Inteligência em engenharia e controle da gestão explicam atuação do banco para avançar em transmissão, segundo executivo
24/02/2026
O BTG Pactual foi um dos protagonistas dos leilões de transmissão de 2024, arrematando quatro projetos, atualmente em construção. Com previsão de começarem a ser ativados em 2027, esses empreendimentos vão fechar um portfólio de pouco mais do que 2,5 mil km de linhas de transmissão, segundo Daniel Epstein, sócio da área de capital privado do banco.
Experiente no mercado de infraestrutura, o executivo adiantou à Brasil Energia que os projetos devem ser entregues no prazo e representam 90% da extensão de linhas previstas. Em termos de Receita Anual Permitida (RAP), a representatividade é maior: R$ 726,4 milhões contra a RAP atual de R$ 119,4 milhões do projeto Tropicália, o único operacional, com 260 km de extensão, obtido via leilão em 2015.
A infraestrutura final também inclui a construção de quatro subestações e 13 bays para conexão de outras transmissoras dentro das subestações.
Antes deles, a incursão no segmento aconteceu em 2005, com a parceria com antiga Eletrobras, atualmente Axia Energia. Nesse caso, os ativos foram repassados à Equatorial. Segundo Epstein, a filosofia do banco é manter as operações atuais.
Para ele, duas outras características explicam a atuação do banco no setor. A primeira delas é o desenvolvimento de uma inteligência proprietária em engenharia. Ou seja, ao longo de duas décadas, o BTG manteve essencialmente a mesma equipe multidisciplinar, que foi ajustando a estratégia e ganhando conhecimento em construção e engenharia na área de transmissão.
“A decisão de absorver a inteligência de engenharia para dentro de casa tornou-se uma alavanca crucial, permitindo ao BTG avaliar leilões de forma mais competitiva e desenvolver os projetos controlando custos e prazos de forma independente”, resume o executivo.
O segundo pilar de atuação no segmento é a busca por controle e gestão. Epstein lembra que, como um investidor ativo, o BTG tem gosta de ter o controle sobre os seus investimentos.
“A união da já estabelecida expertise em estruturação financeira com os novos conhecimentos em engenharia e operação resultou em um modelo que traz mais segurança e competitividade para a implantação dos projetos”, complementa.
Detalhe: apesar de atuar de forma direta na construção e operação como um player do setor de energia, toda a participação do BTG se dá exclusivamente por meio de fundos de investimento, compostos por capital privado e de terceiros. A instituição atua como gestora desses fundos, não utilizando capital proprietário do banco para os desenvolvimentos.
O avanço dos novos projetos em construção deve ter ajustes, mas não muda a filosofia, de acordo com Epstein. O único projeto ativo conta com a prestação de serviços de terceiros, mas para as novas linhas que estão sendo construídas, o BTG deverá ter uma equipe interna ampliada, dedicada para realizar a manutenção, monitoramento de campo e operação técnica, contando com terceiros para apoio.
A combinação de experiência financeira com engenharia também ajuda no estudo dos leilões para 2026 e 2027. Segundo o especialista do BTG, esse conhecimento proprietário em engenharia permite ao banco realizar investimentos significativos na fase de pré-leilão. Essa expertise é utilizada para avaliar oportunidades com antecedência e mapear todos os riscos e o perfil específico de cada lote, garantindo uma participação mais forte nas licitações. O fundo tem
Um ponto em comum, na avaliação do executivo, é o direcionamento dos investimentos em infraestrutura que reduza a possibilidade de curtailment. A principal iniciativa nesse sentido é o investimento em linhas de transmissão posicionadas em regiões estratégicas que conectam o Nordeste ao Sudeste do Brasil.
Epstein explica que o BTG avalia os dois certames deste ano, da mesma forma que estuda a possibilidade de entrar na disputa do leilão de reserva de capacidade com uso de sistemas de armazenamento em baterias (BESS). Ele não confirma a participação direta, mas deixa claro que a tecnologia está no radar da instituição.
“Os especialistas do banco estão sempre observando as tendências do setor e mapeando novas tecnologias para entender se elas se encaixam ou não dentro da estratégia de investimentos do fundo”, finaliza.
Fonte: Brasil Energia



