11/06/2026
O ONS deve implantar até o fim deste ano um Esquema Regional de Alívio de Geração (ERAG) para ampliar a segurança operativa do sistema em situações em que seja necessário reduzir geração para evitar riscos à rede. A medida foi citada pela assessora executiva da Diretoria de Planejamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Sumara Ticom, durante o Aquecimento MinutoMega Talks, realizado pela MegaWhat no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira, 10 de junho.
Segundo Sumara, o novo esquema funcionará como uma salvaguarda para a operação, de forma semelhante à lógica dos esquemas regionais de alívio de carga (ERAC), que atuam em contingências desligando blocos de consumidores para evitar blecautes mais amplos. No caso do ERAG, a atuação seria sobre a geração.
“Hoje a gente tem o esquema regional de alívio de carga, quando você tem uma ocorrência no sistema, ele atua, corta a carga distribuída no Brasil para evitar um blackout. E é mais ou menos nesse sentido, a gente precisa evoluir para dentro da geração”, afirmou Sumara.
De acordo com ela, o objetivo é dar ao operador uma proteção adicional caso uma ordem de redução de geração não seja cumprida por algum agente ou pela distribuidora, e isso represente risco de elevação da frequência do sistema.
“Se não cortar essa geração, se o cara falar, não vou cortar, por algum motivo a distribuidora não cortou, aquele gerador não cortou e aquilo possa fazer a frequência do sistema subir, eu vou conseguir ter uma salvaguarda que vai ser cortada automaticamente”, disse.
A fala foi feita em um debate sobre inovação aplicada, dados, flexibilidade e novos modelos de operação. Sumara afirmou que, sob a ótica do operador, a agenda de flexibilidade passa diretamente por maior observabilidade e controlabilidade da rede, especialmente diante do crescimento da geração conectada à distribuição.
“A gente precisa ter maior observabilidade e controlabilidade da rede. É isso que faz a equipe de operação, todo dia, na programação diária, toda dificuldade que ela vive nesse momento para conseguir fechar o dia. Eu preciso fechar todo dia com toda a segurança possível”, afirmou.
Distribuição e recursos flexíveis
Segundo Sumara, o ONS pretende passar a exigir supervisão de usinas com mais de 5 MW, já que a geração instalada na distribuição já tem dimensão suficiente para não poder mais ser tratada como algo “externo” à operação do sistema. “O operador tratar a distribuição ou essa geração como se ela não fizesse parte do sistema não tem nenhuma razoabilidade”, disse.
A executiva afirmou que o ONS atua em diferentes frentes para ampliar a integração entre a operação sistêmica e a distribuição. Entre elas, citou a criação de sandboxes regulatórios, o apoio à Aneel na revisão dos Procedimentos de Distribuição (Prodist), com requisitos que conversem com os da rede básica, mudanças nos procedimentos de rede do operador e estudos para dar mais visibilidade à fronteira entre distribuição e rede básica.
Ela também citou estudos sobre fluxos invertidos na fronteira com a rede básica, para identificar quando esses fluxos geram problemas para a rede e como esse sinal pode orientar a evolução da geração distribuída.
Fonte: MegaWhat




