‘Baterias ajudam, mas não resolvem sobreoferta’, avaliam agentes

19/06/2026

As baterias, antes apontadas como importante elemento para solucionar o problema dos cortes por falta de demanda, agora são avaliadas com maior ceticismo por alguns agentes.

“O leilão de baterias é um sinal para a gente conseguir ajustar um pouco do problema da demanda. Ele começa a deslocar a carga e é importante a gente saber que as baterias não resolvem [o problema], porque deslocam a carga.  Então, afinal, sempre vai faltar demanda”, disse a presidente da SPIC Brasil, Adriana Waltrick, nesta quinta-feira, 18 de junho, durante o Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase), no Rio de Janeiro.

No mesmo painel, Fabio Bortoluzo, country manager do Brasil da Atlas Renewable Energy, que em 2025 inaugurou um projeto de 200 MW de baterias no Chile, ponderou que os sistemas de armazenamento “não resolvem o problema da demanda em si, mas resolvem o da oferta e ajuda a viabilizar novos projetos”.

Um dia antes, também no Enase, o presidente da Eneva, Lino Cançado, também disse que as baterias podem “não contribuir praticamente em nada para o sistema”, dependendo da localização em que forem instaladas.

Para evitar este cenário, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) deve publicar, até 30 de setembro, as regiões e limites para escoamento de carga e injeção na rede. Um mapeamento da Empresa de Pesquisa Energética (EPE)  também deve apontar as regiões com melhor benefício para o sistema com a instalação de baterias.

Data centers

Waltrick também vê com ressalva a carga por data centers, mesmo aqueles fora da rede, instalados próximos a parques geradores.  “É um primeiro sinal sim, mas tem um hype nos data centers. A própria EPE vê que até 2030 estão faltando 4 GW. Não resolve. Ajuda, mas não resolve”, avalia.

No mesmo painel, o presidente da ISA Energia, Rui Chammas, lembrou de empecilhos do ponto de vista de incentivos para o segmento de data centers. “A gente fala dos data centers  com a esperança de que eles vão resolver os problemas, mas o Brasil ainda não tem o Redata”, comentou.

Por outro lado, o executivo ponderou ser importante que os empreendedores de data centers tenham um planejamento mais alongado e se aproximem de entidades planejadoras, como a EPE, para desenhar seus projetos.

“O empresário de data center quer tomar a decisão hoje e em 18, 24 meses ter um data center operacional com uma carga de pelo menos 500 MW. Eles pedem algo que eu não tenho disponibilidade na rede de transmissão para abastecer. Só para encontrar um transformador, eu demoro hoje 36 meses”, disse.

O executivo também mencionou a necessidade de construção de infraestruturas, como linhas de transmissão, que demoram anos até ficarem operacionais.

Expansão da oferta foi mais rápida que crescimento da demanda

Para os especialistas, o crescimento da demanda por energia não acompanhou a velocidade  da expansão da oferta renovável. A carga, entretanto, não é “facilmente resolvida”, indica Waltrick.

Para ela, é importante construir demanda nova no país, atraindo novos consumidores e clusters industriais, como aço, alumínio e, no longo prazo, ohidrogênio verde.

“A demanda de energia no Brasil cresce pouco, algo de 2%, 3% nos próximos anos. [Com] esse crescimento, sem resolver a questão da distribuição da energia no tempo, vai precisar de muita reserva de capacidade para atender a demanda no final do dia”, avaliou Chammas.

Fonte: MegaWhat

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