Diretora da Petrobras, Renata Baruzzi, alega que não há garantias de que no futuro o gas release não possa ser estendido ao gás próprio da companhia
28/09/2026
A Petrobras decidiu “dar um passo atrás” na licitação do gasoduto do projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), em meio às discussões sobre a criação de um projeto de desconcentração do mercado de gás natural (o gas release), afirmou a diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, em entrevista ao estúdio eixos durante a ROG.e 2026.
“A gente, na verdade, estava pronta para ir ao mercado, iniciar a licitação, mas a gente resolveu dar um passo atrás e avaliar o impacto do gas release no nosso portfólio, porque pode eventualmente não ter o impacto no SEAP, mas pode ter impacto no portfólio como um todo. Então a gente não tem como dissociar o desenvolvimento do gás de SEAP do resto, do restante do portfólio”, disse.
Baruzzi mencionou que as áreas de estratégia e de avaliação de riscos da companhia ainda estão analisando os desdobramentos do caso.
Ela alegou que a Petrobras não vê garantias de que no futuro a regra do gas release não possa ser estendida à molécula própria, mesmo tendo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) preservado o gás produzido pela companhia e proposto a desconcentração do mercado pela liberação de gás importado via Gasbol e do gás comprado de terceiros na cabeça do poço.
Petrobras defende compra de gás de terceiros
Em meio à escalada da pressão política da estatal contra o gas release, a ANP espera avançar nos próximos dias com o debate sobre a proposta.
A agência encerra nesta segunda-feira (28/9) a consulta pública sobre a minuta de resolução do programa e, na terça (29/9), realiza o 2º Workshop da ANP com agentes do mercado sobre o gas release.
Durante a ROG.e, na semana passada, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reforçou as críticas ao gas release e saiu em defesa da manutenção dos contratos para compra de gás de terceiros.
Chambriard defendeu, no entanto, que a viabilidade de grandes projetos de gás, como Raia e Sergipe Águas Profundas, passa pela garantia de compra da molécula de sócios pela Petrobras e que a estatal não está, nesse sentido, “atentando contra o mercado”
“A gente não compra gás à revelia, a gente compra gás quando o vendedor tem interesse de vender… Às vezes eu escuto comentários e parece que a Petrobras é um bicho-papão que está ali disposta a acabar com o mercado alheio e absolutamente não é isso”, declarou, a jornalistas, no evento.
Fonte: Eixos



