IEA: guerra no Irã deve causar queda recorde na oferta global de gás, com efeito até 2027

Projeção parte do pressuposto de que fluxos comerciais por Ormuz permanecerão amplamente interrompidos ao menos até fim do ano
03/11/2026

A guerra no Irã deve provocar o maior recuo anual já registrado na oferta global de gás natural liquefeito (GNL), com o conflito estrangulando fluxos e aumentando a competição entre países importadores, alertou a Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês).

Em relatório divulgado nesta terça-feira (3/11), a agência disse que a oferta mundial de GNL deve cair 3% em 2026 — cerca de 20 bilhões de metros cúbicos — em grande parte por interrupções no transporte pelo Estreito de Ormuz e por ataques iranianos a infraestrutura regional, que reduziram fortemente exportações do Catar e dos Emirados Árabes Unidos.

A IEA observou que a projeção parte do pressuposto de que os fluxos comerciais por Ormuz permanecerão amplamente interrompidos ao menos até o fim do ano. Antes do conflito, o estreito era responsável por cerca de 20% dos fluxos globais de GNL, segundo o relatório.

O choque foi parcialmente amortecido por aumento de produção fora do Golfo. Novos projetos na América do Norte e na África — além de mais gás direcionado a plantas existentes de GNL na África, Ásia e Rússia — elevaram a produção fora do Golfo Pérsico em 14% entre março e outubro, compensando aproximadamente dois terços da perda de suprimento na região.

Ainda assim, a IEA calcula que a produção global de GNL caiu cerca de 6% durante a guerra, e avalia que a escassez deve acirrar a disputa entre compradores nos próximos meses, sobretudo nos picos de consumo.

A Europa aparece como um ponto sensível. A IEA disse que estoques de gás na União Europeia (UE) entram na temporada de aquecimento 2026-27 nos níveis mais baixos desde 2013, aumentando a dependência europeia do GNL no inverno.

Além disso, para recompor reservas durante o verão do Hemisfério Norte, a região pode precisar comprar significativamente mais GNL, o que pode manter o mercado apertado até bem dentro de 2027.

O relatório ressalta que a restrição de oferta ocorre ao mesmo tempo em que a demanda global por gás tende a enfraquecer em 2026, com queda estimada de 1,5% (quase 65 bilhões de metros cúbicos), puxada por destruição de demanda no Oriente Médio, menor consumo industrial na Europa e substituição de gás por carvão no setor elétrico em partes da Ásia.

Com informações da Dow Jones Newswires.

Fonte: Eixos

OUTROS
artigos