Para ANP, leilões foram bem-sucedidos mesmo com pré-sal sem disputa e bônus concentrado na Petrobras

Relator da partilha destaca ampliação de 58% da área exploratória; relator da concessão vê como positivo o investimento da estatal no país
08/10/2026

A diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) classificou como bem-sucedidos os leilões de petróleo realizados na quarta (7/10), no Rio de Janeiro, apesar da falta de disputa no pré-sal e da concentração dos bônus da concessão na Petrobras.

Em coletiva após as sessões, o diretor Fernando Moura, relator do ciclo de partilha, falou em “mais uma rodada de sucesso”. O diretor Pietro Mendes, relator do ciclo de concessão, avaliou o resultado das duas rodadas como “excelente”. O diretor-geral, Artur Watt, também participou.

Na concessão, o bônus de assinatura somou R$ 3 bilhões, o maior valor desde o início da Oferta Permanente, segundo a ANP. No ciclo do ano passado, foram R$ 989 milhões. Somados, os dois leilões de quarta renderam mais de R$ 3,5 bilhões.

Partilha amplia área do pré-sal em 58%

Na partilha, sete dos 13 blocos ofertados foram arrematados, cada um com uma única oferta. Questionado sobre a falta de disputa e sobre os blocos sem interessados, Moura classificou o leilão como “muito exitoso” e afirmou que a análise não deve se limitar à relação entre áreas ofertadas e arrematadas.

O destaque, segundo o diretor, é o aumento da área exploratória. O número de blocos em exploração no regime passa de 15 para 22, alta de 47%, e a área cresce 58%, para 39,2 mil km², segundo os diretores.

Moura apontou também uma mudança no perfil das empresas. A Prio vai assinar seus primeiros contratos de partilha como operadora, segundo a ANP.

O diretor estendeu a avaliação à concessão.

“Não tenho dúvida de que o resultado é muito importante, muito positivo para agência”, afirmou Moura.

Watt disse que a ausência de concorrência não é necessariamente negativa, porque houve ágio. Segundo o diretor-geral, empresas ofereceram mais que o mínimo por receio de disputa. O ágio médio do excedente em óleo foi de 108,38%.

Concessão concentra bônus na Petrobras

Na concessão, a Petrobras respondeu por R$ 2,99 bilhões dos R$ 3 bilhões em bônus, de acordo com Mendes. O diretor vê o dado como favorável, porque mantém no país investimentos de uma empresa que avalia ativos no exterior.

“Para a gente é excelente. Petrobras está olhando para ativos no exterior, e a partir do momento que a gente consegue destravar as manifestações conjuntas, incluir novos blocos atrativos, os investimentos ficam aqui no Brasil da própria Petrobras”, afirmou Mendes.

As manifestações conjuntas são documentos assinados pelos ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente e Mudança do Clima que permitem incluir blocos nos leilões. Para Mendes, áreas na Foz do Amazonas e na Bacia de Pelotas teriam atraído outras petroleiras internacionais.

Questionado sobre o ágio de 21.000% em blocos da Bacia de Campos, onde a Petrobras ofereceu R$ 754 milhões por áreas com bônus mínimo de R$ 3,6 milhões, o diretor atribuiu os valores à proximidade de campos em produção, que permite ligar novas descobertas a plataformas já instaladas.

Mendes reconheceu que a empresa vencedora provavelmente conhece melhor a geologia da área do que a ANP ao calcular o bônus mínimo.

Blocos sem oferta e novas empresas

Os blocos sem oferta nos dois leilões podem voltar em outros ciclos, disse Watt. A agência reavalia periodicamente o bônus mínimo e o tamanho das áreas.

Na Bacia do Tacutu, em Roraima, onde dois blocos foram arrematados, Mendes afirmou que a ANP recortou a área ofertada para evitar terras indígenas e locais com potencial conflito ambiental.

Sobre a Aguila, estreante em exploração que arrematou 12 blocos e duas áreas com acumulações marginais, Watt respondeu que os programas exploratórios mínimos são cobertos por garantias, que a agência pode executar se os compromissos não forem cumpridos.

A Aguila é vinculada à Aguila Capital, gestora liderada por Blener Mayhew, ex-diretor financeiro da PetroRio, hoje Prio. Segundo a ANP, a empresa já tinha um campo em produção.

A companhia tem um acordo não vinculante com a Indonesia Energy Corporation para avaliar negócios conjuntos no Brasil. Em 2025, as empresas informaram que a parceria avaliava investimentos em projetos híbridos de gás e energia solar para data centers no Nordeste.

O acordo ainda não se converteu em vinculante. Procurada durante o leilão, a Aguila não comentou.

Para o diretor-geral, os leilões periódicos são o que permite repor a produção dos campos em declínio.

“É importante a gente tá fazendo sempre as rodadas de licitação para que tenhamos novos investimentos em exploração, que alguns deles vão virar produção, e com isso você vai recompondo as reservas de petróleo”, disse Watt.

Fonte: Eixos

OUTROS
artigos