ONS atualiza dados usados para calcular geração e preços de energia

26/10/2026

Os modelos utilizados para planejar a geração das usinas e calcular os preços de energia vão passar a considerar novas estimativas da quantidade de água que chega nas hidrelétricas e a energia que pode ser armazenada nos reservatórios das usinas. A atualização será incorporada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a partir do Programa Mensal da Operação (PMO) de novembro de 2026, e poderá alterar os resultados dos cálculos de geração hidrelétrica, termelétrica, e os preços de energia.

A mudança, inicialmente prevista para setembro, foi adiada após testes identificarem a necessidade de atualizar algumas informações.

Em comunicado enviado na última semana para geradores, o ONS informou que as atualizações também serão utilizadas nos demais estudos realizados pelo operador. O PMO de novembro tem início previsto para 29 de outubro de 2026.

O trabalho faz parte do plano de ação estabelecido em 2018 pelo Ministério de Minas e Energia (MME), em atendimento a um acórdão daquele ano do Tribunal de Contas da União (TCU), para revisar as garantias físicas das usinas hidrelétricas.

O processo envolveu a atualização das informações sobre nível, a área alagada e o volume de agua dos reservatórios, a revisão das estimativas da quantidade de água consumida rio acima das hidrelétricas, por atividades como irrigação e abastecimento, e que não retorna integralmente aos rios, além do recálculo das séries de vazões naturais médias mensais, que representam a quantidade de água que passaria pelos rios sem a interferência das barragens e dos outros usos. A revisão também incluiu uma nova metodologia para estimar a perda líquida de água por evaporação.

As atividades contaram com a participação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do MME, dos agentes de geração e do próprio ONS.

As novas séries de vazões e as informações atualizadas dos reservatórios foram homologadas pela Aneel ao longo deste ano.

Mudanças nas estimativas de armazenamento

Segundo os dados apresentados pelo ONS, a atualização das séries hidrológicas altera as estimativas históricas de Energia Natural Afluente (ENA), indicador que representa o potencial de geração associado à agua que chega às hidrelétricas.

Para o período de 1931 a 2023, a ENA média do Sistema Interligado Nacional (SIN) teve aumento de 177 MW médios, equivalente a 0,2%. 

A Energia Armazenada Máxima (EARmáx), que representa a quantidade máxima de energia que pode ser armazenada nos reservatórios das hidrelétricas, apresentou redução de 4.601 MW mês no SIN, equivalente a 1,6%. 

O que muda na prática?

A atualização modifica tanto as informações sobre a quantidade de água que chega às hidrelétricas quanto a representação física dos reservatórios utilizada pelos modelos.

O SMAP/ONS é o modelo chuva-vazão usado pelo operador, ou seja, o modelo usado para estimar, a partir das chuvas, a quantidade de água que vai chegar aos rios e hidrelétricas.

Nem toda a chuva se transforma em vazão. Parte da água é absorvida pelo solo, utilizada pela vegetação, devolvida à atmosfera ou retirada para abastecimento, irrigação e outras atividades. O modelo considera esses processos para calcular quanto deverá efetivamente escoar até os rios.

O SMAP/ONS passará ainda a utilizar o produto Merge, que combina dados de estações meteorológicas com estimativas de precipitação obtidas por satélite, e limites sazonais para o escoamento de base, que representa a água acumulada no solo e no subsolo que chega gradualmente aos rios. 

Os aprimoramentos metodológicos foram aprovados pelo CT PMO/PLD em setembro de 2025, condicionados à recalibração do modelo com as novas séries de vazões.

Esses dados são utilizados pelos modelos Newave, Decomp e Dessem para calcular a disponibilidade de energia e planejar a operação do sistema elétrico. 

Com as alterações, os modelos poderão calcular valores diferentes de geração hidrelétrica e termelétrica, armazenamento, CMO e PLD. A direção e a dimensão dessas diferenças dependerão das condições de cada rodada.

Testes adiaram implementação

Em janeiro de 2026, o ONS instituiu um grupo técnico no âmbito do Comitê Técnico do Programa Mensal da Operação e do Preço de Liquidação das Diferenças (PMO-PLD) para compartilhar os resultados das atualizações com os  agentes do setor elétrico. Os trabalhos incluíram testes nos modelos hidrológicos SMAP/ONS e Gevazp e nos modelos eletroenergéticos Newave,Decomp e Dessem.

Em junho de 2026, foi iniciado um processo-sombra para testar a aplicação das atualizações antes de sua entrada nos processos oficiais do ONS e da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Nesse período, os novos dados foram utilizados em simulações paralelas, sem substituir os empregados nos cálculos oficiais.

Durante os testes, foram identificadas necessidades de ajustes, levando ao adiamento da implementação do PMO de setembro para  o de novembro.

Fonte: MegaWhat

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