Petrobras não aposta em bloqueio de Trump ao diesel e cita Índia como alternativa aos EUA

Magda Chambriard disse que a carga de outubro já está comprada e que a estatal conversa com refinadores indianos, incluindo a Reliance; Casa Branca desmentiu a proibição, segundo a executiva
24/09/2026

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta quinta (24/9) que não aposta na suspensão das exportações de diesel dos Estados Unidos, defendida pelo presidente norte-americano, Donald Trump. Segundo a executiva, a estatal tem a Índia como fonte alternativa caso a medida saia do papel.

A declaração foi dada a jornalistas na ROG.e, no Rio de Janeiro, depois da cerimônia de encerramento do evento.

Segundo Chambriard, a Casa Branca teria recuado da ideia.

“A única coisa que a gente sabe é que em tempos conturbados como o que nós estamos vivendo hoje, tudo que a gente fizer em prol da segurança energética do país é válido”, disse, ao ser perguntada se apostava na suspensão das exportações.

A ameaça de Trump chega às vésperas de outubro, mês de pico das vendas de diesel no Brasil, e num momento em que os EUA responderam por 68% das importações brasileiras de julho e agosto, segundo o Comex Stat.

A Rússia, que forneceu 47% do diesel importado pelo país em 2025, proibiu a maior parte das exportações em julho.

Índia como alternativa

Questionada sobre como substituir o diesel norte-americano em caso de bloqueio permanente, Magda citou os refinadores indianos, com os quais a Petrobras já negocia.

“A gente compra diesel, por exemplo, da Índia. A gente teve uma conversa interessante com os refinadores da Índia, inclusive com o maior refinador, que é a Reliance”, afirmou.

Índia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Omã responderam juntos por 16% das importações brasileiras de diesel neste ano, mas ficaram meses sem embarcar por causa da guerra no Oriente Médio. Só a Índia voltou com volume em agosto.

Carga de outubro comprada

A Petrobras já comprou a carga de diesel importado de outubro, como havia informado na quarta (23/9) a diretora de Logística, Comercialização e Mercados, Angélica Laureano.

Para novembro, Chambriard disse que há previsão de importar, mas que a necessidade pode não se confirmar com o fim da safra.

“Ainda tem um resto de safra, mas talvez não haja necessidade”, afirmou.

“Até agora não está faltando nada e nossas projeções não são de falta”, acrescentou.

Autossuficiência

Segundo a executiva, a estatal amplia a produção de diesel de duas formas: aumento da capacidade de refino e mudança de processo para elevar a fatia de combustíveis de maior valor.

Mas os conflitos internacionais pesaram na decisão da companhia de buscar a autossuficiência no refino.

“A guerra exacerbou, vamos dizer assim, a preocupação com o abastecimento do país e, portanto, exacerbou o nosso ímpeto para entregar 100% do nosso potencial”, explicou Chambriard.

Em agosto, a Petrobras respondeu por 86% do diesel entregue às distribuidoras.

Para os importadores privados, a dependência dos EUA é maior: 80% do diesel importado para outubro virá de lá, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), que alertou para a dificuldade de manter as operações em caso de proibição.

Fonte: Eixos

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