12/06/2026
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou duas transações envolvendo a venda de participações em concessões de transmissão da Neoenergia e da Energisa, operações que, juntas, movimentam cerca de R$ 4,7 bilhões.
As aprovações foram formalizadas por meio de despachos publicados no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira, 12 de junho. As operações estão sujeitas à anuência da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Acordo Neoenergia
Um dos acordos aprovados prevê a aquisição indireta de 49% das ações representativas do capital social de sete ativos de transmissão da Neoenergia pelo Unique Power FIP, fundo vinculado ao GIC, o fundo soberano de Singapura. A operação foi anunciada em abril deste ano pelas empresas.
O valor negociado é de R$ 2,4 bilhões, na data-base de 30 de setembro de 2025, e sujeito a ajustes até a conclusão da transação. Os ativos envolvidos no acordo são a Neoenergia Guanabara, Neoenergia Vale do Itajaí, Potiguar Sul, Neoenergia Morro do Chapéu, Neoenergia Estreito, Neoenergia Alto Paranaíba e Neoenergia Paraíso.
A operação também prevê a aquisição de 1% da Neoenergia Transmissão pela Neoenergia, que passará então a ser controladora da joint venture com 51% de participação.
O acordo está inserido no contexto da parceria estratégica firmada entre as empresas em 2023 e representa a terceira transação realizada desde então.
Ao Cade, a Neoenergia informou que a operação integra sua estratégia de rotação de ativos, permitindo captura de valor em projetos de infraestrutura maduros com receita fixa.
Ao final da operação, a Neoenergia Transmissão deterá 16 ativos de transmissão, totalizando aproximadamente 6.710 quilômetros de linhas, com uma Receita Anual Permitida (RAP) estimada em cerca de R$ 1,8 bilhão. Segundo a companhia, este portfólio posiciona a joint venture entre as cinco maiores transmissoras do país.
Já Unique Power disse ao Cade que a operação irá reforçar o compromisso com investimentos de longo prazo em ativos estratégicos no Brasil, ampliando sua exposição ao segmento de transmissão por meio de parceria com um operador consolidado no setor elétrico.
Operação da Taesa
O outro acordo aprovado pelo Cade envolve a aquisição de cinco concessões de transmissão de energia da Energisa, em uma operação precificada em R$ 2,3 bilhões, pela Taesa. O negócio foi anunciado em maio deste ano pelas empresas.
Os empreendimentos comprados da Energisa estão em operação comercial e têm concessão remanescente de cerca de 22 anos, somando 1.305 km de linhas de transmissão e 12 subestações. Com esta aquisição, a capacidade de transformação da Taesa aumenta em 33%, atingindo cerca de 18 mil MVA.
Ao Cade, a Taesa informou que a operação reflete sua estratégia de crescimento com disciplina financeira, expectativa de manutenção do perfil de crédito, eficiência operacional e alocação de capital em ativos de transmissão de alta qualidade, agregando ativos operacionais com vencimento de longo prazo e sinergias.
Na época de divulgação do acordo, Mauricio Dall’Agnese, diretor de Negócios e Inovação da transmissora, o investimento deve gerar retorno superior a dois dígitos sobre o capital aplicado, patamar que supera o custo de capital normalmente observado no segmento de transmissão de energia.
Ele também destacou que os ativos estão localizados nos estados de Tocantins, Pará, Goiás e Bahia, regiões que apresentam sinergia com as atuais concessões da Taesa. Segundo Dall’Agnese, essa complementaridade pode facilitar a integração operacional e abrir oportunidades relevantes para a captura de sinergias, ganhos de eficiência e geração de valor adicional ao longo do período de concessão.
Por sua vez, a Energisa disse ao órgão antitruste que a operação faz parte de sua estratégia de otimização de sua estrutura e reciclagem de capital, com vistas a destinar recursos e investimentos à sua trajetória de desalavancagem.
Fonte: MegaWhat




