Independentes ajudam a ampliar cadeia de fornecedores no Brasil, diz diretor da Prio

Segundo Jean Calvi, projeto Wahoo atraiu empresas estrangeiras que hoje empregam mão de obra brasileira
26/09/2026

As petroleiras independentes ampliaram a gama de fornecedores da indústria de óleo e gás no Brasil e ajudaram a viabilizar projetos antes considerados inviáveis, avalia Jean Calvi, diretor de Operações da Prio.

Em entrevista ao estúdio eixos durante a ROG.e 2026, no Rio de Janeiro, na terça (22/9), ele afirmou que a entrada das independentes trouxe fornecedores específicos para seu porte e necessidade. Confira na íntegra.

“A cadeia evoluiu, algumas empresas mais rápido, outras mais devagar, mas evoluiu bastante”, disse.

Calvi citou o projeto Wahoo, na Bacia de Campos, primeiro greenfield desenvolvido pela Prio. A área teve o primeiro óleo em maio e no momento produz cerca de 40 mil barris por dia.
Segundo ele, a empresa decidiu não contratar um único EPCI (sigla em inglês para Engenharia, Aquisição, Construção e Instalação) e gerenciar o projeto com várias empresas.
“É a diferença entre entregar a chave do carro para alguém dirigir e dirigir você mesmo. Dá mais trabalho, mas você vai onde quer”, explicou.

O projeto envolveu mais de 100 km de umbilical, 80 km de linha rígida e 15 km de flexíveis, executados em cerca de sete meses.

Fornecedores se instalam no Brasil

Calvi afirmou que, com o projeto Wahoo, algumas companhias estrangeiras vieram e se instalaram no Brasil.

“Conheço pelo menos três empresas que estão se desenvolvendo no país e estão vendo o potencial do Brasil. Entraram por uma porta pequena, apertada, mas quando conhecem o mercado veem o tamanho que ele tem. O Brasil tem o maior mercado offshore do mundo”, afirmou.

Novo raio muda o olhar para campos ao redor

O diretor destacou que o projeto de Wahoo expandiu o raio de produção na região para até 38 km de distância do navio, contra o limite anterior de 10 km.

“Isso muda a forma como você olha os campos ao redor. Poços menores, que antes não eram viáveis, se tornam viáveis”, afirmou.

Ele explicou que a otimização de unidades existentes reduz emissões de carbono e o footprint (pegada) ambiental, além de gerar mais royalties e impostos por mais tempo.

“Você usa algo que já existia e beneficia a sociedade de várias maneiras”, disse.

Foco em eficiência e lifting cost baixo

Calvi disse que a Prio segue com foco na eficiência e na manutenção de um custo de extração baixo.

“Para uma empresa de commodities, custo baixo significa sobrevivência, perpetuação”, afirmou.

Ele citou o uso de tecnologia e inteligência de dados para identificar ineficiências e atuar sobre elas.

“Nosso trabalho é incessante na eficiência. Assim você mantém o custo baixo. Esse é o nosso driver”, concluiu.

A petroleira opera em seis campos e está chegando ao patamar de 200 mil barris por dia.

Ele disse que há projetos em desenvolvimento em Albacora Leste, Frade e nos campos de Peregrino para manter a produção nesse nível.

“Nosso foco hoje é trabalhar para manter os 200 mil barris por dia”, concluiu.

Fonte: Eixos

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