03/11/2026
O mercado de geração distribuída (GD) de energia solar no Brasil começou 2026 em ritmo mais lento, com retração nas novas conexões, queda nas importações de módulos fotovoltaicos e dificuldades para transformar propostas comerciais em vendas.
Ao mesmo tempo, sistemas de armazenamento com baterias e infraestrutura de recarga de veículos elétricos ampliam sua participação nos negócios dos integradores, indicando uma diversificação das soluções oferecidas pelo setor.
Os dados fazem parte do Estudo Estratégico de Soluções Energéticas Distribuídas (SED), elaborado pela Greener, com resultados referentes ao primeiro semestre de 2026. O levantamento mostra que o Brasil chegou a 53 GW de potência instalada em geração distribuída até junho, com a adição de 3,97 GW no período, volume 23% inferior aos 5,2 GW registrados no primeiro semestre de 2025.
A desaceleração foi mais expressiva na minigeração distribuída, com queda de 33,7% na potência adicionada em comparação com o mesmo período do ano anterior. Já a microgeração permaneceu praticamente estável, com retração de 0,8%.
Na quantidade de novas conexões, o recuo foi de 16%, passando de 488 mil no primeiro semestre de 2025 para 411 mil nos seis primeiros meses de 2026. O número de novas unidades consumidoras que passaram a receber créditos de energia de forma remota também diminuiu, com queda de 43%, de 951 mil para 541 mil.
A distribuição da potência adicionada por classe de consumo também revela mudanças no perfil da geração distribuída brasileira. O segmento residencial passou a concentrar 65% da potência instalada no primeiro semestre de 2026, ante 57% em 2025 e 39% em 2019. Em sentido contrário, a participação comercial caiu de 30% em 2023 para 19% no período mais recente.
A expansão da GD continua distribuída pelo território nacional. Os 3,97 GW adicionados no semestre foram registrados em 5.192 municípios. São Paulo liderou a lista de cidades com maior potência adicionada, com 43 MW, seguido por Brasília, com 36 MW, e Cuiabá, com 32 MW.
Importação de módulos fotovoltaicos recua 48%
O movimento de desaceleração também aparece na cadeia de fornecimento de equipamentos. As importações de módulos fotovoltaicos nacionalizadas no Brasil somaram 5,5 GWp no primeiro semestre de 2026, retração de 48% em relação aos 10,6 GWp do mesmo intervalo de 2025.
A maior queda ocorreu na geração centralizada (GC), cujo volume importado diminuiu 82%, passando de 2,3 GWp para 0,43 GWp. Na geração distribuída, a redução foi de 39%, de 8,2 GWp para 5 GWp. Com isso, a GD respondeu por aproximadamente 90% do volume nacionalizado no período.
Apesar da retração, os custos de nacionalização continuam representando uma parcela relevante do valor dos equipamentos. Segundo o levantamento, esses custos correspondem a 44% do valor CIF, com o Imposto de Importação, de 25%, como principal componente.
Dificuldade de integradores na conversão de proposta
O cenário de desaceleração também se reflete na atividade comercial das empresas integradoras de energia solar. A média mensal de orçamentos avançou de 20 no primeiro semestre de 2025 para 25 no mesmo período de 2026, crescimento de 25%. Entretanto, a taxa de conversão das propostas em vendas ficou em apenas 18%.
Na prática, aproximadamente oito em cada dez orçamentos não se transformaram em negócios. A média mensal de sistemas vendidos passou de quatro para cinco por empresa, acompanhando a recuperação na quantidade de propostas.
O financiamento também perdeu participação nas vendas. No primeiro semestre de 2026, 33% das vendas contaram com crédito, oito pontos percentuais abaixo do registrado em 2025. Os juros elevados e as dificuldades de aprovação bancária continuam entre os principais obstáculos para o fechamento de negócios.
A concorrência baseada em preços aparece como a maior pressão sobre os integradores, citada por 63% das empresas entrevistadas. Na sequência estão os juros elevados no financiamento, mencionados por 52%, e as dificuldades de aprovação de crédito, apontadas por 40%.
Outro desafio é a inversão de fluxo de potência, que passou a atingir 38% dos integradores, ante 28% no primeiro semestre de 2025. Embora a taxa de resolução dos casos tenha avançado de 39% para 50%, metade das ocorrências ainda não havia sido solucionada, segundo o levantamento.
Baterias ampliam participação no mercado solar
Em meio à desaceleração dos sistemas fotovoltaicos convencionais, o armazenamento de energia começa a ganhar espaço no portfólio das empresas. O estudo aponta que 86% dos integradores já oferecem sistemas híbridos, percentual 15 pontos percentuais superior ao registrado no primeiro semestre de 2025.
A participação dessas soluções nas vendas também aumentou, passando de 2% para 5% em um ano. Além disso, 38% dos integradores realizaram pelo menos uma venda de sistemas com baterias no primeiro semestre de 2026.
A principal motivação dos consumidores para procurar soluções de armazenamento é a confiabilidade do fornecimento de energia e a continuidade das atividades, responsável por 51% da demanda identificada. Outros fatores incluem consumidores sem acesso à rede elétrica, interesse em novas tecnologias e redução de custos em horários de ponta.
O segmento residencial concentra 65% das vendas de sistemas com baterias, com destaque para residências de alto padrão, que representam 40% do mercado. Já os segmentos comercial e industrial somam 25%, com oportunidades relacionadas à proteção de cargas críticas, ao perfil tarifário e aos impactos financeiros de interrupções no fornecimento.
Apesar do avanço, a ampliação das vendas ainda depende da capacitação técnica e comercial dos integradores. O levantamento destaca a necessidade de desenvolver competências para diagnosticar o perfil de consumo dos clientes, dimensionar os equipamentos e avaliar a viabilidade econômica das soluções.
Recarga de veículos elétricos abre oportunidades
A mobilidade elétrica também aparece como uma frente de diversificação dos negócios. A frota brasileira de veículos leves eletrificados chegou a 837 mil unidades no primeiro semestre de 2026, crescimento de 34% em relação a dezembro de 2025.
Os veículos eletrificados passaram a representar 15,8% das vendas de veículos leves no Brasil, ante 8,8% em 2025. A expansão amplia a demanda por infraestrutura de recarga em residências, condomínios, estabelecimentos comerciais e instalações industriais.
Nesse contexto, 63% dos integradores já atuam com carregadores de veículos elétricos, ante 46% no primeiro semestre de 2025. O modelo de venda e instalação dos equipamentos é a principal forma de atuação das empresas.
O estudo também aponta que condomínios e estabelecimentos comerciais já representam 33% do mercado de instalação de carregadores, ampliando as oportunidades para projetos com múltiplos usuários e pontos de recarga.
Pós-venda e novos serviços ganham importância
Além da instalação de sistemas fotovoltaicos, os integradores ampliam sua atuação em serviços de operação e manutenção (O&M), mercado livre de energia e geração distribuída compartilhada.
A oferta de serviços de O&M avançou de 45% para 53% dos integradores entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026. A manutenção dos sistemas instalados por outras empresas também representa uma oportunidade: 85% dos entrevistados já foram procurados por clientes que precisam de suporte para instalações realizadas por integradores que deixaram de atender ou encerraram suas atividades.
Entre esses consumidores, 54% procuraram serviços de manutenção, enquanto 32% buscaram ampliação dos sistemas.
No mercado livre de energia, a participação dos integradores permaneceu em 19%, mesmo percentual registrado no primeiro semestre de 2025. A atuação, entretanto, vem se diversificando, com crescimento dos serviços de consultoria e gestão de ativos.
Fonte: MegaWhat




