Desafios incluem restrição espacial, capacidade do cais e profundidade do berço
28/10/2026
Os portos brasileiros precisam de US$ 27,5 milhões a US$356,5 milhões em investimentos para se tornarem aptos a apoiar as atividades de geração de energia em alto-mar, de acordo com o estudo Capacidades atuais e perspectivas de portos brasileiros para projetos de energia eólica offshore (.pdf).
O documento foi divulgado nesta quarta-feira (28/10) pelos Ministérios de Minas e Energia (MME) e dos Portos e Aeroportos (MPor), em conjunto com a Agência Dinamarquesa de Energia (DEA).
Os maiores investimentos são necessários para receber os projetos de large offshore, que vão ficar a mais de 20 km da costa, com turbinas de 15 a 20 megawatts (MW).
Seis portos com maior potencial
Os portos são considerados uma infraestrutura essencial para o setor.
Ao todo, o estudo identificou seis portos brasileiros com maior potencial para apoiar projetos de eólica offshore. Foram apontados dois da região Nordeste (Pecém e Suape), dois da Sudeste (Central e Açu) e dois da Sul (Imbituba e Rio Grande).
O documento, desenvolvido pela consultoria Cowi, fez uma triagem de cinco etapas em 43 portos.
Foram considerados critérios como a distância até os locais propostos para parques eólicos offshore, profundidade e largura do canal, dimensões do raio de giro, comprimento e capacidade de carga do cais, disponibilidade de área de pátio e potencial de desenvolvimento mais amplo.
O nível de preparação dos seis portos identificados varia. Atualmente, nenhum deles está equipado para abrigar um grande terminal para eólica offshore e todos dependem de investimentos adicionais.
Entre as questões mais comuns estão a restrição espacial, a capacidade do cais e a profundidade do berço.
O estudo aponta também lacunas estruturais para essas iniciativas, como a falta de coordenação entre o planejamento da energia eólica offshore e a regulamentação portuária, e a fragmentação da competência jurídica.
Além disso, o mercado ainda aguarda o decreto das eólicas offshore no Brasil.
A conclusão do Grupo de Trabalho Eólicas Offshore, responsável por regulamentar a atividade, está prevista para o final de novembro.
Prioridades
O estudo recomenda que, até 2028, seja dada prioridade à regulamentação, assim como ao planejamento espacial das zonas prioritárias de desenvolvimento, ao licenciamento ambiental e à integração das necessidades logísticas dos projetos de eólica offshore com o zoneamento portuário.
Já para o período entre 2029 e 2032, a sugestão é a criação de programas para capacitar profissionais para esse mercado, a promoção de estruturas de incentivo e a redução de riscos financeiros.
“Entregamos um diagnóstico técnico e estratégico essencial sobre a prontidão e a capacidade dos portos brasileiros, sem caráter impositivo, mas como um guia para subsidiar as melhores decisões de investimento. A atuação conjunta entre o MME e o MPor demonstra que o planejamento da transição energética brasileira caminha lado a lado com a logística portuária”, afirmou a diretora do departamento de Transição Energética do MME, Karina Araújo, em nota.
Fonte: Eixos



