22/05/2026
A crescente demanda por energia impulsionada pela inteligência artificial (IA), expansão dos data centers e busca por maior segurança energética deve acelerar as operações de fusões e aquisições (M&A) nos setores de energia, utilities e recursos naturais (EU&R) em 2026. Segundo relatório da PwC, empresas e investidores já estão reposicionando portfólios e formando parcerias para ampliar capacidade, reduzir riscos e capturar oportunidades de longo prazo em infraestrutura energética.
Divulgado nesta sexta-feira, 22 de maio, o documento destaca que movimento não representa apenas um ciclo de mercado, mas uma transformação estrutural na forma como ativos de energia e infraestrutura são avaliados, financiados e negociados. Nesse cenário, ativos capazes de garantir escala, previsibilidade de receita e resiliência operacional ganham protagonismo nas estratégias de investimento.
A expectativa é de maior interesse por projetos de geração de energia, armazenamento em baterias (BESS), transmissão, infraestrutura de rede, gás natural liquefeito (GNL), energia nuclear e minerais críticos. Todos esses segmentos são vistos como essenciais para sustentar o crescimento da demanda digital e fortalecer a segurança do abastecimento energético.
O relatório também aponta que o volume de investimentos exigido para expansão da infraestrutura abre espaço para uma participação crescente de fundos de investimento, investidores soberanos e gestores de crédito privado. Ao mesmo tempo, empresas do setor têm recorrido a consórcios e modelos de coinvestimento para compartilhar riscos e acelerar a execução de projetos.
“A criação de valor se concentra cada vez mais em parcerias estratégicas e transações orientadas por plataformas de investimentos: geração, contratos de longo prazo de compra de energia (PPAs), usinas virtuais de energia, fechamento de capital e carve-outs. A diligência se torna mais localizada, com maior atenção a marcos regulatórios, dinâmicas de precificação de energia e ao equilíbrio entre exposição contratada e no mercado livre”, diz trecho do documento.
De acordo com a consultoria, os operadores de M&A priorizam ativos contratados, em operação ou conectados à rede, capazes de entregar capacidade no curto prazo. Além disso, a transmissão continua sendo um gargalo no setor, sendo capaz de atrair capital.
O documento também aponta que ativos com fluxos de caixa regulados ou contratados são negociados com prêmio, o que reflete a previsibilidade das receitas e o perfil de recuperação de custos.
Gás natural ganha espaço nas estratégias de investimento
A PwC avalia que o gás natural e o GNL devem desempenhar papel relevante nas operações de M&A do segmento de óleo e gás em 2026, impulsionados pela necessidade de garantir fornecimento confiável em um cenário de instabilidade geopolítica. A escalada das tensões no Oriente Médio e os riscos ao tráfego no Estreito de Ormuz reforçam as preocupações globais com segurança energética e volatilidade de preços.
No Brasil, a predominância de fontes renováveis na matriz elétrica tende a ampliar a importância do gás natural como fonte firme e despachável, fortalecendo teses de investimento e movimentos de consolidação no setor energético.
Além disso, a PwC afirma que a atividade de fusões e aquisições deverá ser influenciada por fatores como mudanças regulatórias, manutenção dos juros em níveis elevados, implementação da reforma tributária e o ambiente político relacionado às eleições de 2026. Esses elementos devem impactar as decisões de investimento e a dinâmica de consolidação nos segmentos de energia, utilities e infraestrutura.
“A aceleração da demanda por energia, impulsionada pela IA e pela expansão dos data centers, já produz efeitos concretos no Brasil. A combinação entre uma matriz energética diversificada, um amplo pipeline de projetos em energia e saneamento e maior previsibilidade regulatória reposiciona o país como um polo relevante de oportunidades em M&A. O desafio para os operadores será estruturar transações que conciliem escala, resiliência e disciplina de capital em um ambiente marcado por juros elevados e transformações regulatórias”, comentou Daniel Martins,sócio e líder da Indústria de Energia e Serviços de Utilidade Pública da PwC.
Números de 2025
O valor global das operações de M&A no setor de energia, utilities e recursos naturais cresceu 27% em 2025, mesmo com queda de 2% no volume de negócios. Esse desempenho foi sustentado por 20 transações superiores a US$ 5 bilhões, em comparação com apenas seis em 2024.
As operações cobriram setores variados: energia limpa e geração elétrica, petróleo e gás upstream e de xisto, distribuição de gás natural, infraestrutura de midstream, varejo de combustíveis, distribuição e produtos químicos. Para a consultoria, o resultado evidencia o retorno do dinamismo ao topo do mercado.
As Américas responderam por 41% do volume e 62% do valor das transações em 2025, concentrando 14 das 20 maiores transações.
Fonte: MegaWhat




