Data centers não buscam preço, e sim infraestrutura disponível, diz Hitachi

23/06/2026

Em um mundo cada vez mais conectado e eletrificado, a demanda por equipamentos de transmissão aumentou “exponencialmente”, conta Glauco Freitas, presidente da Hitachi Energy no Brasil e head de South Latam da companhia. E, a esta demanda crescente, os data centers somam uma nova pressão.

“[O data center] não se importa com o preço, ele está se importando com a disponibilidade dos equipamentos. Porque um data center de 1 GW fatura US$ 100 milhões por dia”, disse Freitas durante painel no evento Energy Summit, no Rio de Janeiro. Segundo o executivo, o custo de instalação de um data center é de US$ 6 bilhões a cada 100 MW, e a infraestrutura de energia representa apenas 1,5% do investimento total.

Ele conta que, além de fornecimento ininterrupto de energia renovável, abundante e barata, os data centers buscam redundância de -3, ou seja, proteção de duas falhas para que apenas a terceira possa afetar o fornecimento. Esta tecnologia tem um custo e, para Freitas, o planejador deve equilibrar a modicidade tarifária aos investimentos necessários à expansão do setor e atratividade destes investimentos. “Eu vejo a Aneel preocupada com isso”, avalia.

Apesar disso, o executivo acredita que a regulação no Brasil e a expansão da infraestrutura precisam avançar de forma mais acelerada para garantir os investimentos. “O data center quer se estabelecer em 18, 24 meses.  A infraestrutura de transmissão de energia vai precisar de 3, 4 anos para ficar pronta. Então tem um descasamento. Eu perco a primeira onda, mas eu tenho que garantir a segunda. Acho que essa é a nossa obrigação, garantir que essa demanda venha para o Brasil”, disse o executivo à MegaWhat após o painel.

Leilões de transmissão e baterias

O setor tradicional de transmissão continua sendo o principal mercado da Hitachi, ainda que os data centers envolvam um potencial grande de crescimento.  “O meu planejamento é baseado na transmissão de energia. A cereja do bolo é o mercado de data center”, diz.

Assim, a companhia acompanha de perto a agenda de leilões, que tem previstas duas disputas para contratação de transmissão, em julho e outubro, e duas para baterias em dezembro.

Em relação aos leilões de transmissão, Freitas avalia que o certame deveria ter maior dimensão, incluir a conexão com a Bolívia, antecipar a linha entre o Nordeste e o Sul, além de prever soluções que aumentem a resiliência da rede em função da intermitência da geração solar e eólica. Mesmo assim, ele avalia que os produtos a serem licitados são importantes.

O executivo também vê com bons olhos a realização do leilão de baterias, apesar de avaliar que o Brasil chega com atraso a este mercado. “O Chile tem hoje 100 GW em construção [de baterias], 12 GW em operação, mais 12 GW para ser elevado neste ano, e a gente está falando em 5 GW aqui no Brasil”, avalia.

Hitachi investe US$ 240 milhões em expansão de plantas e serviços

Para atender à demanda crescente tanto de transmissão quanto de data centers, a Hitachi iniciou em 2024 um projeto de expansão da capacidade produtiva no Brasil, com investimentos que totalizam US$ 270 milhões. “É um investimento na expansão da nossa fábrica de Guarulhos e depois na construção de uma nova fábrica. E com isso a minha capacidade de produção aumenta em 120%”, diz Freitas.

Além disso, a empresa decidiu investir mais US$ 10 milhões em um novo centro de serviços no país, que podem aliviar a pressão por novos equipamentos. “A demanda é tão grande que serviços virou uma alternativa. Em vez de fabricar um novo [equipamento], eu reforço eu melhoro, eu retrofito eu trago as condições de operação iniciais, ou melhoro [o desempenho]”, explica o executivo.

A expansão da planta existente em Guarulhos deve ser concluída no próximo mês, enquanto a nova fábrica deve estar operacional no fim de 2027. O centro de serviços tem previsão de conclusão até o começo de 2027. Na Colômbia, a Hitachi também investiu US$ 80 milhões na expansão de uma fábrica de transformadores. “Com isso, eu viro uma referência na América Latina”, diz Freitas.

O chefe da região de South Latam explica que a área, com destaque para o Brasil, exporta produtos e serviços para Estados Unidos, Europa e Oriente Médio. “Das 200 fábricas que a Hitachi tem no mundo, a nossa fábrica do Brasil entre as Top 3 faz 4 anos”, conta.

As características da região, com muita geração renovável e intermitente, também proporcionam ganhos em inovação e gestão de redes.  “Eu viro um laboratório vivo de soluções para intermitência de rede, resiliência, robustez, flexibilidade. Então, isso tudo junto está dando protagonismo ao Brasil e à região”, diz Freitas.

Fonte: MegaWhat

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