Cenário fiscal é maior preocupação de investidor estrangeiro com Brasil

Apenas 34,3% veem o Brasil como principal destino de capital na América Latina, aponta pesquisa
28/05/2026

Após cinco anos seguidos de crescimento do PIB, o Brasil está sendo observado por empresários estrangeiros como uma boa opção no cenário internacional para ser destino de investimentos, tanto de ativos financeiros quanto de investimentos diretos. No entanto, o aumento da relação entre a dívida e o PIB, atualmente em 80%, segundo dados do Banco Central, é um fator de preocupação que tira o ímpeto de boa parte dos potenciais investidores internacionais.

Segundo uma pesquisa realizada pelo GRI Institute na primeira quinzena de maio, durante a Brazil Week em Nova York, 69,4% dos participantes classificam a economia brasileira como “estável”, mas apenas 34,3% veem o Brasil como principal destino de capital na América Latina. Isso porque a pesquisa intitulada Termômetro do GRI – Edição Especial GRI Brazil Investment Summit 2026, identificou que 82,7% dos entrevistados acreditam que a política fiscal e a gestão das finanças do governo federal têm impacto negativo e funcionam hoje como um

“O que constatamos é que o Brasil nunca esteve fora do radar dos executivos e investidores internacionais”, diz Moisés Cona, managing director do GRI Institute Infrastructure. “Mas existe uma preocupação real com a questão da disciplina fiscal no país, o que consequentemente impacta na percepção o cumprimento de contratos que são honrados, principalmente olhando contratos no modelo de Parcerias Público Privadas (PPPs) e outros contratos de longo prazo pensados dentro do Brasil.”

De acordo com Cona, os dados da pesquisa acendem um sinal de alerta. “Mostra claramente que há um obstáculo para o Brasil atrair um capital que existe e até tem o interesse de ser direcionado ao país, mas ainda tem receio devido a uma questão específica. E é um capital importante para ajudar a manter o crescimento da economia brasileira.”

A pesquisa, que foi feita com uma amostra de 150 participantes estrangeiros na Brazil Week, identificou que 34,3% reconhecem o Brasil como principal destino de investimentos na América Latina e uma das melhores opções entre os países emergentes no mundo. Segundo Cona, é um dado positivo que mostra o potencial do país.

Contudo, o componente da disciplina fiscal volta a aparecer como receio quando perguntados sobre o próximo ciclo político no país a partir da eleição presidencial de 2026. Para 37,5%, disciplina fiscal e previsibilidade de gastos é o tema mais importante que deve ser considerado pela próxima gestão presidencial, seguido por estabilidade  institucional e respeito a contratos (25%). Visão de Estado de longo prazo também foi mencionada por 18,7% dos empresários e executivos estrangeiros quando questionados sobre o Brasil. “Em relação ao calendário eleitoral, o que sentimos é que, no fim das contas, investidores acostumados a fazer aportes de longos prazos em outros países estão acostumados com alguns sobressaltos políticos ou transições de governo, que são vistas como questões momentâneas. O que mais importa, na verdade, são questões técnicas de longo prazo, como respeito a contratos e questões de marcos jurídicos e regulatórios, por exemplo, além de saúde fiscal e taxas de juros”, explica Cona.

Fonte: Valor Econômico

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