Governo do Peru aprova empréstimos de US$ 2 bi para Petroperú

Medida extraordinária permitirá que a estatal sustente suas operações energéticas
12/05/2026

O governo do Peru estabeleceu, na segunda-feira (11), medidas extraordinárias para que a Petroperú (estatal de energia) mantenha as operações energéticas no país. 

Entre as medidas do decreto de emergência nº 003-2026, divulgado no Diário Oficial, está o empréstimo de US$ 2 bilhões, que virá de bancos privados. Além disso, o Ministério de Minas e Energia do país poderá assumir compromissos contingentes de curto prazo no valor de  US$ 500 milhões. 

Um veículo será criado especialmente para direcionar o dinheiro obtido pelos bancos, a fim de protegê-lo de dívidas anteriores. O fundo será controlado pela ProInversión e terá uma garantia não financeira respaldada pelo Ministério da Energia e Minas.

“Pela primeira vez, o financiamento não virá do tesouro público, nem um sol dos impostos de todos os peruanos será tocado”, disse o primeiro-ministro, Luis Arroyo, durante o anúncio. 

Os recursos adquiridos serão destinados somente à compra de petróleo bruto e para a cadeia de suprimento. De acordo com nota do governo, é uma reforma estrutural e não um resgate financeiro estatal, já que é importante garantir o fornecimento de combustível em todo o país, especialmente em áreas como Loreto, Madre de Dios e Ucayali (Petroperú detém 85% de participação nos locais). 

O primeiro-ministro também afirmou que a companhia não deixará de ser uma estatal, mas que a gestão precisa mudar para ser mais sustentável. “Este governo de transição assumiu um compromisso: não repetir os erros do passado”, destacou Arroyo. 

No dia 1º de janeiro, o governo publicou o Decreto de Emergência nº 010/2025, que prevê medidas para reorganizar os ativos e a operação da estatal. O decreto de emergência nº 003-2026 permite que se cumpra em efetivo o estabelecido no primeiro decreto. 

Neste recente decreto, o governo elenca alguns motivos para que seja necessário o auxílio financeiro, como a guerra no Oriente Médio. O Peru é um país importador e o aumento dos preços do petróleo gerou alta “substancial nos preços de aquisição de petróleo bruto e produtos refinados no mercado internacional de hidrocarbonetos. bem como o transporte marítimo, que tem afetado as perspectivas de crescimento da economia global e, em particular, da economia peruana”.

Também houve o rebaixamento da classificação de risco de crédito internacional pela Moody’s Ratings e falhas imprevistas nas operações de produção e fornecimento de combustível. 

“Este é um suporte estratégico para gerar confiança no mercado privado sem saída de recursos do tesouro. Esse modelo tem um princípio fundamental: proteger o dinheiro de todos os peruanos”, finalizou Arroyo.

Fonte: Brasil Energia

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