19/08/2026
A Neoenergia avalia o decreto 13.097/2026, que traz a regulamentação sobre a entrada dos consumidores de baixa tensão no mercado livre, como positivo, por trazer certezas sobre quem assumirá o papel de supridor de última instância (SUI) e sobre o cronograma de três meses para a entrada dos novos consumidores. “Quando o cliente faz esse contrato, ele quer sentir o benefício rapidamente”, diz a diretora Comercial da Neoenergia, Rita Knop.
Outra boa notícia foi a possibilidade de migração com os atuais medidores, sem necessidade de substituição por medidores inteligentes. “É importante porque a gente não desprivilegia clientes. Então, todos são elegíveis para fazer essa migração”, avalia.
Apesar disso, o texto ainda é vago sobre um dos principais gargalos da comercialização, que é a atuação de “aventureiros” no mercado. Para Knop, essa é uma preocupação que vem da experiência internacional e que também já aconteceu no Brasil, durante a abertura do ACL para a alta tensão.
“Nessa primeira fase [da abertura do ACL para a alta tensão], eles entraram de uma forma muito agressiva, especialmente em preço, e depois não conseguiram honrar seus contratos por causa da volatilidade, da complexidade que tem o setor de energia”, disse a executiva em entrevista à MegaWhat.
Além dos custos para os agentes comercializadores, já que as inadimplências são rateadas pelos agentes credores da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), problemas de consumidores com comercializadoras que não honram os contratos são negativos para todo o mercado porque potencializam a desconfiança do consumidor, que é um dos principais desafios que o setor terá de resolver para garantir mais migrações.
“Perde a credibilidade, o cliente fica com medo: ‘Vi meu vizinho que ficou sem energia, eu não vou migrar, eu tô aqui confortável, prefiro pagar 10%, 20% a mais para ter segurança”, avalia Knop.
Ela conta que a Neoenergia já capturou alguns clientes que ficaram desassistidos por comercializadoras que quebraram, mas não avalia que esta é uma rota de negócios positiva e nem sempre é possível manter os mesmos preços “agressivos” negociados pela comercializadora anterior. “Não é só voltar para o SUI, é uma mudança de custo que ele vai ter”, diz, sobre a trajetória de consumidores de baixa tensão que ficarem sem fornecimento.
A executiva acredita que os critérios para comercializadoras varejistas para a baixa tensão serão definidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mas espera que os requisitos incluam garantias financeiras e capacidade de geração própria, como é o caso da Neoenergia. “Porque quando você tem isso, você é capaz de suportar esses momentos de variação de preço, como a gente está vivendo agora”, diz.
Outro requisito sugerido é uma trava para que as empresas não comercializem energia além da própria capacidade financeira, como forma de evitar a contaminação para outros agentes. “Tem que haver regras claras e tem que ser duro mesmo. Tem setores que você não pode ter aventureiro”, avalia Knop.
Desafios para a migração de clientes de baixa tensão
A nova fase de abertura do ACL traz um diferencial importante, que é a assimetria de informações deste consumidor de baixa tensão. “Tem que ser um processo o mais simples, transparente e seguro possível”, diz Knop.
O decreto 13.097/2026 determina um produto padrão que deverá ser oferecido por todas as comercializadoras, para facilitar a comparação entre os fornecedores pelo consumidor. Para Knop, entretanto, esta medida deve ter pouco efeito. “Acho que virão muitos combos de produtos. Então, é uma percepção do valor do todo, e não somente desta tarifa (…). A gente vai se preparar para ter uma oferta mais combinada de produtos para o cliente”, diz a executiva.
Assim, a Neoenergia já prepara a estrutura para receber este novo cliente, com comunicação eficiente e simplificada. A empresa também considera que não será possível manter a personalização, considerando o grande volume de consumidores. Atualmente, para clientes da alta tensão, a companhia já organiza um sistema de comunicações que dura os seis meses da migração, de forma que o consumidor se mantenha informado sobre o o processo e não estranhe quando a migração efetivamente acontecer.
antes da abertura, para cerca de 3 mil atualmente. O crescimento pode ser ainda maior, já que apenas cerca de 40% dos consumidores elegíveis já fez a migração. Atingir este público remanescente, entretanto, não é tão simples.
“O grande bloco de migração foi nos grandes centros. Agora é um processo mais de pulverização de canais de vendas para chegar nas cidades que estão mais remotas”, diz Knop. Com a abertura para a baixa tensão, o potencial de novos consumidores pode aumentar ainda mais, e a companhia já estuda estratégias como parceria com negócios locais, além de preparar a estrutura organizacional e de processos para a nova escala de clientela. “Uma coisa é se recepcionar mil clientes, outra coisa é se recepcionar um milhão de clientes”, diz.
Fonte: MegaWhat




