28/05/2026
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indicou que deve manter, em junho, a política operativa voltada à preservação dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, diante da aproximação do período seco, mesmo com a melhora recente das condições hidrológicas em parte do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Durante o primeiro dia da reunião do Programa Mensal da Operação (PMO), realizada na tarde desta quinta-feira, 28 de maio, o operador destacou que a expectativa para a semana entre 30 de maio e 5 de junho é de baixa necessidade de despacho termelétrico adicional para atendimento da ponta de carga do sistema.
Segundo o ONS, a redução das temperaturas e da carga observada nas últimas semanas permitiu diminuir a geração hidráulica no Sudeste, preservando recursos hídricos para os próximos meses.
Dessa forma, o Sudeste segue com geração dimensionada para controle de nível, atendimento da ponta de carga e preservação de recursos para enfrentamento do período seco.
A estratégia operacional prevê ainda exploração prioritária dos recursos energéticos do Norte durante o período noturno, enquanto no Nordeste a geração hidráulica seguirá condicionada à disponibilidade de geração renovável e às transferências de energia do Norte.
No Sul, a operação seguirá voltada ao controle dos reservatórios e ao acompanhamento das condições hidrológicas e de intercâmbio, após a recuperação recente observada na bacia do Iguaçu.
Reservatórios seguem em nível ‘confortável’
As projeções apresentadas no PMO indicam fechamento de maio com Energia Natural Afluente (ENA) equivalente a 82% da Média de Longo Termo (MLT) no SIN. No detalhamento por subsistema, a expectativa é de 85% da MLT no Sudeste/Centro-Oeste, 101% no Sul, 54% no Nordeste e 78% no Norte.
Mesmo abaixo da média histórica em parte das regiões, o ONS avaliou que houve melhora importante das condições hidrológicas desde fevereiro, principalmente no Sudeste e no Sul.
No Sul, o destaque ficou para a recuperação da bacia do Iguaçu após a passagem de frentes frias no fim de abril e em maio. Segundo o operador, o armazenamento equivalente de energia da região avançou 25,8 pontos percentuais em relação ao fim de abril.
O reservatório equivalente do subsistema Sul chegou a 54% da energia armazenável máxima, enquanto o SIN deve encerrar maio em 72% da EARmáx.
No Sudeste, o armazenamento ficou praticamente estável em relação ao encerramento de abril, com alta de apenas 0,2 ponto percentual no mês. Ainda assim, o subsistema permanece com 66% da energia armazenável máxima.
Térmicas seguem em queda
Segundo o ONS, a despacho térmico continuou em trajetória de redução nos últimos meses, refletindo a melhora hidrológica, a queda da carga e o aumento da participação renovável.
A geração térmica do SIN caiu de 7,8 GW médios em março para 6,3 GW médios em abril e deve encerrar maio em cerca de 5,4 GW médios.
A maior parcela do despacho segue associada à inflexibilidade contratual das usinas. Já os despachos por garantia energética permaneceram zerados em maio.
O operador também destacou redução importante dos acionamentos por ordem de mérito e unit commitment em relação aos meses anteriores.
O ONS afirmou ainda que a melhora das condições do Sul e a redução da carga permitiram diminuir a geração hidráulica no Sudeste, poupando água para o período seco sem necessidade de ampliar o acionamento térmico.
Exportações para Argentina atingem 1,1 GW
O operador também indicou continuidade do monitoramento de excedentes energéticos e da possibilidade de exportação de Energia Vertida Turbinável (EVT), principalmente em períodos de menor carga.
Para a semana entre 30 de maio e 5 de junho, o ONS vê possibilidade de ocorrência de EVT em horários de carga reduzida, condicionada à validação elétrica para transmissão da energia.
Ao longo de maio, o Brasil exportou energia para a Argentina em caráter comercial e, em alguns momentos, emergencial, com despachos de até 1,1 GW, limite atualmente disponível devido à manutenção da conversora de Garabi 2.
Segundo o operador, após a conclusão da modernização da conversora, prevista para agosto, a capacidade de intercâmbio deverá voltar para 2,2 GW.
As exportações para a Argentina se intensificaram ao longo de maio, com médias diárias superiores a 1 GW em diversos momentos da segunda quinzena do mês.
Também houve exportação para o Uruguai, com despacho máximo de 246 MW no dia 27 de maio.
El Niño no radar
O ONS afirmou ainda que segue acompanhando as projeções para formação de um evento El Niño entre junho e julho, com probabilidade superior a 60% de intensidade forte ou muito forte no segundo semestre.
Segundo o operador, os efeitos típicos do fenômeno incluem aumento de precipitação no Sul e redução das chuvas nas regiões Norte e Nordeste.
Fonte: MegaWhat




