08/07/2026
Impulsionado pela demanda contínua por viagens de lazer e negócios, o turismo brasileiro registrou o maior faturamento da história para um mês de abril, alcançando R$ 23,2 bilhões. O resultado também reforça o bom momento da hotelaria, que movimentou R$ 5,3 bilhões no período e voltou a crescer após o impacto do calendário de março, sustentada pelo avanço da diária média e pela resiliência da demanda, segundo levantamento da FecomercioSP.
No acumulado entre janeiro e abril, o faturamento do turismo avançou 3,6% na comparação com o mesmo período do ano passado, resultado que acompanha a projeção divulgada pela entidade no início de 2026 para o desempenho da atividade.
O transporte aéreo de passageiros foi o segmento de maior faturamento em abril, somando R$ 6,9 bilhões — também o maior valor já registrado para o mês na série histórica. O crescimento foi de 3,7% em relação a abril de 2025.
Na avaliação da FecomercioSP, o resultado chama atenção porque a demanda doméstica, medida por passageiros por quilômetro transportado, avançou apenas 1,8%, a menor variação para um mês de abril desde 2021.
O principal fator para sustentar a receita foi o aumento de 9% na tarifa média das passagens aéreas, reflexo parcial da elevação do preço do QAV (Querosene de Aviação). Antes do conflito no Oriente Médio, o combustível era comercializado por cerca de R$ 3,33 por litro, em média. Atualmente, o valor chega a R$ 6,50 por litro. Segundo a entidade, as companhias aéreas ainda não conseguiram repassar integralmente esse aumento de custos aos consumidores.


Hotelaria e alimentação seguem em trajetória de crescimento
A hotelaria também apresentou desempenho positivo em abril. Os meios de hospedagem faturaram aproximadamente R$ 5,3 bilhões, crescimento de 2,6% na comparação anual, recuperando parte das perdas registradas em março, quando o calendário do Carnaval afetou os resultados do setor.
De acordo com dados do FOHB (Fórum de
Operadores Hoteleiros do Brasil), mesmo com uma leve retração na taxa de ocupação, a diária média avançou cerca de 2%, indicando que a demanda continua suficientemente aquecida para sustentar preços mais elevados.
Já a alimentação voltada ao turismo movimentou aproximadamente R$ 3,6 bilhões, registrando crescimento de 5,2% — um dos melhores desempenhos do ano. O avanço foi impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido, embora o segmento ainda enfrente pressão dos custos com mão de obra e insumos.
São Paulo concentra maior faturamento; Nordeste apresenta forte expansão
Desconsiderando o transporte aéreo, o turismo brasileiro faturou R$ 16,3 bilhões em abril, alta de 2,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Ao todo, 18 estados registraram crescimento.
São Paulo permaneceu como o principal mercado do país, com faturamento de R$ 6,6 bilhões, equivalente a 41% do total nacional. Segundo a FecomercioSP, o desempenho foi impulsionado principalmente pelo turismo de negócios e eventos, segmento que mantém fluxo constante de visitantes na capital paulista ao longo do ano.
Entre os destaques regionais, o Nordeste apresentou alguns dos melhores resultados. O Rio Grande do Norte liderou o crescimento entre os principais destinos turísticos, com alta de 16,1% e faturamento de R$ 132 milhões. A Bahia registrou expansão de 11,2%, alcançando R$ 771 milhões, beneficiada pela retomada da demanda após o Carnaval.
O Rio de Janeiro também apresentou resultado positivo, com crescimento de 5,7% e faturamento de R$ 1,4 bilhão, impulsionado pelo turismo de lazer e pelo aumento da chegada de visitantes estrangeiros.
Em sentido contrário, Goiás, Ceará e Tocantins registraram as maiores retrações do período. Minas Gerais, segundo maior mercado turístico do país, movimentou cerca de R$ 1,4 bilhão, mas apresentou queda de 1,3% em relação a abril do ano passado.
Perspectiva para 2026
A FecomercioSP manteve a projeção de crescimento entre 4% e 5% para o faturamento do turismo brasileiro em 2026. Segundo a entidade, o mercado de trabalho aquecido e o acesso ao crédito pelas famílias devem continuar sustentando a demanda por viagens nos próximos meses.
Por outro lado, a instituição avalia que o principal fator de risco para o setor permanece sendo o conflito no Oriente Médio e seus possíveis impactos sobre os custos globais de energia, especialmente no transporte aéreo.
Fonte: Hotelier News





