Hotéis crescem com turista estrangeiro

Aumento do interesse por destinos brasileiros traz oportunidade a negócios de médio porte
30/04/2026

O Brasil recebeu, em março, o maior número de visitantes internacionais da história. Dados da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) apontam que 1,05 milhão de pessoas vieram do exterior para o país no mês, um aumento de 13% sobre março de 2025. No ano passado todo, o país recebeu 9,3 milhões de visitantes internacionais, também um marco no setor, com crescimento de 37,1%. Essa movimentação tem favorecido a expansão de grupos hoteleiros de médio porte, que estão investindo na capilaridade e no aumento da oferta de acomodações.

O Grupo Wish, por exemplo, assumiu no início deste ano a administração de dois novos empreendimentos em Jurerê, praia requisitada de Florianópolis (SC). Os novos negócios se somam aos nove hotéis próprios ou arrendados do grupo e vão elevar a capacidade instalada de 2 mil para 2,5 mil unidades hoteleiras (UHs).

“Não é um voo de galinha. É uma tendência de longo prazo o fortalecimento do turismo no Brasil. O mercado está aquecido. O turismo brasileiro vive um momento de retomada consistente, e estamos preparados para aproveitar esse ciclo de crescimento”, afirma Eduardo Malheiros, CEO do Wish.

Nos empreendimentos em Jurerê, o grupo atua sob o modelo de arrendamento. Um desses projetos, que é um resort, ainda está em construção e tem lançamento previsto para 2027.

Com crescimento de 20% em 2025 e faturamento de R$ 430 milhões, o Wish registrou mais de 1 milhão de pessoas hospedadas em suas unidades. Para este ano, projeta expansão de 35%.

O CEO diz que há fôlego para acelerar o crescimento do primeiro trimestre de 2026, que registrou alta de 6% a 7% na comparação com o mesmo período do ano anterior. “Nossos resultados mostram que estamos no caminho certo ao fortalecer a marca e investir continuamente na experiência do hóspede”, ressalta.

Além de administrar resorts nas regiões Sul e Nordeste, o Grupo Wish ainda atua no segmento de hotéis executivos. Atualmente é responsável por hotéis que estão instalados nos aeroportos Santos Dumont e Galeão (aeroporto internacional do Rio de Janeiro Antonio Carlos Jobim), no Rio de Janeiro, e no aeroporto internacional de Confins (aeroporto internacional de Belo Horizonte), em Minas Gerais. Em 2025, o grupo realizou 1.500 eventos corporativos.

Neste ano, mesmo diante de eleições presidenciais e Copa do Mundo, que podem afetar a demanda no segmento corporativo, a confiança permanece alta. O CEO acredita que a Copa tende a ajudar os resorts, que já preparam programações temáticas.

Embora o brasileiro ainda represente 76% das ocupações da rede, a fatia de 24% de estrangeiros é vital para o equilíbrio financeiro e a ocupação em períodos de baixa sazonalidade no turismo interno no Wish. O fluxo dos estabelecimentos é liderado por argentinos (8,1%) e chilenos (3,3%).

O turismo estrangeiro no Brasil também tem sido um motor importante para a rede Livá, especialmente em destinos de alto padrão. No hotel Santê, em Búzios (RJ), a ocupação nos três primeiros meses de 2026 superou 90%, com a presença maciça de estrangeiros. João Cazeiro, diretor de desenvolvimento da rede Livá, diz que, embora o público doméstico seja relevante, a demanda externa é nítida.

“São muitos estrangeiros, sobretudo argentinos. Nossos ‘hermanos’ são o principal fluxo por aqui”, afirma.

Na região Sul, os hotéis da rede Livá atraem turistas uruguaios e chilenos, frequentes em destinos como Balneário Camboriú, em Santa Catarina, e Gramado (RS). Com R$ 18,8 milhões de faturamento em 2025, a rede Livá dobrou de tamanho no mesmo ano. Passou de três para seis unidades, o que consolidou sua transição de startup para empresa de médio porte. Agora, a meta é encerrar 2026 com 12 hotéis.

Com relação à rentabilidade, após alcançar o “break-even” em 2025, a expectativa de Ebitda para este ano é superior a R$ 1 milhão. Hoje, a rede administra 600 apartamentos, com previsão de ultrapassar mil unidades até o fim do ano. O pipeline inclui 22 contratos assinados, que devem colocar mais de 3 mil quartos sob gestão até o fim de 2028. A meta da rede Livá é se posicionar entre as dez maiores operadoras hoteleiras do Brasil.

Em construção na Península de Maraú, na Bahia, o novo projeto da Livá recebeu investimento de R$ 120 milhões e mira o hóspede estrangeiro com alto poder aquisitivo. O empreendimento tem 22 casas no conceito “upscale” (residências com serviço hoteleiro de luxo). A multipropriedade é um dos pilares centrais do modelo de negócio da Livá, que reúne 35 mil multiproprietários em sua base de dados. Cazeiro ressalta que se trata de uma operação extremamente complexa, porque um único apartamento pode ter até 52 donos diferentes.

A atração do turista estrangeiro é estratégica para o governo federal. Bruno Rios, presidente da Embratur, aponta a expansão estrangeira como um investimento estratégico na pluralidade de destinos do país, a partir de campanhas lançadas pela agência pública.

“Para o futuro, a meta é transformar pequenas empresas de turismo em médias, seguindo modelos de sucesso internacionais e fomentando o surgimento de novos CNPJs fora dos grandes eixos urbanos”, afirma Rios.

No primeiro trimestre deste ano, os turistas que desembarcaram no Brasil desembolsaram US$ 3,2 bilhões, receita 12% maior que a registrada no mesmo período de 2025. A meta da Embratur é consolidar o estilo de vida brasileiro como um diferencial competitivo global. “O soft power brasileiro é um ativo que vale muito hoje”, afirma Rios.

Fonte: Valor Econômico

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