Demanda por energia deverá crescer + de 3,5% ao ano até 2030

AIE prevê que a participação das energias renováveis ​​e da energia nuclear na matriz energética mundial aumentará para 50% até o final desta década, acompanhando também o crescimento do gás natural

A demanda global por energia deverá crescer mais de 3,5% ao ano, em média, durante o restante desta década, com a geração de eletricidade a partir de fontes renováveis, gás natural e energia nuclear se expandindo para acompanhar esse ritmo. A informação faz parte de relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) sobre os sistemas e mercados globais de eletricidade. 

Segundo o documento, a demanda por eletricidade deverá crescer pelo menos 2,5 vezes mais rápido que a demanda total de energia até 2030, impulsionada pelo aumento do uso industrial de eletricidade, pela crescente adoção de veículos elétricos, pelo maior uso de ar-condicionado e pela expansão de data centers e inteligência artificial. 

A agência destaca que, embora as economias emergentes e em desenvolvimento continuem sendo os principais motores do crescimento da demanda por eletricidade, o consumo das economias avançadas também está aumentando após 15 anos de estagnação, contribuindo com um quinto do aumento total da demanda por energia até 2030.

Participação das renováveis ​​e da energia nuclear aumentará para 50%

O relatório constata que a geração global de eletricidade a partir de fontes renováveis ​​– impulsionada pela implantação recorde de energia solar fotovoltaica – está agora em processo de ultrapassar a geração a partir do carvão, depois de praticamente igualá-la em 2025, com base nos dados mais recentes disponíveis. 

A produção de energia nuclear também atingiu um novo recorde. O impulso em torno das fontes de geração de baixa emissão continua até 2030, altura em que as energias renováveis ​​e a energia nuclear deverão, juntas, gerar 50% da eletricidade global, contra 42% atualmente.

Carvão perde espaço, gás cresce

A produção de energia a gás natural também deverá crescer até 2030, impulsionada pelo aumento da demanda por eletricidade nos Estados Unidos e pela contínua substituição do petróleo pelo gás natural na geração de energia no Oriente Médio.

A geração de energia a carvão perde espaço globalmente com a expansão das energias renováveis, retornando aos níveis de 2021 até o final da década. Como resultado, espera-se que as emissões globais de CO₂ provenientes da geração de eletricidade permaneçam praticamente estáveis ​​entre agora e 2030.

Crescimento da rede e de investimentos

O relatório enfatiza que essas tendências – demanda crescente, uma matriz energética cada vez mais dependente das condições climáticas e a evolução dos padrões e tecnologias de consumo de eletricidade – exigem uma expansão rápida e eficiente tanto das redes elétricas quanto da flexibilidade do sistema. 

Atualmente, mais de 2.500 GW em projetos, incluindo energias renováveis, armazenamento e projetos com grandes cargas, como data centers, estão paralisados ​​em filas de conexão em todo o mundo.

Expansão das redes pode viabilizar mais 1,6 GW

Uma nova análise do relatório conclui que, à medida que a expansão das redes elétricas avança, a implantação de tecnologias que aprimoram a rede e a implementação de reformas regulatórias que permitam conexões e uso mais flexíveis da rede podem viabilizar a integração de até 1.600 GW de projetos em espera em curto prazo. Juntas, essas medidas permitiriam que a rede fosse usada com mais eficiência e liberariam uma capacidade substancial.

“Atender a essa demanda exigirá um aumento de 50% nos investimentos anuais em redes elétricas até 2030. A expansão da flexibilidade também será crucial à medida que as redes de energia continuem a evoluir, assim como um forte foco em segurança e resiliência”, aponta Keisuke Sadamori, diretor de Mercados e Segurança de Energia da AIE.

O relatório constata que as instalações de armazenamento de energia em baterias em escala de serviços públicos aumentaram acentuadamente: mercados como Califórnia, Alemanha, Texas, Austrália do Sul e Reino Unido registraram um forte crescimento na implantação de capacidade de armazenamento de energia em baterias em escala de serviços públicos nos últimos anos, o que, segundo a agência, proporciona uma importante fonte de flexibilidade a curto prazo.

Acessibilidade segue como preocupação

O relatório “Eletricidade 2026” também observa que a acessibilidade da eletricidade continua sendo uma preocupação fundamental e crescente. Os preços da eletricidade para uso doméstico em muitos países aumentaram mais rapidamente do que a renda desde 2019. 

Os preços elevados também estão pressionando indústrias e empresas. Como resultado, os formuladores de políticas estão se concentrando em políticas, modelos de mercado e regulamentações que proporcionem não apenas investimentos adicionais, mas também maior flexibilidade e eficiência em todas as partes do sistema de energia, incluindo demanda, oferta e uso da infraestrutura.  

Segundo o relatório, são necessários maiores esforços para melhorar a segurança e a resiliência dos sistemas de energia em todo o mundo, que enfrentam riscos crescentes associados à infraestrutura obsoleta, eventos climáticos extremos, ameaças cibernéticas e outras vulnerabilidades emergentes. Modernizar o funcionamento dos sistemas, bem como fortalecer a proteção física da infraestrutura crítica, será essencial para combater essas ameaças, enfatiza o relatório.

Fonte: Brasil Energia

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