será de R$ 0,04/litro
29/05/2026
Uma semana depois de aderir à mais recente subvenção do governo para os combustíveis, a Petrobras reajustou nesta quinta-feira, 28, os preços da gasolina nas refinarias. A estatal anunciou aumento de R$ 0,48 por litro a partir desta sexta-feira, o que corresponde a 18,68%. O efeito para as distribuidoras será de R$ 0,04 por litro, ou uma alta de 1,56%. Isso porque a petroleira aceitou receber do governo um subsídio de R$ 0,44 por litro de gasolina. Especialistas divergem sobre os efeitos práticos da subvenção sobre o preço final.
A última vez que a Petrobras havia aumentado a gasolina nas refinarias foi no dia 8 de julho de 2024, quando elevou o preço em 7,12%. Em janeiro, a estatal reduziu o preço do derivado em 5,17%.
“O efeito para as distribuidoras e para o consumidor final é mitigado pela subvenção econômica concedida”, disse a estatal em comunicado. Ontem, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, participou de entrevista coletiva sobre investimentos da estatal no Estado do Sergipe, mas não comentou sobre o reajuste do combustível.
A Petrobras vem negociando os derivados abaixo dos preços externos com o argumento de não que não repassa volatilidades de curto prazo, como as causadas pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Mesmo com o aumento anunciado ontem – e incluindo o valor da subvenção porém, a empresa continua vendendo a gasolina abaixo da paridade internacional. Dados da StoneX apontam para uma defasagem de 35,2% ante o exterior, ou R$ 0,90 por litro. Se não tivesse reajustado os preços, a empresa estaria com uma defasagem de R$ 1,38 por litro.
A subvenção é uma das medidas adotadas pelo governo para atenuar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis no mercado brasileiro. Foi estabelecida pela Medida Provisória 1.358, em 13 de maio, que fixou um teto de R$ 0,89 por litro para gasolina e óleo diesel vendidos por refinarias e importadores. Distribuidoras e revendedoras de combustíveis não recebem a subvenção, a não ser que possuam autorização para importar derivados, diretamente ou por braços de comercialização (tradings).
Especialistas divergem sobre os efeitos da subvenção sobre os preços da gasolina nas bombas. David Zylbersztajn, que foi diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e é professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, afirma que a intenção do governo com a subvenção, de evitar repasses maiores para o consumidor final, deverá ser bem-sucedida neste primeiro reajuste feito pela Petrobras depois do início do conflito.
“Em tese, o preço é livre, mas o impacto na bomba deve ser mínimo. Não tem por que [a subvenção] não funcionar [para atenuar o efeito no preço final]”, afirmou Zylbersztajn, que também é presidente do conselho do Sindicom, que reúne as principais distribuidoras do país.
Para ele, o efeito final para o consumidor nos postos deverá ser muito próximo aos R$ 0,04 cobrados a mais nas refinarias a partir de hoje. Zylbersztajn ponderou que o valor final do reajuste, depois de descontada a subvenção, é muito pequeno perto do preço cheio do derivado cobrado nas bombas.
Pesquisa feita pela ANP mostrou que, na semana passada, o preço médio da gasolina nos postos brasileiros foi de R$ 6,62. O reajuste de R$ 0,04 representa pouco mais de 0,6% desse valor médio. “A Petrobras vai vender com aumento de R$ 0,04. É desprezível”, acrescentou Zylbersztajn.
Mas o efeito da subvenção sobre o preço final não é unânime entre agentes do setor. James Thorp Neto, presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), disse que o mercado é dinâmico, o que torna difícil medir os efeitos da subvenção. Como exemplo, citou o etanol e o biodiesel, que estão com preços em queda, o que influi no valor final.
“São tantos fatores de impacto que dificulta saber o que faz com que o preço suba ou caia”, disse Thorp. Outra fonte do mercado ressaltou que o reflexo nas revendas depende do livre mercado e das estratégias das distribuidoras.
Bruno Cordeiro, especialista de inteligência de mercado da StoneX, destacou que os preços dos derivados importados caíram por causa da redução das cotações do petróleo, com maior otimismo pela extensão das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã. Porém, há redução dos estoques de gasolina nos EUA devido ao aumento das margens do derivado sobre o petróleo e a proximidade da temporada de verão americana, que eleva o consumo de combustível. “Observamos um ‘crack spread’ [diferença] entre gasolina e petróleo cru em US$ 40/barril. Caso não haja acordo entre EUA e Irã para retomada de fluxos no Estreito de Ormuz nos próximos dias, podemos ver pressões adicionais.”
Fonte: Valor Econômico




