Estudo prevê fim da dependência externa em QAV a partir de 2031; queda da demanda será impulsionada pelo SAF
03/11/2026
O Brasil ainda seguirá dependente de importações de diesel em 2036, analisaram o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) no Caderno de Refino e Infraestrutura de Abastecimento do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2036 (.pdf), publicado nesta terça-feira (3/11).
Segundo o estudo, a dependência externa de diesel A vai subir de 20% em 2026 para 25% em 2036.
Isso porque a demanda nacional vai crescer 19% nesse período, enquanto a produção doméstica aumentará somente 13%, com a ampliação da capacidade de refino do país.
Segundo o MME, o resultado reforça a importância de investimentos na ampliação e modernização do refino, assim como na infraestrutura necessária à movimentação de combustíveis.
Em 2036, a única região que deve ser superavitária em diesel é a Sudeste, enquanto Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul serão deficitárias.
A região Centro-Oeste deve receber parte do excedente da Sudeste pelo Oleoduto São Paulo-Brasília (Osbra); já a região Norte será atendida por importações e por cabotagem oriunda da região Nordeste.
Além do diesel A, a substituição gradual do diesel S500 pelo S10 demandará investimentos em unidades de hidrotratamento, hidroconversão e geração de hidrogênio.
Autossuficiência na gasolina
Já a gasolina será pouco impactada pelo aumento do refino no país, com produção estável. Entretanto, a demanda vai cair 12% em 10 anos, o que permitirá alcançar a autossuficiência nos próximos anos.
A queda da demanda é influenciada por fatores como a maior maior uso de veículos elétricos e de novas fontes energéticas, assim como o aumento do teor de etanol na gasolina.
A Lei do Combustível do Futuro estabelece que a mistura de etanol na gasolina pode chegar a 35%. Neste ano, o teor foi elevado temporariamente de 30% (E30) para 32% (E32), por 180 dias.
Assim como o diesel, a gasolina só será superavitária na região Sudeste, que abastecerá, principalmente, a região Centro-Oeste, e exportará o combustível em 2036.
Fim da dependência externa do QAV
O estudo prevê também o fim de dependência externa em querosene de aviação (QAV) a partir de 2031. Atualmente, o Brasil importa 16% do QAV consumido no país.
A previsão é que tanto a produção nacional de QAV quanto a demanda se igualem em cerca de 17 mil m³/d. Enquanto a produção deve cair 5,1% em dez anos, a demanda nacional deve reduzir 20%.
Isso ocorre devido à incorporação gradual do combustível sustentável de aviação (SAF), incentivado pelo Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV), com metas obrigatórias a partir de 2027, e pelo acordo com o Esquema de Compensação e Redução de Emissões para a Aviação Internacional (em inglês, Corsia).
Elaborado anualmente pela EPE, sob diretrizes do MME, o Plano Decenal de Expansão de Energia é um dos principais instrumentos do planejamento energético nacional. A Consulta Pública do PDE 2036 está aberta até 6 de novembro de 2026.
Fonte: Eixos




