Braskem Idesa, joint venture com o grupo do bilionário Carlos Slim, fez acordo com controladores e credores para reduzir dívida de US$ 2,5 bilhões para US$ 1,6 bilhões, incluindo aporte de US$ 476 milhões da petroquímica brasileira
18/08/2026
A Braskem Idesa, subsidiária da Braskem no México em joint venture com o bilionário Carlos Slim, entrou com um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11), para reestruturar uma dívida de US$ 2,5 bilhões, em acordo negociado com acionistas e credores que poderá reduzir US$ 920 milhões do débito.
O processo da Braskem Idesa foi comunicado na segunda-feira (17) à Securities and Exchange Commission (SEC), reguladora do mercado de capitais dos EUA, e ao mercado, revelando que a subsidiária receberá um aporte da Braskem de US$ 476 milhões.
No comunicado, a subsidiária mexicana da Braskem informou que “chegou a um acordo abrangente de reestruturação consensual com todas as suas principais partes interessadas, incluindo seus acionistas — Braskem S.A., Braskem Netherlands B.V. e Idesa S.A. de C.V. —, seu credor de financiamento a prazo (term loan) e a grande maioria dos detentores de seus títulos de dívida (notes)”.
A Braskem Idesa informou que essa solução financeira consensual permitirá captar novos recursos e reduzir substancialmente a alavancagem do balanço da empresa, diminuindo a dívida sênior total de aproximadamente US$ 2,5 bilhões para cerca de US$ 1,6 bilhão, posicionando a Braskem Idesa para o sucesso operacional e financeiro a longo prazo.
De acordo com o comunicado, para implementar a reestruturação da maneira mais célere possível, a Braskem Idesa e algumas de suas subsidiárias iniciaram um processo judicial de reestruturação do tipo “pré-acordado” (prepackaged) nos EUA, protocolando pedidos voluntários de Chapter 11 no Tribunal de Falências dos EUA para o Distrito Sul do Texas.
A empresa informou que tem como meta concluir o processo de Chapter 11 em um prazo de aproximadamente 60 a 90 dias.
“Como parte da reestruturação, a Braskem, acionista majoritária da Empresa, aportará um total de US$ 476 milhões (incluindo certos valores financiados antes do pedido de falência), reafirmando seu compromisso renovado com a Braskem Idesa e seu crescimento futuro”, informou a Braskem Idesa.
No comunicado da Braskem no Brasil, a petroquímica informou que do total a ser aportado, US$ 126 milhões já haviam sido disponibilizados antes do protocolo do pedido de Chapter 1, representando um aporte ainda a ser feito de US$ 350 milhões.
A subsidiária mexicana acrescentou que, após a conclusão do processo, a Braskem manterá a participação majoritária no capital social reorganizado da empresa, e a Idesa e suas afiliadas serão as maiores acionistas minoritárias.
A Braskem Idesa protocolou diversas moções habituais de “primeiro dia” junto ao tribunal para apoiar a continuidade das operações normais em todas as frentes durante o processo de Chapter 11.
“Todas as operações do dia a dia continuarão normalmente e sem interrupções. Credores quirografários e fornecedores comerciais serão pagos em conformidade com as moções de “primeiro dia” (first day motions) e o plano de reorganização apresentado ao tribunal. Isso inclui a manutenção dos salários e benefícios dos funcionários no curso normal dos negócios.
“A companhia espera trabalhar com suas partes interessadas à medida que amplia a produção e normaliza suas operações”, afirmou a empresa.
Fundada em 2010, a Braskem Idesa é uma empresa mexicana constituída por meio da associação entre a Braskem (Brasil), maior produtora de termoplásticos do continente, e o Grupo Idesa, um dos líderes da indústria petroquímica mexicana.
As duas empresas desenvolveram um complexo petroquímico focado na operação e produção de eteno e polietileno de alta e baixa densidade no município de Nanchital, Veracruz, México. Em 2023, o Grupo Idesa passou a ser controlado pelo Grupo Carso, do bilionário Carlos Slim.
O pedido de recuperação judicial da Braskem Idesa acontece em momento de igual dificuldade financeira da sua controladora no Brasil, que enfrenta pressão de credores por dívidas de aproximadamente US$ 10 bilhões.
Em junho passado, a Braskem, controlada pela gestora IG4 Capital em sociedade com a Petrobras, conseguiu na Justiça 60 dias de proteção contra credores em decisão liminar da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital do Estado de São Paulo, atendendo a um pedido de Tutela de Urgência Cautelar, após credores rejeitarem plano de reestruturação da empresa.
Fonte: Brasil Energia



