Presidente da Petrobras disse que companhia vai seguir com estratégia de ampliação do portfólio internacional, após descoberta de gás na Colômbia e entrada na Costa do Marfim
21/09/2026
Além do recado regulatório, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard antecipou, durante a abertura da Rog.e 2026 na segunda (21/9), que o plano de negócios 2027-2031 deverá incorporar a meta de tornar o Brasil autossuficiente na produção de diesel.
Atualmente, segundo Chambriard, a Petrobras fornece mais de 70% do diesel consumido no país e trabalha para elevar essa participação inicialmente a 90%. O agravamento dos conflitos internacionais, porém, levou a companhia a estudar uma meta mais ambiciosa.
“Nós estamos mirando no nosso plano de negócios 90%, e depois da guerra Estados Unidos-Irã passamos a estudar as possibilidades que muito provavelmente serão confirmadas no nosso plano de negócios 27-31 de atingir a autossuficiência na produção de diesel no Brasil”, afirmou.
A estratégia reforça o movimento de expansão do parque de refino e a tentativa da companhia de recuperar espaço no abastecimento doméstico, após venda de refinarias durante o governo Bolsonaro.
Para Chambriard, as tensões internacionais evidenciam a relação entre capacidade de produção, segurança energética e poder geopolítico.
A divulgação do novo plano de negócios deve ocorrer entre novembro e dezembro deste ano.
Expansão internacional
Chambriard também comentou a entrada do estatal no mercado de gás natural da Colômbia, onde possui descobertas em parceria com a Ecopetrol.
“Temos descobertas relevantes a desenvolver de gás na Colômbia”, disse Chambriard.
Segundo a executiva, a empresa já tem contratos para a comercialização do combustível no país.
A estatal faz parte do consórcio que opera a descoberta de Sirius, considerada a maior da história da Colômbia, com volumes estimados em mais de a 6 trilhões de pés cúbicos (Tcf) de gás natural in place.
Em dezembro, o consórcio comercializou 100% do volume disponível do campo — o equivalente a 7 milhões de m³/dia. Foram assinados, na ocasião, 66 contratos vinculativos, sujeitos a condições, com 17 contrapartes.
A companhia pretende continuar ampliar a presença internacional, em linha com a estratégia de buscar áreas com características geológicas semelhantes às encontradas no Brasil. Na semana passada, a Petrobras assinou oito contratos para exploração e produção assinados na Costa do Marfim.
Ao mesmo tempo, a companhia pretende sustentar a produção doméstica com projetos na Margem Equatorial, na Bacia de Pelotas e com tecnologias destinadas a prolongar a vida útil dos campos maduros.
Fusão com o agro
A presidente também reforçou a aproximação com o agronegócio como uma das principais frentes estratégicas da Petrobras.
A executiva voltou a chamar esse movimento de “fusão do setor petróleo com o setor do agro brasileiro”.
A estratégia, segundo ela, envolve a produção de biocombustíveis a partir de soja, milho, cana-de-açúcar e resíduos vegetais e animais, mas também a oferta de combustíveis para máquinas agrícolas e caminhões e o uso do gás natural na fabricação de fertilizantes.
“Eu não me refiro a negócios que competem entre si, eu me refiro a negócios absolutamente convergentes entre si”, disse Chambriard.
Segundo a executiva, a complementaridade passa por diferentes elos da cadeia.
“Nosso petróleo refinado em óleo diesel é fundamental para a produção rural e toda a logística do nosso transporte pesado. Nosso gás natural é associado ao petróleo e produzido no ritmo da produção desse petróleo, mas parte dele está destinado à fabricação de fertilizantes, parte está destinada à geração termoelétrica e à indústria em geral”, disse.
Fonte: Eixos



