Lucro de R$ 32,7 bilhões da Petrobras ainda não reflete guerra

A empresa fechou o primeiro trimestre deste ano com resultado financeiro 110% melhor do que no trimestre anterior, mas 7,2% menor do que em igual período de 2025
12/05/2026

A Petrobras registrou R$ 32,7 bilhões de lucro líquido no primeiro trimestre de 2026, o que representa uma queda de 7,2% comparado a igual período de 2025, porém um crescimento de 110% em relação ao trimestre imediatamente anterior. O resultado ainda não reflete os efeitos da guerra do Irã, iniciada em 28 de fevereiro.

“No mercado asiático, destino da maior parte das nossas exportações, a precificação costuma ocorrer com base nas cotações do mês anterior àquele da chegada da carga. Portanto, a elevação nos preços de petróleo após o início do conflito no Oriente Médio estará refletida nas exportações do segundo trimestre de 2026”, informou a Petrobras em relatório ao mercado.

Excluídos eventos exclusivos, o lucro líquido foi de R$ 23,8 bilhões, uma alta de 0,9% na comparação anual e queda de 7,2% frente ao quarto trimestre do ano passado. O Ebitda ajustado ficou em R$ 59,6 bilhões, 2,4% inferior ao do mesmo trimestre de 2025 e 0,5% menor do que no quarto trimestre.

A empresa atribui o lucro ao bom desempenho operacional do segmento de Exploração e Produção de óleo e gás. O resultado também foi favorecido pela valorização do real frente ao dólar e pela reversão de impairment.

A Petrobras informou ainda ter registrado um custo de extração, sem participação governamental e sem afretamento, de US$ 6,76 por barril de óleo equivalente (boe), representando aumento de 6% em comparação com o último trimestre, devido à valorização de 3% do real frente ao dólar e a custos associados ao aumento de produção no pré-sal.

No pré-sal, houve um incremento do custo de extração em 11%, devido ao câmbio e ao aumento da produção. No pós-sal, o custo de extração apresentou redução de 1%, devido à otimização dos gastos em poços no campo de Marlim Sul, além de outras ações de eficiência de custos na Bacia de Campos, compensados parcialmente pelo incremento de custos em função da valorização do real frente ao dólar.

Já os investimentos, no primeiro trimestre, totalizaram US$ 5,1 bilhões, representando uma redução de 19,1% em relação ao quarto trimestre de 2025 e um aumento de 25,6% em comparação ao primeiro trimestre do ano passado. O segmento de Exploração e Produção concentrou 87,4% do Capex no período.

Puxaram os investimentos os grandes projetos do pré-sal da Bacia de Santos, especialmente nos novos sistemas de produção dos campos de Búzios e de Sépia, devido ao avanço nas obras de construção das unidades produtoras. Também pesaram alguns projetos da Bacia de Campos, com o ramp-up da revitalização do campo de Marlim.

No segmento Refino, Transporte e Comercialização, os investimentos somaram US$ 500 milhões, uma redução de 34,2% em relação ao quarto trimestre de 2025, decorrente, principalmente, dos menores gastos com as paradas do refino. Em comparação com o primeiro trimestre de 2025, houve aumento de 24,4%, com destaque para maiores gastos na Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e no Polo Boaventura.

Fonte: Brasil Energia

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